
"Bien sur, il y a nos défaites
Et puis la mort qui est tout au bout..."
Jacques Brel morreu no dia 9 de Outubro de 1978.
Marcou uma geração - não apenas pelos poemas e pelas canções, mas por um percurso de vida de coerência, insatisfação, insubmissão e revolta. O belga valão que quase exclusivamente cantava em francês e que acusava os flamengos de arrogância e de discriminação, foi um ícon para muitos, pertencendo ele mesmo à geração de ouro da música francófona, herdeiro de Piaf e de Brassens, companheiro de Reggiani, Moustaki, Leo Ferré, Barbara, Mouloudji, Aznavour e tantos outros.
"Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête"
Foi cantor e actor. Depois de uma vida activa, sempre interveniente, retirou-se para as Ilhas Marquesas, quando descobriu ter um cancro. Em 1977 regressou a Paris para gravar o seu último disco, dez anos depois do anterior e voltou para o lugar onde se sentia bem, navegando nos mares do Pacífico. Voltou à cidade-luz para morrer, e foi enterrado na Ilha Hiva-oa, no Arquipélago das Marquesas.
Deixou-nos a palavra, a nostalgia, o acreditar na vida e a presença da morte. E sentimentos profundos, íntimos e solidários. E polémicos. Como a natureza dos homens. E como Brel.
"Les vieux ne meurent pas, ils s'endorment un jour et dorment trop longtemps
Ils se tiennent par la main, ils ont peur de se perdre et se perdent pourtant
Et l'autre reste là, le meilleur ou le pire, le doux ou le sévère
Cela n'importe pas, celui des deux qui reste se retrouve en enfer
Vous le verrez peut-être, vous la verrez parfois en pluie et en chagrin
Traverser le présent en s'excusant déjà de n'être pas plus loin
Et fuir devant vous une dernière fois la pendule d'argent
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, qui leur dit : je t'attends
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non et puis qui nous attend."
Ele, contudo, não chegou a velho - ou, vendo de outra forma, permanece sempre eterno na cultura dos povos. Salut Jacques!

