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sábado, 8 de dezembro de 2007

lanches de Natal


Gosto desta época, por muitas e variadas razões, mas também pela azáfama natural, entre compra de presentes, concertos, cinemas e visitas a amigos. Pode ser que seja uma grande correria, mas sabe bem.

Um dos momentos de que mais gosto são os "lanches de Natal", em que uma pessoa "abre o bar" e os amigos vão pingando e encontrando-se, seja por cinco minutos, seja por cinco horas.

Durante muitos anos pratiquei o culto, em minha casa. Agora chegou o momento de outros.
Obrigado, Sofia e Pedro.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

ódios de estimação - 1


Porque é que odeio tanto estes intrumentos? Tanto que nem sei bem o que são. Utensílios? Mamarrachos? Porcarias?

Sempre embirrei com as esfregonas. São feias. Porcas e más. Acumulam bactérias que agradecem o que os humanos acrescentam diariamente ao substrato que existe naquelas extensões de corda rasca (na Escandinávia, as esfregonas hospitalares são guardadas num frigorífico para as bactérias não se desenvolverem... tal e qual cá...). Não limpam nada, ou melhor, diluem a porcaria, seja xixi ou cocó, em sucessivas graduações, espalhando generosamente por todo o chão a nojeira que estava, até então, concentrada num bocadinho do soalho.

Não se trata de uma diatribe avulsa. Estou convencido de que tenho a mais profunda das razões para odiar esfregonas, quanto mais não fosse, porque quando acabamos (?!) a tarefa, não sabemos o que fazer com aquela pinderiquice. Deixá-la a molhar tudo? Guardar no balde que fica obscenamente sujo? Levar com ela na cara porque é grande, desajeitada (ela, a esfregona, nunca nós!) e troncholenta (a palavra não existe, eu sei!).

Resumindo: odeio esfregonas!!!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

a propósito da terra molhada


Creio que foi Garcia Marquez quem escreveu:
"adoro o sabor do café, a cor azul, o cheiro da terra molhada, o toque do cetim e o barulho do mar"

domingo, 18 de novembro de 2007

perguntas de domingo - 1


Porque é que é sempre tão bom andar de teleférico?

sábado, 17 de novembro de 2007

memórias


Hoje voltei ao Tivoli. Para ver uma peça infantil (por acaso, com certa graça).
As cadeiras estão a pedir reforma, a alcatifa é do tempo da monarquia, e o pó correspondente causa rinite alérgica ao mais empedernido nariz.
Mas o resto impõe respeito.

E lembrei-me de que o primeiro concerto a que assisti foi nessa sala, há cerca de 45 anos. Ficou-me na memória a 6ª Sinfonia de Tchaikowsky, e a vontade de perguntar "quando é que isto acaba"...

Mas recordo-me do prazer de ouvir uma orquestra ao vivo, pela primeira vez, e da minha professora de piano (a Dona Fernanda, vulga Fernandocas) - com quem fui, ensinar-me que não se aplaudia nas pausas entre andamentos.

É como se fosse hoje. Foi hoje. E mesmo não sendo uma professora de primeira água, obrigado.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

parques de Lisboa


Continua o "bom tempo", recheado de saudade, castanhas e sol.

Assim estava hoje o Parque das Conchas, suave e calmo, no meio da turbulência da cidade, como estiveram certamente os jardins da Gulbenkian, o Botânico, o "Colonial" e até o Campo Grande.

São tão bonitos os parques de Lisboa. Que pena serem tão raros, como raras são as pracetas que ainda resistem estoicamente em alguns bairros.
Os espaços verdes são essenciais, nem que seja para aumentar a nostalgia que num Outono "atípico" nos invade.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

as Portas do Sol




Uma pequena delícia, este jardim "com vista para o Tejo".
Percorrem-se ruelas e, de repente, surge o arvoredo, o parque, a lezíria aos nossos pés.



As Portas do Sol são portas para o infinito, tão longe quanto o horizonte, tão alto como o Céu.

Quando passarem por Santarém, capital do Gótico, não percam este lugar, tão bonito quanto calmo, tão rico como simples, ao qual um dia criador de Outono deu o sublime toque da magia.

Fotografias: MC

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

um dia feliz...



Hoje foi um dia feliz.
Deu muito trabalho mas também muito gozo.
Estou feliz.

domingo, 4 de novembro de 2007

o doce sabor do descanso


Há muito tempo que não gozava quatro dias seguidos em paz absoluta, desligado do telemóvel e da net (os meus familiares, amigos e pacientes que me perdoem), das "últimas" dos telejornais ou do "caso Maddie".

Mas confesso estava precisado de me sentir senhor do Tempo (privilégio dos deuses), e caminhar pelos campos nestes gloriosos dias de Outono.

Livros, música, um vinho escolhido criteriosamente, e a companhia de quem se ama.

E como já faz frio, a lareira deu o aconchego e a energia necessária para voltar à realidade do dia-a-dia urbano.

Foi bom! As fotografias atestam-no...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

há sempre algo de novo na vida



Pois foi preciso chegar aos 52 anos para ver realizado um sonho de sempre: ter um violino.
Como canta o Chico Buarque: "alguém me adivinha os desejos".

Agora é... aprender e estudar. Mas a sensação de agarrar nele hoje e, pelo menos, fingir que era primo (muito afastado...) do Menuhin, foi muito boa. E o desafio é grande, mas assim é que tem graça!

Como escreveu Paul Verlaine: "Les sanglots longs des violons de l'automne blessent mon coeur d'une langueur monotone" - e foi assim que o dia D começou.

sábado, 27 de outubro de 2007

hoje

Outono
Quase Inverno
Quae dormindo o sono
Eterno
Rejeito a trono
Rejeito o dono
Rejeito o Céu, a Morte
E o Inferno

Por sorte descubro
Que nasci em Outubro

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

símbolos

Há quatro anos, no Blógica da Batata, Blogue meu e do meu filho Pedro, escrevíamos:

Catarina
O que se passou algures, num pequeno país chamado Portugal, em que a Catarina, de 3 anos, foi selvaticamente espancada, queimada com cigarros e batida, até morrer nos braços da polícia, mostra como algumas pessoas – políticos, profissionais de saúde, jornalistas, etc -, deveriam ter mais respeito quando perdem tanto tempo a falar de porcarias. Os abusos são, em 95% dos casos, cometidos em casa. As crianças abusadas sofrem perigo de morte, se não houver intervenção. Os abusadores têm que ser afastados e tratados antes de voltar a ter contacto com as crianças. Fartamo-nos de dizer isto, desde há mais de vinte anos.

A Catarina não era uma “presa pseudo-política”. Era uma criança de 3 anos, morta depois de barbaramente torturada, repetida e sadicamente, como o fazia a PIDE, a Stasi, os esbirros de Saddam, da Indonésia ou de Sharom. Soube disso aqui em Praga, pela net. E por uma jornalista do DN, extremamente comovida, que me telefonou. Assim como foram todos a correr para Castelo de Paiva, bem faziam em reservar um minuto de silêncio na AR. Para que não continuem a interessar-se só pelo que lhes interessa, em termos pessoais, de lobbies e de interesses de grupo. Ai, que vontade de dizer “porra!”.



Hoje, a palavra Catarina é para mim reconfortante, apaziguadora, estruturante.
Como símbolos idênticos podem ter significados tão diferentes. Inquieta-me a morte de Catarina. Tranquiliza-me a vida de Catarina.

Fotografia: MC, Imagem: Google

um balcão perto do Céu


Entra-se numa vereda, que aponta "Balcões", o miradouro que pretendemos alcançar.
O caminho está forrado a plátanos e cedros, folhas castanhas e alaranjaradas que atapetam os nossos passos.

De repente o abismo - os abismos - de um e do outro lado. Falésias atapetadas com arbustos e folhas, que nos conduzem às escarpas do vulcão. E o nevoeiro sempre presente, abrindo de quando em quando um espaço azul entre as nuvens.

De súbito o vazio. Estamos num pináculo várias centenas de metros acima do vácuo. As pequenas povoações,os palheiros das vacas, as casas dos homens, tudo parece igual, da Penha d´Àguia ao Pico Ruivo. A esmagadora presença da Terra, relembrando-nos quem sonos e a nossa eterna pequenez.

Há um momento efémero em que entendemos que somos um átomo a mais que se animou. Uma peça a mais que ganhou corpo. Mas nunca redundante. Mas nunca dispensável ou descratável. Mas nunca sem sentido ou sem razão de vida.

No Miradouro dos Balcões respiramos a Terra e os seus elementos. Sentimo-nos minúsculos, mas ao mesmo tempo grandes.
Porque somos parte da Natureza que pode ser - e é -, tão magnífica, esmagadora e encantadora.

"Um lugarzinho perto de Deus"...


Fotografias: MC (Outubro 2007)

evasão



Era tão bom, que pudéssemos agarrar os nossos sonhos, e lançá-los ao ar, para que encontrassem rapidamente os destinos prometidos.

Mas pensando bem, talvez fosse perigosa tanta realidade e, afinal, tão pouco desejo não concretizado. Por outro lado, poderia haver sempre uma greve de pilotos que nos boicotaria a realização e a felicidade. E António Gedeão teria que rever (coitado!) o seu poema: "e o mundo pula e avança, como um A320, entre as mãos de uma criança"...

Fico a ansiar pela próxima viagem...

Foto: MC, num passeio "para ver os aviões"

terça-feira, 23 de outubro de 2007

o Livro, no seu esplendor


Olha-se e não se acredita.
O fascínio é imenso. A cor inebria-nos. O aspecto é quase bizarro. E a vastidão, esmagadora.


Livros, livros e livros. Nas escadas, no tecto, nas paredes, nas estantes.

Falo-vos da Livraria Esperança, no Funchal, a maior livraria de Portugal e uma das maiores do Mundo.


Mas não é a dimensão que a distingue, mas sim dois conceitos que nunca vi em parte alguma: 1º: tem um exemplar de praticamente todas as obras publicadas em português, repondo imediatamente o título a não ser que esgotado na editora; 2º recusa-se a mostrar os livros pela lombada, mas sempre de frente. De capa. Porque se vê a cara de uma pessoa... pela face, e não pelo perfil - é uma homenagem ao Livro, mas também aos Autores, Capistas e Grafistas.


Fundada em 1886, por Jacintho Figueira de Sousa, tem passado de pais para filhos. Foi o primeiro estabelecimento comercial na Madeira a vender apenas livros. Actualmente, com perto de cem mil títulos disponíveis, a Livraria Esperança dá metade dos seus lucros às crianças da Região, na forma de livros, para incentivar o gosto e a prática da Leitura.



Se forem ao Funchal, não deixem de a visitar, na Rua dos Ferreiros 157, um pouco acima do Largo do Município. E de caminho podem provar um Madeira de qualquer tipo e qualquer ano, no armazém que fica à direita de quem sobe.

Haja (e sempre) Esperança!

Fotografias: MC, última: Livraria Esperança

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

quentes e boas...


Parece quase surreal estar de mangas de camisa e calções, com um Verão madeirense, a passear na Avenida do Mar e a ver as pessoas a comer castanhas.
“Quentes e boas!”.


Comer castanhas em fato de banho “não é normal”.

Mas, em Lisboa, na Praça de Londres, o Senhor Eduardo já assentou arraiais – vamos visitá-lo amiúde, neste Outono!



Fotografias: MC

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

chilreada

Não há melhor do que acordar ao som da chilreada dos pássaros que fizeram lar nas árvores da Praça Pasteur.

Lembro-me de, quando estava de "banco", o som da passarada em Santa Maria, às seis da manhã, nos dias quentes de Verão, depois das terríveis noites sem dormir e a atender casos que, àquela hora, eram sempre graves, me provocava náuseas, quase piores do que os primeiros surtos de luz ou o café com leite a saber a sabão do Toxinas-Bar.



A sensação agora é outra. De sinfonia e de companhia. E de graça.
Ao entardecer também lá estão, aos magotes, escolhendo criteriosamente algumas árvores, mas enchendo-as completamente. E chilreiam, chilreiam, chilream. Cantam, cantam, cantam.

Mais tarde, pelas duas ou três, virão os rouxinóis fazer o seu solo.

Tenho muita sorte!