sexta-feira, 31 de outubro de 2008

é a vossa noite!

Vá. Já é de noite.
Percam o medo e saiam nas vossas vassouras.

Bruxas de todo o mundo, unidas vencerão!

pelo Tejo, por Lisboa

Podem assinar aqui.


Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...
(...)


Álvaro de Campos

Fotografia: Mário

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

"Luizito, já te tenho dito"...

"Eu, o Principe Dom Pedro de Alcantara Luiz Philippe Maria Gastão Miguel Gabriel Raphael Gonzaga de Orleans e Bragança, tendo maduramente reflectido, resolvi renunciar ao direito que pela Constituição do Imperio do Brazil promulgada a 25 de Março de 1824 me compete à Corôa do mesmo Paiz. Declaro pois que por minha muito livre e espontanea vontade d’elle desisto pela presente e renuncio, não só por mim, como por todos e cada um dos meus descendentes, a todo e qualquer direito que a dita Constituição nos confere á Corôa e Throno Brazileiros, o qual passará ás linhas que se seguirem á minha conforme a ordem de successão estabelecida pelo Art. 117. Perante Deus prometto por mim e meus descendentes manter a presente declaração."

Cannes, 30 de Outubro de 1908.


Há cem anos, havia quem reflectisse maduramente. Havia quem renunciasse a altos cargos e se retirasse da vida pública. Ainda não tinha nascido Pedro Santana Lopes.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

todos os homems são iguais... mas...

E ninguém faz nada? A polícia não intervém AGORA mesmo?

margaridices

A "escritoríssima" Margarida Rebelo Pinto (que há um par de anos, na Feira do Livro, respondeu a sério à pergunta maliciosa de um jornalista sobre se estava nas suas intenções vir um dia a ganhar o Prémio Nobel), deu uma longa entrevista a um semanário onde declara, entre muitas outras coisas, duas que me impressionaram vivamente: "detesta quem escreve a palavra ´vermelho´, e adora escrever a palavra ´merda´."

Não partilho da primeira opinião de MRP, e terei de concluir que MRP detesta Fernando Pessoa: "Deram-me um cravo vermelho
Para eu ver como é a vida
"; Sophia: "Do brilho do mar e do vermelho da maçã erguia-se uma felicidade irrecusável, nua e inteira"; Camões: "peito que o douto Apolo fez, vermelho; ou Eugénio de Andrade: "Também ele vai morrer, o verão. Do verde ao vermelho", entre provavelmente todos os outros poetas e escritores de língua portuuesa.

Agora que ela escreve ´merda´, aí estou cem por cento de acordo!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

ai as palavras...

Mãe adoptiva de Esmeralda começa hoje a ser julgada por sequestro


Mau jornalismo - Esmeralda não tem mãe adoptiva. Tem uma mãe biológica, e uma senhora que a foi buscar a um consultório de um dentista na Sertã, e que se recusou a entregá-la ao pai biológico há vários anos, apesar da determinação do Tribunal em contrário.

Esmeralda nunca teve mãe adoptiva, pela simples razão de que nunca foi adoptada.

Teve, sim, também, várias "mamãs" (algumas a roçar a histeria) querendo decidir do seu futuro na praça pública e com cruzadas moralizadoras (e confrangedoras).

Obrigado!

Para todos os que me telefonaram, enviaram SMSs, comentaram no Blogue, mandaram mails ou até cartas ou pombos-correio (cinco, aterraram na minha janela).
Um grande abraço para todos

Com que então caiu na asneira
de fazer anos no Sábado!
Que tolo!
Ainda se os desfizesse...
Mas fazê-los não parece
de quem tem muito miolo!

Não sei quem foi que me disse
que fez a mesma tolice,
aqui o ano passado...
Agora, o que vem, aposto,
como lhe tomou o gosto
e faz o mesmo... Coitado!

Não faça tal; porque os anos
que nos trazem? Desenganos
que fazem a gente velho;
faça outra coisa; que, em suma,
não fazer coisa nenhuma,
também lhe não aconselho.

Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
às vezes por brincadeira,
mas depois, se se habitua,
já não tem vontade sua,
e fá-los, queira ou não queira!


João de Deus


PS: eu gostei de fazer anos. De reunir filhos, netos, nora e genro, e a pessoa amada. Não me importo de me habituar. Assim dure o tempo que durar. Este já ninguém me tira. O resto, virá ou não...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

juízes em causa própria?

Cavaco voltou a vetar o Estatuto dos Açores. Não estou por dentro da Lei nem tenho conhecimentos para a analisar, mas há uma questão, pelo menos, sobre a qual me interrogo: poderá um órgão que vai ser dissolvido, como seria o caso da Assembleia Regional, pronunciar-se de modo decisivo sobre a sua própria dissolução?

Em 1975, um colega meu, que era professor da Faculdade de Letras em Lisboa, era obrigado a dar as notas em paridade com as dos alunos: faziam trabalhos e a nota do professor valia o mesmo do que a dos outros alunos todos. Não sei porquê lembrei-me disto... ou será que sei porquê?!

27 de Outubro

Obrigado pela participação na Entrada anterior. A todos, mesmo àqueles que me fizeram ataques pessoais, mas principalmente aos que expuseram razões, confrontaram ideias e originaram debate. Podem continuar, aliás! E um dia destes voltamos ao tema.

Hoje não. Porque hoje quero apenas deixar aqui os meus parabéns a Erasmus de Roterdão, James Cook, Niccolo Paganini, Theodore Roosevelt, Sylvia Plath, Jean-Pierre Cassel, Lula da Silva, Roberto Benigni, Simon Le Bon ou Maria de Lurdes Mutola, entre outros, mortos e vivos, que nasceram neste dia.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

je déclare!

Aqui fica, para a posteridade, a minha Declaração em como o que interessa é se as escolas são boas ou más, se têm ou não projecto pedagógico sólido, se são seguras, se respeitam a criança enquanto ser em eterna brincadeira, se dão mimo, se não exigem TPCs, e se são inclusas e reflectindo a variedade do ser humano e a realidade externa.

Hoje, neste dia, aqui fica a minha Declaração de que os recreios deveriam ser os intervalos das aulas, e que não devemos fabricar cavalos de corrida para a retoma económica, mas pessoas e cidadãos livres e felizes.

Hoje, neste dia, fica a minha Declaração de que existem escolas públicas excelentes, e que o show-off de algumas privadas, manifestado na marca do carrão do papá ou da camisa do menino, é de uma boçalidade a toda a prova, com largos ganhos financeiros ou com vista a formar elites para a tomada do poder daqui a uns anos. Declaro também ser a favor de um Ensino Laico e plural, onde Deus e as Igrejas fiquem na intimidade e privacidade do lar de cada um. Salvaguardo existirem escolas públicas muito más e escolas privadas excelentes.

Hoje, neste dia (e antes) fica a Declaração de que tudo farei para colocar os meus filhos em escolas públicas, sempre que estas forem perto da residência, boas e "normais" - como o faço desde 1980, aliás -, permitindo passeios a pé, comprar castanhas no senhor Eduardo, perceber porque é que o musgo cresce do lado norte das árvores ou os melros debicam a relva logo depois de chover. Sem TPCs, sem excessivas actividades. E com a brincadeira e o descanso como recompensas de um dia de trabalho e de gozo.

Hoje, neste dia, mesmo lutando contra ventos e marés (ou porventura por isso), sei que estou do lado certo da Justiça, da Educação, e da Saúde Mental das crianças. E quando essas crianças são meus filhos, estarei na linha "mais do que a frente".

E num dia de tão raras certezas, convido-vos a reflectir sobre o assunto.

(reflexões enquanto esperava num corredor cheio de sol, embora quente, do Tribunal de Menores e Família de Lisboa).

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Historieta veneziana

Será que alguém sabia
Que o Signor Lucca de Rabia
e o Duque Theo de Manzanares
Se enfrentaram
E lutaram
Num duelo sangrento
Para pedir em casamento
A bela Laura di Stendici

Eram seis e dez em ponto
Quando as armas se voltaram em confronto
E dispararam quase simultaneamente
Lucca morreu com um tiro no peito
Theo ficou agónico, com a bala de Lucca no rim direito

Enquanto isso,
Aquecida pelo belo edredão,
Que ostentava o brasão
dos Manzanares,
Laura fornicava na sua cama
com o irmão de Lucca e primo de Theo,
Enrique de Chirimoya y Olivares

“Ouviste aquele barulho?” – perguntou
Ele inclinou-se, beijou-a e comentou:
“Devem ser Lucca e Theo a discutir quem matou mais narcejas”
“Excitas-me tanto, meu amor, quando gracejas!”
– riu-se a dama.


poesia de Mário Cordeiro

Trafalgar - 200 anos...


Turner - A Batalha de Trafalgar

Dois séculos certinhos. Almirante Nelson - o herói. No dia 21 de Outubro de 1808.
Ingleses contra uma aliança franco-espanhola. Napoleão à espera do resultado.

Quando os 33 navios da aliança bonapártica estavam a sair da costa espanhola, com rumo a Itália, depararam-se com os 27 navios britânicos.
"A Inglaterra só espera que cada homem cumpra o seu dever!" - e apenas em cinco horas 19 barcos espanhóis e franceses foram destruídos, sem perdas materiais para os ingleses mas com a morte ou ferimentos de 1500 marinheiros. Quando as coisas estavam no seu auge, Nelson foi atingido no tórax e morreu em 30 minutos. "Morro satisfeito. Graças a Deus cumpri o meu dever!". E graças ao Almirante (aqui para nós, ligeiramente obcecado com a noção de "dever"), Napoleão ficou sem meios para invadir Inglaterra.

Em Trafalgar Square, lá está a enorme coluna com a estátua de Nelson. E os lagos onde, na passagem do ano ou em dia de vitória da selecção inglesa, os londrinos mergulham, curtem bebedeiras e dão largas à alegria.

PS: e a Maria Albertina, se tivesse outro filho, chamava-lhe Nelson!

há 30 anos...

Há 30 anos iniciava o papado Karol Józef Wojtyła, polaco, que adoptou o nome de Johannes Paulus PP. II, tornando-se o primeiro papa não-italiano em 455 anos.
Teve o terceiro papado mais longo da história do catolicismo (26 anos), tendo escrito 24 encíclicas.

Personagem enigmática e até contraditória (e necessariamente polémica). Viajou como ninguém (104 viagens), teve actos de um conservadorismo inconcebível, dando poder à Opus Dei e a outras prelaturas marcadamente reaccionárias, mas ao mesmo tempo foi ecuménico e um defensor da paz (será engraçado rever a sua posição quando da primeira guerra do Iraque).

Era um amante de teatro, de música popular e de literatura, tendo tido um papel muito activo na resistência aos nazis. Guarda-redes da equipa do Wadowice e praticante de halterofilismo, a forte compleição física terá evitado a sua morte, quando do atentado no Vaticano por Ali Ağca.

Após João Paulo I, acerca de quem fiz uma Entrada há dias, o papado do seu sucessor tinha de ser controverso. Pessoalmente, acho uma personagem intrigante, e o meu sentir, em relação a ele, oscila muito. Se a história dos segredos de Fátima me causam náusea, por outro, a atitude corajosa em nome da paz são de admirar. Mas depois abençoa a construção de uma réplica da Basílica de São Pedro no coração de África, a mesma África em que apregoa o "pecado" que é o uso do preservativo, em plena epidemia de HIV, ao mesmo tempo que consegue contribuir, fortemente, para o derrube da ditadura soviética, apesar de revelar alguma amizade por Fidel Castro. Provavelmente, é o testemunho de que ninguém é isento de críticas ou de elogios.

No cômputo geral, e é minha estrita opinião pessoal, acho que poderia ter sido bastante melhor. Mas o que é que se deseja de um papa? Se é um chefe de uma Igreja, é uma coisa, se é um Chefe de Estado, é outra, se é uma figura influente na ordem internacional, será uma terceira. E por vezes há conflitos de interesses...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

traz outro amigo também...

Um blogue de um jovem adolescente que gosta de música.

Nada como incursões em campos menos conhecidos (pelo menos para mim).
Nada mais atraente do que The dark side of the Moon".

consta que ainda dentro da barriga da mãe...

Salazar também lutou pela democracia e liberdade, na faculdade
Enquanto professor na Universidade de Coimbra, Salazar foi processado e suspenso por fazer política em prol da monarquia nas salas de aula. Defendeu-se elogiando a "liberdade de expressão" e a democracia como "conquista legítima".

JN on-line

merda para o dono!


NOTA PRÉVIA: a frase que dá o título a esta Entrada é antiga, e diz-se a quem, insistentemente, apregoa sobre alguma coisa: "é meu, é meu!"
.

Falamos muito das pessoas que cospem no pavimento, nas que não separam o lixo ou atiram papéis pela janela do carro.

Mas que dizer dos porcalhões - não os cães, coitados - mas dos donos dos cães que deixam os seus animais fazer as necessidades onde quer que seja.


Pessoalmente, sou a favor de uma postura municipal que seja de uma intransigência feroz. João Soares tentou, com a campanha "Presentes do seu cão? Não, obrigado!". O resultado foi quase nenhum, porque muitos donos se estão nas tintas.

Vejo diariamente, no local onde resido. Os meus filhos incomodam-se e têm receio de ir brincar para a praceta ou para o relvado.

Respingamos com as pessoas, mas as respostas são sempre de sobranceria e quase ofensa. E os cães lá continuam a cagar a via pública com total impunidade dos seus queridos donos. Que diriam eles se eu pusesse os meus filhos a fazer as necessidades no passeio? Os riscos para a Saúde Pública eram, por acaso, até bastante menores.

Se eu fosse presidente da Câmara, juro que punha coimas elevadas, e nem que fosse através do ADN da caca do cão haveria de chegar ao dono e aplicá-las.

É caso para dizer. "Merda para o dono!".

Fotografias: MC

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

dois finais a 20 de Outubro

1935

Mao-Zedong terminava a Grande Marcha
Iniciada 368 dias antes, para escapar das tropas nacionalistas de Chiank-Kai-Shek, a Grande Marcha terminou junto à Muralha da China, com 4.000 dos iniciais 100.000 homens e mulheres que a formaram. Foram percorridos perto de dez mil quilómetros, duas vezes a distância entre Nova Iorque e São Francisco, ou mais do que de Lisboa à Nova Zelândia pelo centro da Terra.

Sujeitos a bombardeamentos, fome, disciplina interna e cansaço, os sobreviventes foram acolhidos por cinco metralhadoras e cavaleiros com bandeiras vermelhas: "Bem vindo, Presidente Mao. Estávamos à sua espera ansiosamente. Está em Shensi. Estamos à sua disposição". O resto é sabido...


1965

A Volvo terminava a produção de um dos seus mais famosos emblemas - o PV 544.



O automóvel que permitiu a universalização da Volvo, com uma excelente relação preço/qualidade - simultaneamente carro de rallies e carro de cidade -, chegava ao fim. Coube ao engenheiro de testes Nils Wickstrom, na presença dos fundadores da Volvo, conduzir os últimos exemplares para fora da fábrica, em Lund, na Suécia.

O Volvo PV 544 terminava a sua Longa Marcha, que o levou aos cinco continentes e bateu, na altura, recordes de fabrico. Ao contrário de Mao, chegou ao último dia com bastante mais efectivos do que tinha começado - venderam-se 440.000 nos seus oito anos de produção. Ainda me recordo de ter andado num...

Moral da História: Mao Zedong, num Volvo PV 544, a 120 km/h (a velocidade máxima a que rodava) teria feito o seu percurso em cerca de 83 horas...
Há pessoas que são. Apenas isso. São. Nos tempos de verbos transitivos, ainda conseguem conjugar o verbo ser na sua essência. Ser. Estar.

A Mirita era uma delas. E, no momento em que parte, fica um sorriso. Uma graça. Um miminho. Um doce feito em casa. Um pão daqueles que dura a semana toda. Uma coscuvilhice (quadrilhice). Um desabafo. Um beijinho quase repenicado. Um afecto.

Um dia tinha de ser, não era? A vida não é eterna, por mais que desejemos. Estará ao lado do seu Augusto, que tinha sempre uma anedota debaixo da manga para me contar quando lhe ia medir a tensão. Tantos anos! E um bolo de festa. E uma notícia. E um mimo.

Até sempre!

trabalhar para ocupar ou para preocupar?

Portugal é o quarto país onde menos se trabalha

Portugal é dos países com menos horas efectivas de trabalho por semana, de acordo com um estudo da Eurofound. A população empregada do país trabalha menos 1,2 horas do que a média e menos 2,9 do que nos países mais laboriosos.

JN on-line


Estas estatísticas deixam-me sempre com pele de galinha. Porque, em termos epidemiológicos, fazem-me farnicoques. Depois porque não dizem nada sobre nada. Mas podem levar a pensar muito sobre muito - é esse o seu verdadeiro (mas encapotado) perigo!

domingo, 19 de outubro de 2008

"por quem os sinos dobram? Dobram por todos nós".

A propósito da Entrada de hoje de manhã, e dos comentários - espero que surjam mais -, aqui ficam duas sugestões: Hemingway e Hugh Thomas.

Um dia, no dia 28 de setembro de 1974, um pseudo-primo meu afirmou que o que Portugal precisava era de uma guerra civil que, de uma vez por todas, resolvesse a questão política subjacente.
A minha Mãe passou-se. E ele ouvi-as, das boas e das bonitas. Todas as guerras são horrendas, mas as guerras civis ainda conseguem ser piores, porque são fratricidas, e entre irmãos os sentimentos são sempre extremos, num ou no outro sentido.

Como escreveu Hemingway, "numa Guerra Civil, os sinos dobram por todos nós, nunca apenas por alguns".

não consigo descortinar...

Curiosamente nasceu um dia antes de mim. Admirei-o e admiro-o. Corajoso, lutador, sem medo.

Lutou contra a ETA, e muito do que representam vitórias sobre este movimento terrorista devem-se a ele. Fez (e bem) a vida negra a Pinochet, mostrando que, lá por se ser velhinho, não se fica santo quando se doi um ditador sanguinolento e assassino.

Mas agora, o Juíz Baltazar Garzón exagerou. Ir "recuperar" a Guerra Civil de Espanha, assacar culpas a franquistas (quando sabemos que houve, dos dois lados, massacres e ignomínias), analisar os restos mortais de Llorca é, para lá de inútil, abrir uma caixa de Pandora.

As feridas da Guerra de Espanha conseguiram sarar, num prazo curto de tempo. Os espanhóis vivem em democracia e têm outras ameaças. Ir ressuscitar ódios e chagas, é não deixar os lutos em paz, sem que disso resulte qualquer benefício, Um espanhol com 18 anos, no último ano da Guerra, terá agora 90 anos.

Não consigo descortinar qualquer motivo, a não ser ânsia de protagonismo de Garzón. Espero que não. Que esteja enganado. Eu...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

teria hoje feito anos. Parabéns!

Albino Luciani. Nasceu a 17 de Outubro e teria, agora, 96 anos. Se não tivesse morrido. Se não o tivessem assassinado? Dizem que Deus sabe, mas também dizem que Deus, ou alguém em nome d´Ele, se encarregou do serviço.

Trinta e três dias (número simbólico) chegaram para a revolução. O ano dos três Papas. O reinado pontifício mais curto da História. O Papa que era fã de Pinóquio, que teve como tese de doutoramento "A origem da alma", que dava consecutivos exemplos de humildade e de recusa dos favores e símbolos "exteriores de riqueza" da Igreja Católica, terminou os seus dias misteriosamente, não se sabendo ainda porque morreu.

Aquele que, para Madre Teresa de Calcutá foi um dos raros "raios de luz vindos de Deus", exclamou, ao saber-se eleito: "Que Deus vos perdoe!".

"Humanizar o papado" - foi o seu primeiro objectivo. E recusou usar a coroa e a tiara papal, porque considerou a sua missão como devendo ser um exemplo de humildade. O seu primeiro press-release, aliás, chamava-se "Humilitas".

Apesar de curto, no seu pontificado ainda conseguiu reunir uma conferência para discutir o problema da sobre-população no Terceiro Mundo, um tabu para uma Igreja que fazia (faz!) da anti-concepção um pecado, e pretendia prolongar o trabalho de João XXIII sobre o ecumenismo e o espírito liberal do Concílio Vaticano II.
Outras iniciativas foram dar aos países pobres uma percentagem do que as Igrejas dos países ricos recebessem, e receber o ditador argentino Jorge Videla para lhe lembrar a necessidade de respeito pelos direitos humanos e re-afirmar que era contra a "Guerra Suja" da ditadura sul-americana (que dirão aqueles que hoje se recusam a receber o Dalai Lama, em Portugal, e lambem as botas aos dirigentes chineses?).

Em Setembro de 1978 foi encontrado morto, sentado na cama. Autópsia? Não foi feita. Estava a escrever. O quê? Nunca se soube. Os documentos desapareceram.

Mas deixou apontamentos e escritos sobre Cristo e sobre o Rei David. Sobre Maria Teresa de Áustria e sobre Fígaro, do Barbeiro de Sevilha. Sobre Mark Twain e Charles Dickens.

Era ele ou a Igreja, no que esta tem de mais reaccionário e conservador. Não podia sobreviver. Envenenamento? Enfarte? O crime, a haver, prescreveu. Deus safou-se desta. Até quando?

que tal experimentar a autofagia?

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol confessou que desde quarta-feira à noite bebeu muita água das pedras, mas ainda não conseguiu digerir o empate da selecção portuguesa frente à Albânia.

TSF on line

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

um ano!

Fazemos um ano. Com 387 entradas, 17.500 visitas e muitos comentários.

E a sensação de que o blogue adicionou, quanto mais não seja, um grão de areia no edifício cósmico.

A "blogar" desde Fevereiro de 2003 (por sugestão do meu filho Pedro, num fim de semana em que veio de Madrid a falar destas coisas que ninguém sabia o que significavam), já me sinto um geronte da blogosfera, mas é divertido e entusiasmante assistir à evolução da linguagem e da lógica dos blogues. E à minha própria evolução, enquanto blogmaster de blogues com objectivos e finalidades tão diversas.

Depois do "Blógica da Batata", do "Arre-Burro" (que conseguiu ser um dos dez blogues mais antigos de Portugal e estar entre os cem mais vistos, entre vários milhares, apesar de cuidar apenas de uma pequena associação de praia) e do "Baleal-o Blogue" - o primeiro em banho-de-maria, os outros devidamente mortos e sepultados -, há 366 dias que "mexe" o Espaço.

E, assim, pretendo continuar, ao sabor das ondas, das marés e do pio das gaivotas, pelo menos enquanto sentir que há alguém que me ouve (neste caso lê e vê), mesmo que "na mais longínqua estrela da mais longínqua galáxia", para utilizar a linguagem do meu filho Eduardo.

Continuem a viagem no Espaço Azul! Abraços e obrigado por tudo. "Morrerei mais feliz" - diz-se, mas pessoalmente viverei ainda mais feliz, que não tenho pressa de morrer...

PS. ainda mais com cinco filhos, dois netos e uma pessoa amada.

Mário

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

percursos de vida

Pierre Laval e Margaretha Geertruida Zelle. O que têm em comum estas duas personagens?

Uma primeira coisa: ambas morreram a 15 de Outubro. Mas milhões de pessoas, por esse mundo fora, ao longo dos séculos, morreram nesse dia. Hoje mesmo, em Portugal, morrerão cerca de 300.
Porquê o interesse por estas duas pessoas?

Outra coisa comum: ambas foram executadas. Já reduz o espectro e aproxima mais estas duas personagens.

Ainda outra: ambas foram fuziladas em França.

E mais outra. Ambas foram executados devido às Guerras Mundiais do século XX – a I, no primeiro caso, a II, no outro.

Mas mais ainda: ambas foram executadas por alta traição.

Pierre Laval foi o dirigente fantoche do Governo de Vichi, na França ocupada pelos nazis. Era um deputado e senador pacifista que, nos anos trinta, fez uma súbita viragem à direita (acontece!), tendo sido ministro dos negócios estrangeiros e primieor-ministro duas vezes. Anti-comunista primário, denunciou o pacto com a União Soviética e alinhou a França com a Itália fascista. Sendo contra a declaração de guerra da França à Alemanha e encorajou a capitulação, sendo depois ministro de Estado do General Pétain. Depois de ter posto este na sombra, Laval tornou-se o braço direito de Hitler em França. Fugiu para a Alemanha na hora da Libertação, depois para Espanha, de onde foi expulso, procurou refúgio na Áustria e acabou por se render aos americanos, tendo sido julgado, e fuzilado a 15 de Outubro de 1945.

Margaretha Geertruida Zelle era holandesa e chegou a Paris em 1905, sendo uma dançarina de estilo exótico, numa versão sofisiticada de streap-tease. Depois de umas tournées pela Europa, adoptou o nome de Mata Hari (que, em malaio, que dizer “o olho do dia”). O seu catálogo de amantes incluíu altas individualidades francesas, designadamente militares. Em Fevereiro de 1917 foi detida por “espionagem”, e acusada de ter fornecido aos alemães pormenores sobre a nova arma dos Aliados: o tanque.
Considerada culpada de alta traição, foi fuzilada em Outubro desse ano, tendo ficado para a História o facto de ter recusado a venda com que se tapa os olhos dos sentenciados.

Há quem diga que, ao contrário de Laval que foi um peão de brega dos nazis, Mata Hari só cometeu um crime: ter conseguido, através do poder da sua sedução, mostrado a fraqueza dos chefes militares franceses. O destino, esse foi o mesmo...

já que se falou ontem de fraldas

Antes de 1961, as opções não eram muitas: só havia fraldas de pano (algodão) as quais, em média, podiam ser utilizadas entre 50 a 100 vezes.


Mas as “descartáveis”, primeiro apenas de papel, depois incluindo já a parte plástica e materiais super-absorventes só verdadeiramente começaram a ser usadas nas duas últimas décadas.

Se as fraldas de algodão têm problemas, não apenas práticas para os pais mas de infecção nos infantários (20 vezes mais), além de poluirem e contribuirem para os problemas ecológicos decorrentes da cultura do algodão, as descartáveis causam menos problemas ao bebé ("rabo assado") mas infectam mais os lençóis de água freáticos e demoram muito tempo a biodegradar-se. O uso de "fraldões" está a desenvolver-se em muitos países.

E aqui ficam alguns dados, para vosso gozo:
Quantas fraldas usa, em média um bebé até aprender a usar o bacio?
- cerca de 5.000

Quantas fraldas é possível fazer a partir de uma só árvore?
- cerca de mil

Quantas fraldas serão necessárias, por ano, para a população infantil portuguesa?
- cerca de seiscentos milhões por ano (um número assim: 600.000.000)

Quantas árvores é preciso cortar para tal?
- cerca de seiscentas mil. Só cada criança "gastará" cinco árvores!

Quantos anos leva uma dessas árvores (abetos) a crescer?
- cerca de 75 anos. Cada criança “gastará” assim 375 anos de árvores – mais de cem anos por cada ano de uso.

Quanto custa a um bebé (ou aos pais!) o uso?
- 1500€... ou seja, 1,5€ por dia

E quanto é que isto envolve, no País, por ano, em termos de negócio?
- cerca de 200 milhões de euros

terça-feira, 14 de outubro de 2008

and the winner is...


A votação resultou nisto: a vencedora do concurso de Fadas Winx foi a Flora, com dois votos.

O combate foi renhido e o pai teve de intervir com voto de desempate (daí os dois votos, porque duas outras concorrentes tiveram um voto cada). Privilégios hierárquicos... um dia destes mostro as outras candidatas.

finalmente!

Uma boa notícia... quinze anos depois da proposta inicial. Não é mau! Antes tarde do que nunca.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

é realmente Outono...

O Outono chegou. E é oficial.

O Senhor Eduardo está de volta!

Comprámos as primeiras castanhas.
Estavam uma delícia. "Tive de esperar" - explicou - "porque os fornecedores misturam, nestas primeiras levas, castanha da boa com outra menos boa. E os meus clientes não merecem um mau serviço." - além de simpático é um profissional.

E as castanhas são "do outro mundo".

não resisti...


Hoje é Dia da Prevenção Rodoviária, especialmente dedicada ao transporte seguro de crianças nos automóveis, quer particulares, quer colectivos.

Desculpem a imodéstia, protagonismo, narcisismo, o que quiserem. E pecado confessado, está à partida perdoado (espero). Mas hoje é um dia de muito significado para mim.

Não posso deixar de referir ter sido a primeira pessoa a escrever um artigo científico (na Revista "Saúde Infantil") e coloquial (logo no 2º número da Pais&Filhos) sobre este assunto, em 1987 e 1988, respectivamente. O tema era de tal forma estranho que o editor da Revista médica pediu para acrescentar um subtítulo "uma experiência inglesa", ao título que era: "transporte da criança no automóvel". Em 1988 fizemos o primeiro estudo, que mostrou o quase total desconhecimento dos pais e da população. Agentes multavam os pais que tinham a cadeirinha no banco da frente (não havia airbags, na altura, pelo que a própria lei dizia que a criança podia ir à frente, desde que bem transportada), e tive de ir a tribunal mais de uma vez porque o que estava na cabeça das pessoas era: "o miúdo vai sempre atrás!". À balda, claro.

Recordo-me de, por causa deste tema, ter entrado a correr, sem pedir licença e furando a segurança e subindo a escadaria a quatro e quatro, com um polícia atrás de mim a dar-me voz de prisão, no gabinete do Secretário de Estado, Carlos Loureiro, na Praça do Comércio, em 1994, para tentar emendar um erro no decreto-Lei que ia ser levado a Conselho de Ministros daí a breves minutos. Esse erro atrasaria a implementação do uso de cinto no banco de trás por mais seis anos. E ao mesmo tempo ameaçando-o de um processo por cada criança que morresse indevidamente (o que a gente faz... entrar num gabinete de um governante com ameaças - se fosse hoje ia parar a Guantanamo). Tantas lutas, campanhas, spots, alegrias, esperanças, acções, e frustrações também...

Ainda me lembro do enorme susto que apanhou Cavaco Silva, então primeiro-ministro, quando desceu num simulador a 15 (quinze!) km/h e sentiu a brutal violência do choque, numa acção de rua na Avenida da Liberdade em que o meu filho mais velho esteve envolvido. Lembras-te, Pedro? "Chocar a 45 km/h tem a força de impacto igual a cair de um 5º andar" - quantas vezes repetimos isto, e quantas vezes fomos chamados de "exagerados", "maníacos", "fundamentalistas". "Não andámos todos sem cinto quando éramos pequenos" - diziam amigos e colegas. O pior é que os que tinham morrido não estavam cá para produzir esses comentários.

A Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI, anagrama de PAIS) ocupou-me, de alma e coração, dez anos, desde a sua fundação em 1992. Com Kaj Edanius, durante um almoço em que um dizia "mata" e o outro "esfola", um sueco tão sonhador e louco como eu, que acreditava que seria possível ver, nos carros dos portugueses, o que já se via na Suécia e que eu, durante a minha estadia em Inglaterra, tinha tido o ensejo de levar à prática, com esse fantástico médico, amigo, e outro sonhador Aidan Macfarlane.

E também de, com o entusiasmo da Drª Maria de Belém Roseira, ter coordenado o grupo de trabalho que redigiu a proposta de decreto-lei sobre transporte colectivo de crianças, numa altura em que a melhor Ministra da Saúde das últimas décadas decidiu colocar a prevenção dos acidentes nas prioridades da Saúde. As vicissitudes da política levaram ao adiamento por sete anos, mas já é lei.

Muito se fez, em 20 anos. As cadeirinhas, consideradas uma coisa estranha, passaram a ser normais, mesmo que ainda com muitos erros de utilização pelos pais. Morriam nas estradas o equivalente a dois aviões cheios de crianças. A situação melhorou indubitavelmente, mas ainda há muito para fazer, como usar SEMPRE o cinto no banco de trás, e não facilitar NUNCA, porque podemos estar parado e alguém nos bater no carro.

Para os profetas da desgraça, a conclusão que deixo é: "vale a pena lutar por causas destas, porque se encontram vontades, pessoas e ideias, e nem sempre é a derrota que nos espera no final da linha.".

Hoje é um dia muito especial para mim.