sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

lei do tabaco

Muita confusão se tem gerado sobre a actual lei do tabaco.

A última dos media foi a descoberta do presidente do ASAE a fumar no Casino de Lisboa.

Independentemente de o Dr. António Nunes ter infringido ou não a Lei (se o fez, deverá assumir as responsabilidades inerentes), a lei é para cumprir. E o facto de seja quem for a transgredir, se for o caso, não a menoriza em nada, como alguns pretendem fazer. "Ah, se ele fuma, então também nós podemos fumar!". A questão não é proibir o presidente da ASAE de ser fumador, é de fazer cumprir a lei que defende os não fumadores dos fumadores. Sendo estes toxicodependentes (desculpem a crueza da expressão, mas cientificamente é isso que se passa), é natural que muitos não estejam na melhor situação psicológica para aceitar de bom grado a implementação de uma lei que protege a Saúde Pública.

Espero que a ASAE, mesmo que o seu presidente tenha sido apanhado numa situação "de risco", continue o seu papel de fiscalização, e que multe quem for de multar, doa a quem doer.

Viva a nova lei do tabaco!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

concertos de ano novo

A música foi também uma constante neste fim-de-ano madeirense. Desde a música nas ruas, por altofalantes ou ao vivo...
... a um excelente concerto pela Orquestra de Mandolins (a mais antiga da Europa), na Igreja Inglesa, pudémos saborear um bocadinho de tudo. Excelente.

"emiliações" no Funchal

Já que falámos das "emiliações" de Lisboa, fica aqui um cheirinho do que foram as iluminações do Funchal, para além do Monumental fogo de artifício, algo de verdadeiramente espantoso e único.











terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Bom Ano!


Do Funchal, Bom Ano para todos! Sem esperanças demasiadas, mas com muitos sonhos e fantasias.

Por mim, vou tentar dar mais atenção ao essencial, e perder menos tempo e energia com minudências estúpidas e mesquinhas. Vou rever os meus "filtros" mentais, e só dar fé daquilo que realmente me importa. Se o conseguirei? Só no dia 1 de Janeiro de 2009 pdoerei comparar...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

que acabem 2007 em paz...

Ruht wohl, ihr heiligen Gebeine

E que renasçam, quais fénixes, para um 2008 cheio de momentos, sentimentos e pensamentos bons

"boa tarde, senhor Eduardo!"

Não há passeio a pé, no Outono/ Inverno, que não inclua uma visita ao Sr. Eduardo.

Sempre no seu posto, na esquina da Praça de Londres com a Avenida Paris, fala do seu passado, de como andava com os irmãos na apanha da castanha, e de como selecciona os excelentes exemplares que assa e serve.
Somos fãs do Sr. Eduardo.

No Verão obsequia-nos com gelados, e é um dos nossos sinais de pertença.

"Boa tarde, Sr, Eduardo" - abre-se a janela do carro e grita-se, faça chuva ou faça sol.

Assim cultivamos os afectos... e enchemos a barriga de castanhas!

domingo, 30 de dezembro de 2007

há pessoas que nos marcam - 1

Como bola colorida, entre as mãos de uma criança.

Lembrei-me agora de Romulo de Carvalho, meu professor de Físico-Químicas, com quem tive uma relação muito particular. Como mestre e como poeta. Devo-lhe muito.

Não me esquecerei da sua primeira aula, estando nós, alunos, sentados num daqueles anfiteatros quase verticais, e em que, em silêncio, o professor Rómulo de Carvalho começou a misturar líquidos de frascos e provetas diferentes, transformando a soma de transparente e transparente em encarnado, depois azul, depois verde, a páginas tantas libertando vapores e fumos, até, num toque último de alquimista, devolver à mistura a sua transparência original. Foi nessa altura que falou, e disse: "meus senhores, isto é a Química".

Um dia, o António Rebelo de Sousa emprestou-me um livro de um tal "António Gedeão". Estava a lê-lo no recreio (devia ter aí uns 13 anos) quando o professor Rómulo me interpelou: "estás a ler isso? O que achas, Cordeirito?". "Estou a adorar, professor!". "Hum!". E nada mais disse, designadamente que era ele, Rómulo, o António Gedeão da poesia. Soube-o mais tarde, por outras vias.

Também tive um conflito com ele (apenas nos jornais, ele nunca soube) sobre o seu "poema anti-Anne Frank" - abordarei esse assunto aqui, um dia.

Mas hoje apeteceu-me falar dele. Porque estava a escrever poesia e lembrei-me do meu Mestre. "O mundo pula e avança" - e apesar de Gedeão se afirmar como céptico, descrente do Homem e da Humanidade, e se afirmar quase como cínico, creio intimamente que não o era, muito pelo contrário...

aldeia global

Alô, Papai Noel? Daqui sua filhinha, directinha da praça di pastôr. Está frescote mas a vida corre bem, e as notas de euro também... Jinhos

(a informação quanto à nacionalidade da fotografada foi obtida quando do pedido de autorização para a fotografia)

sábado, 29 de dezembro de 2007

"emiliações"


Quando era criança ia com o meu Pai ver as "emiliações", à Baixa, e nunca me hei-de esquecer da excitação, no carro, desde o Restelo ao Rossio, para ver as espantosas "luzes de Natal".

Hoje, depois de um excelente concerto do Rodrigo Leão, no Jardim de Inverno do São Luiz, resolvi dar uma volta e fixar alguns exemplos das "emiliações" actuais.


O gozo foi o mesmo. Tive pena que o meu Pai não estivesse comigo, mas acho que até estava. E o excelente Natal que tive este ano continuou por mais um bocado, ao som das músicas do Rodrigo Leão e dos seus músicos.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

há 100 anos...

Apesar das constantes descobertas da neurociência, durante muitas décadas pensou-se que só utilizávamos 10% da nossa capacidade cerebral. Aliás, os “10%” foram um pouco inventados, para expressar, no fundo, a ideia de que dávamos uso a muito pouco do cérebro, e que muito mais haveria de se descobrir, para além das capacidade humanas que se esperava virem-se a revelar.

Foi exactamente há 100 anos que esta ideia teve lugar. Actualmente, sabe-se que se usam múltiplas partes do cérebro, com funções melhor ou pior conhecidas, mas que não se trata propriamente de usar uma parte e a outra (neste caso a esmagadora maioria) estar “em silêncio”, inactiva.

Que realmente o cérebro tem uma plasticidade até agora pouco compreendida, é verdade, o que permite fazer uso de “planos B e C” quando de lesões que alterem alguns neurónios ou vias neuronais. Daí a importância da rehabilitação e da estimulação precoces.
Por outro lado, os estudos com ressonância magnética funcional permitiram ver que, para uma dada tarefa, se “acendem” partes do cérebro muito distantes e que não fazem parte do que se supunha ser um grupo funcional único.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Benazir

Era de esperar. Desde o primeiro momento. Foi agora como poderia ter sido em Outubro. Kennedy, Butho, Nehru-Gandhi, tantos outros.
O Mal venceu hoje. Acreditemos sempre na vitória final do Bem.

no Jardim da Estrela

No dia 24 voltei ao Jardim da Estrela (Jardim Guerra Junqueiro). Já não ia lá há bastante tempo, mas sempre foi para mim um lugar especial porque, para além de ter sido co-desenhado pelo meu tetravô Isidoro Baptista, era um local onde ia muitas vezes durante os sete anos em que frequentei o Liceu Pedro Nunes.
O Jardim continua igual. Lindo. Um espaço azul entre as nuvens.

No Jardim da Estrela
está tudo como dantes.
As árvores, o coreto,
os velhos vestidos de preto,
os indigentes
mal vestidos,
os adolescentes
divertidos,

e até mesmo os funcionários
que, vítimas do horário,
respiram um pouco de ar puro,
e fazendo planos para o futuro
esquecem por momentos o presente
enquanto cumprem o ritual
do seu descanso pós-prandial.

No Jardim da Estrela
está tudo como dantes.
As grades de ferro escuro,
essas sim, têm futuro,
e delimitam a ilha calma,
perdida,
tão cheia de vida
e de alma
e tão bela
que é o Jardim da Estrela.


No Jardim da Estrela
está tudo como dantes.
Até mesmo aqueles estudantes
do liceu
discutindo Marx e Kant
que nenhum ainda leu,
e também os gritos sonantes
dos meninos da João-de-Deus,
os bibes multicolores
formam uma mancha azul, castanha,
amarela,
formam uma estranha
aguarela
um hino de cor
pintado sei lá por que pintor.
Descobrem a vida
e correm atrás dela,
regando de vida
o Jardim da Estrela.


No Jardim da Estrela
está tudo como dantes.
Até o olhar meditabundo
do cego que toca violino,
e que revive em cada nota o mundo
luminoso, de quando era menino.
Há também aquele alentejano
que vende qualquer coisa todo o ano,
gelados no Verão
castanhas no Outono,

e o mendigo de casacão
surrado
que dorme, enrolado,
nos dias de Inverno
um sono
pesado
dir-se-ia eterno.

No Jardim da Estrela
está tudo como dantes.
Os pombos arrulham
as crianças bulham,
e até o berro
dos pavões
e o ferro
dos portões
são sempre iguais
E na cidade poluída
por conceitos de vida
letais,
abre-se de repente uma janela
que é o Jardim da Estrela.


No Jardim da Estrela
está tudo como dantes.
Num imobilismo quase total,
dir-se-ia um postal,
uma fotografia, uma recordação
...Mas naquele banco distante,
alheio ao mundo que o rodeia,
a lua cheia
não desenha no chão,
como dantes,
as sombras abraçadas dos amantes.

et in terra pax hominibus

É o que vos desejo, neste re-início de semana, quase fim outra vez. Com frio mas sem ameaça de chuva.
Paz. Interior, sobretudo. Mas também, exterior.
Vivaldi resume bem este sentir, numa parte especialmente fascinante do seu Gloria. Glória aos humanos e à sua força de viver.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

boxing day

No final do Natal. O por-do-sol que pudemos presenciar em Lisboa, hoje.

Quase à beira de um ano novo, fica o farol-vigia do que se passou e passa, e a grua simbólica do futuro que vamos construir.
Com luz mas com nostalgia. Com dinâmica, mas com tranquilidade. Que o mar invada o nosso rio, mas que não cause danos nem tormentas - apenas ajude a matar a sede e a regar a lezíria.

Boa ressaca e boa preparação de 2008.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Um pensamento especial para os meus Pais, que viviam o Natal com muita intensidade.

Era diferente, nem podia ser de outro modo. Mas é sobre essas memórias que construo o presente Natal - e fico feliz por isso.

Bom Natal!


(Jardim da Estrela, ontem, no final de um excelente passeio)


BOM NATAL!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

presente de Natal


Já que não te posso dar
O barulho do mar
Por que é imenso
E forte
E retumbante

Já que não te posso ofertar
O sentido do ar
Porque é intenso
É norte
E caminhante

Já que não te posso enviar
A luz do luar
Porque é incenso
É morte
E sufocante

Aqui vai o que restou
Na espuma dos dias
O mar que ficou
Depois da ventania
Eu próprio guardado
Num truque de magia
E para sempre selado
Na maresia.

domingo, 23 de dezembro de 2007

missa sem galo

Ontem fui à Missa. É verdade. O padre que a celebrou foi Michel Corbot, e a cerimónia teve lugar na Catedral da Gulbenkian. Muito participada (completamente a abarrotar), Deus-Bach (que não Baco!) foi devidamente venerado, com uma representação sublime da sua Missa em Si Menor.

Foi daquelas coisas que quase nos fazem crentes... ou fazem, embora mais da Humanidade do que de qualquer divindade que tire partido das competências e da capacidade humanas para"mostrar trabalho".

Os homens são tendencialmente bons. De Deus já não sei.
Da Missa de Bach só uma coisa a dizer: humanamente divinal!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Inverno em Oxford

Inverno em Oxford
A neve cai
na relva
dos pátios
dos colégios.

À janela
do meu quarto
está-se bem:

"The central heating
is on, sir..."
diz-me o manager.


Eu sei...

Os estudantes
cruzam-se e conversam
O fumo das lareiras
eleva-se no ar

(Oxford é lindo)

Porquê então
a nostalgia
que me invade?
floco a floco
floco a floco
floco a floco...
como a neve que cai
na relva
dos pátios
dos colégios.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

tão perto e tão distante

Esta imagem de Marte, obtida a partir do telescópio Hubble, é de uma beleza impressionante. Mas ao mesmo tempo deixa uma certa angústia, ao pensar neste (e em tantos) astros que vagueiam no espaço sideral, perdidos ou encontrados, sós ou acompanhados.

Tanto a descobrir, a conhecer, a saber. Será que um dia, como no 2001 de Kubrick, teremos acesso ao Conhecimento?

Por ora ficam estas belas mas perturbadoras imagens do Planeta Vermelho.

Et in terra pax hominibus!

os primeiros passos

Sempre gostei particularmente deste quadro de Van Gogh, intitulado "Os primeiros passos".

Apesar de só em meados do século XX se terem compreendido as relações da criança com o pai e a mãe, e mais recentemente o papel na ousadia e na regressão que ambos representam, Van Gogh expressa neste quadro todo o conhecimento empírico do que a Ciência se encarregaria de demonstrar, muitas décadas depois: a criança, no final do primeiro ano de vida, passa do "pólo mãe" para o "pólo pai". Com a alegria e atitude receptiva do segundo (reparem no pormenor do pai se colocar de cócoras, à altura dos olhos da criança), com a mágoa e o sentimento de perda da primeira (tão bem simbolizado no gesto fatalista de a largar). E com o entusiasmo da própria criança, que estende os braços à autonomia e ao risco, estruturada que já está na segurança.

É um quadro admirável, que explica numa imagem o que vemos e passamos no dia a dia. As tristezas, os lutos, a sensação de "pré-reforma" das mães. O re-encontro, a felicidade, o entusiasmo dos pais.

"Corre!". "Cuidado!" - quem diz o quê? Mais importante é que ela aprende a "correr com cuidado". Van Gogh sabia...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Wishful thinking?


Sem comentários. Cedido pelo Manel Teixeira e pelo Miguel Leal