domingo, 21 de dezembro de 2008

Poemas de Natal 12 - Camilo Pessanha

Rosas de Inverno - Camilo Pessanha



Corolas, que floristes
Ao sol do inverno, avaro,
Tão glácido e tão claro
Por estas manhãs tristes.
Gloriosa floração,
Surdida, por engano,
No agonizar do ano,
Tão fora da estação!
Sorrindo-vos amigas,
Nos ásperos caminhos,
Aos olhos dos velhinhos,
Às almas das mendigas!
Desse Natal de inválidos
Transmito-vos a bênção,
Com que vos recompensam
Os seus sorrisos pálidos.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Eanito, já saíste de lá há vinte e dois anitos. Felizmente!

Eanes admite dissolução do Parlamento
Ramalho Eanes provocou um terramoto político ao admitir que existem condições políticas para o presidente da Repúblicar proceder à dissolução da Assembleia da República e convocar eleições legislativas antecipadas.

JN on-line


Mas esta gente está doida? Não foi este Parlamento que aprovou, por UNANIMIDADE, o Estatuto dos Açores? Não foi este Parlamento que voltou a votar, por maioria qualificada, esse Estatuto? Não é normal (e muito saudável!) que os órgãos de soberania tenham, de quando em quando, diferenças de opinião? Para que serve o regime semi-presidencialista? Para que servem a Constituição e os processos constitucionais?

Pessoalmente, continuo a achar que Cavaco tem razão, mas a democracia é assim. O senhor General ainda está no tempo do Conselho da Revolução e do PRD. A Madre de Deus que o guarde!

Quanto ao PSD e ao discurso de Paulo Rangel, só algumas palavras simples: cobardia, cinismo, vergonha. Para serem coerentes votassem contra.

Quanto ao terramoto político não dei por nada: o dia está primaveril, a luz maravilhosa, e as pessoas borrifando-se cada vez mais para os partidos.

Poemas de Natal 11 - António Feijó

Noite de Natal - António Feijó



A um pequenito, vendedor de jornais

Bairro elegante, – e que miséria!
Roto e faminto, à luz sidéria,
O pequenito adormeceu…
Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
Sobre os jornais, que não vendeu.
A noite é fria; a geada cresta;
Em cada lar, sinais de festa!
E o pobrezinho não tem lar…
Todas as portas já cerradas!
Ó almas puras, bem formadas,
Vede as estrelas a chorar!
Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
Sobre os jornais, que não vendeu,
Em plena rua, que miséria!
Roto e faminto, à luz sidéria,
O pequenito adormeceu…
Em torno dele – ó dor sagrada!
Ao ver um círculo sem geada
Na sua morna exalação,
Pensei se o frio descaroável
Do pequenino miserável
Teria mágoa e compaixão…
Sonha talvez, pobre inocente!
Ao frio, à neve, ao luar mordente,
Com o presépio de Belém…
Do céu azul, às horas mortas,
Nossa Senhora abriu-lhe as portas
E aos orfãozinhos sem ninguém…
E todo o céu se lhe apresenta
Numa grande Árvore que ostenta
Coisas dum vívido esplendor,
Onde Jesus, o Deus Menino,
Ao som dum cântico divino,
Colhe as estrelas do Senhor…
E o pequenito extasiado,
Naquele sonho iluminado
De tantas coisas imortais,
– No céu azul, pobre criança!
Pensa talvez, cheio de esp’rança,
Vender melhor os seus jornais…

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

pessoa

Já que falamos de Pessoa e, nos comentários à Entrada anterior, de non-sense, vale a pena recordar um poema seu, praticamente desconhecido... et pour cause:

António de Oliveira Salazar
Três nomes em sequência regular.
António é António
Oliveira é uma árvore
Salazar é só um apelido
Até aí está tudo bem.
O que não faz sentido
É o sentido que isso tudo tem.

Poemas de Natal 10 - Fernando Pessoa

Natal - Fernando Pessoa




Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Poemas de Natal 9 - Mário de Sá-Carneiro

A noite de Natal - Mário de Sá-Carneiro



Em a noite de Natal
Alegram-se os pequenitos;
Pois sabem que o bom Jesus
Costuma dar-lhes bonitos.
Vão se deitar os lindinhos
Mas nem dormem de contentes
E somente às dez horas
Adormecem inocentes.
Perguntam logo à criada
Quando acorde de manhã
Se Jesus lhes não deu nada.
– Deu-lhes sim, muitos bonitos.
– Queremo-nos já levantar
Respondem os pequenitos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

ai Obama...

Obama nomeia Ken Salazar como secretario do Interior


Yes, we Ken? desde que não seja, yes, we Salazar...

Poemas de Natal 8 - Maria do Rosário Pedreira

Natal (à avó) - Maria do Rosário Pedreira



ficou vazio o teu lugar à mesa. Alguém veio dizer-nos
que não regressarias, que ninguém regressa de tão longe.
E, desde então, as nossas feridas tem a espessura
do teu silêncio, as visitas são desejadas apenas
a outras mesas. Sob a tua cadeira, o tapete
continha engelhado, com a tua ida.
provavelmente ficará assim para sempre.
no outro Natal, quando a casa se encheu por causa
das crianças e um dos nós ocupou a cabeceira,
não cheguei a saber
se era para tornar a festa menos dolorosa,
se era para voltar a sentir o quente do teu colo.

Poemas de Natal 7 - Pedro Tamen

Natal - Pedro Tamen



Não digo do Natal – digo da nata
do tempo que se coalha com o frio
e nos fica branquíssima e exacta
nas mãos que não sabem de que cio
nasceu esta semente; mas que invade
esses tempos relíquidos e pardos
e faz assim que o coração se agrade
de terrenos de pedras e de cardos
por dezembros cobertos. Só então
é que descobre dias de brancura
esta nova pupila, outra visão,
e as cores da terra são feroz loucura
moídas numa só, e feitas pão
com que a vida resiste, e anda, e dura.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

terrorismo - a força é a fraqueza

Mais uma vez os terroristas atacam, desta vez no Printemps, em Paris.

A sua força é a imprevisibilidade, e o facto de poder acontecer em qualquer lado. Mas essa é também a sua maior fraqueza, porque sendo alvos tão aleatórios leva a que as pessoas continuem a fazer a sua vida normal.

Se atacassem só as redes de metro, possivelmente muita gente deixaria de andar de metro. Ao quererem ser "tudo" acabam por não ser "nada".

Vida normal = melhor combate ao terrorismo.

Poemas de Natal 6 - Bocage

Natal - Bocage



Se considero o triste abatimento
Em que me faz jazer minha desgraça,
A desesperação me despedaça,
No mesmo instante, o frágil sofrimento.
Mas súbito me diz o pensamento,
Para aplacar-me a dor que me traspassa,
Que Este que trouxe ao mundo a Lei da Graça,
Teve num vil presepe o nascimento.
Vejo na palha o Redentor chorando,
Ao lado a Mãe, prostrados os pastores,
A milagrosa estrela os reis guiando.
Vejo-O morrer depois, ó pecadores,
Por nós, e fecho os olhos, adorando
Os castigos do Céu como favores.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Poemas de Natal 5 - Miguel Torga

Natal - Miguel Torga



Natal divino ao rés-do-chão humano,
Sem um anjo a cantar a cada ouvido.
Encolhido
À lareira,
Ao que pergunto
Respondo
Com as achas que vou pondo
Na fogueira.
O mito apenas velado
Como um cadáver
Familiar…
E neve, neve, a caiar
De triste melancolia
Os caminhos onde um dia
Vi os Magos galopar…

domingo, 14 de dezembro de 2008

Poemas de Natal 4 - Manuel Alegre

Natal - Manuel Alegre



Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Poemas de Natal 3 - David Mourão Ferreira

Litania para a noite de Natal - David Mourão-Ferreira



Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
numa casa de Hanói ontem bombardeada

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
tem no ano dois mil a idade de Cristo

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
e anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para nos pedir contas do nosso tempo

Recado do mano mais velho

Eduardo
Como vês, é possível dar banho, não só a um mas a muitos bois - é preciso é vontade, sabedoria, e trabalho de equipa.
Beijinhos
Pedro





neste Natal...



ofereça LIVROS!

(fotografia: blogue da Escola EB Padre Alberto Neto)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

um pensamento aos seis anos...


Desculpem a babadice de Pai!

parabéns, darling!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Poemas de Natal 2 - António Gedeão

Dia de Natal - António Gedeão




Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

parabéns. 100 vezes!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Portugal está disponível para acolher prisioneiros de Guantánamo

JN on-line


Eles, aliás, eram para cá ficar mas o avião não os deixou desembarcar, quando fez escala nas Lages...

Poemas de Natal 1 - Vinícius de Moraes

De hoje até ao Natal, publicarei, diariamente, um poema dedicado a esta quadra.

Poema de Natal - Vinicius de Moraes


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

60 anos da Declaração dos Direitos Humanos

Artigo 1: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.



Esta é a versão mais antiga dos Direitos Humanos - o cilindro de Ciro, elaborado na Pérsia no tempo deste Rei.

Em 10 de Dezembro de 1948, a ONU decidiu por 40 votos a favor e 8 abstenções, aprovar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, depois subscrita por mais e mais países.

Mesmo sabendo dos atropelos constantes a estes Direitos, designadamente em países que os subscrevem e que chegam a fazer parte dos Comités de Fiscalização do seu cumprimento (como a Líbia, há uns anos), estou certo de que, sem esta Declaração, o mundo estaria muito pior do que está.

Parabéns à espécie humana, e ao redactor principal da Declaração, o jurista canadiano John Peters Humphrey.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

três anos depois!

Estamos à frente! Não sei por quanto tempo, mas estamos!

Viva o Glorioso!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

com saudade, 28 anos depois...




Pai, a Minha Sombra és Tu


a cadeira está vazia, um corpo ausente
não aquece a madeira que lhe dá forma

e não ouço o recado que me quiseste dar
nem a tua voz forte que grita meninos
na hora de acordar
ouço o teu abraço, no corredor em gaia
e os olhos molhados pela inusitada despedida

o sol foge
mas o crepúsculo desenha a sombra que
tenho colada aos pés
ou o espelho, coberto com a tua face

pai, digo-te
a minha sombra és tu


Jorge Reis-Sá, in "A Palavra no Cimo das Águas"

Escultura: Gustav Viggeland

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

camarate

Há 28 anos morriam Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, Snu Abecasis e António Patrício de Gouveia, entre outros. Apenas três comentários:

Relativamente a Sá Carneiro, devo dizer que me impressionou a sua figura, especialmente antes do 25 de Abril e no pós-imediato, mas que, ao contrário do que por vezes se quer fazer crer, não foi ele quem liderou a rejeição do modelo PREC+PCP+Conselho da Revolução. Foi Salgado Zenha, Mário Soares e, essencialmente, o PS.

Como primeiro-ministro, achei-o fraco - os seus governos foram pouco mais que medíocres, e a gestão do PPD mais do que polémica. Deixou o partido em farrapos (pelo meio ainda houve a lideração esquerdista radical de Emídio Guerreiro). E considero que a sua escolha para candidato presidencial - o General Soares Carneiro -, foi desastrosa, devendo ter trido a coragem de se propôr, ele próprio - aí, sim, teria sido a rotura com a subserviência perante os militares, que ele apregoava ter de ser feita.

Endeusado, como acontece a todos os que morrem em condições misteriosas e trágicas, pouco tem sido analisado do seu percurso e do seu pensamento ideológico, bem como das atitudes e medidas que tomou enquanto governante. É pena. Admiro-o, também, pela coragem cívica, designadamente no seu relacionamento com Snu, peloq ue teve de passar, e pelo que teve de ouvir, nomeadamente de figuras do PS como Maria Barroso.

O segundo comentário é sobre Camarate. Já foi proposta a IX Comissão de Inquérito. Mas o que me faz confusão é que seja a AR a determinar se foi acidente ou atentado, e que as votações num e outro sentido tenham sempre (fora uma vez) seguido a maioria de direita (atentado) ou esquerda (acidente) do Parlamento.

Não é às autoridades técnicas e policiais que compete decidir? O que é que a política tem a ver com isso? E a convicção de que é uma coisa ou outra é política? Ou é factual? Vem aí, porventura a IX Comissão. As próximas eleições "decidirão" se foi atentado ou acidente.

Mais valia reflectir serenamente sobre Sá Carneiro e, porventura ainda mais, sobre Adelino Amaro da Costa, um homem corajoso e de pensamento forte, um excelente tribuno (sou desse tempo!) e que tem passado em segundo lugar neste "filme", quando, a haver atentado, seria provavelmente ele o alvo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

estranho mundo...

Médico amputa braço com instruções por SMS
Um médico britânico, que trabalhou como voluntário na República Democrática do Congo, conseguiu amputar o braço de um paciente seguindo as instruções enviadas por um colega através de SMS.

TSF on-line


Enquanto isso, neste mesmo "reino dos Kabilas", e ainda pior no outro Congo, arrancam-se braços, pernas e cabeça à fartazana, mas sem indicação clínica.

Estranho mundo este...

efeméride estilo "Jornal da Dois"

Há exactamente cem anos nascia, em Inglaterra, um actor chamado Edward Underdown. Podia ser underpants ou underdog. Pior. Era underdown. Quase como um untermenschen dos tempos nazis.

Se foi um grande actor? Apareceu fugazmente em alguns filmes de sucesso, sobretudo quando a camera pendia, e esteve em palco em Londres, porque conseguia esconder-se debaixo do ponto.

Assim nasceu, assim morreu. Só precisava era de um escadote para chegar ao chão... mas como acabou debaixo da terra, como toda a gente, não lhe fez diferença nenhuma.

quem imaginaria que fosse possível?

Foi a 3 de Dezembro de 1967 que Christiaan Barnard, uma versão real do Dr. Kildare, que fazia mais furor entre as mulheres do que Cristiano Ronaldo ou Santana Lopes, realizou a primeira transplantação de coração humano.

O doente não resistiu às infecções causadas pela imunossupressão, mas já o segundo paciente durou um ano e meio após a intervenção, muito mais do que teria de vida.

Actualmente, com os novos fármacos, a transplantação de coração (tecnicamente fácil mas complicada pela carência de dadores e pelo pós-operatório) tem sido a solução para milhares de pessoas.

Em Portugal, foi Queiróz e Melo quem, em 1986, no Hospital de Santa Cruz, fez a primeira transplantação. A paciente chamava-se Eva Pinto e tinha uma esperança de vida de seis meses - viveu ainda mais nove anos, sempre bem disposta e vendendo almofadas em forma de coração, em lojas e mercados.

Por se chamar Eva, sempre se considerou predestinada a ser pioneira em algo, e logo que se recompôs foi agradecer pessoalmente à família do dador, vítima de um acidente de viação.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

a solidão do príncipe


Carlos, de Inglaterra.
Príncipe de Gales. fez 60 anos a 14 de Novembro.

Acabo de ver um programa sobre ele, na SIC Notícias, e vem complementar a ideia que tinha dele, desde que, há vinte anos, em Inglaterra, segui melhor o seu percurso.

O homem-que-provavelmente-nunca-há-de-ser-Rei, porque a mãe não abdica, o pai nem quer pensar no que seria, e as gerações de hiatos curtos e a longevidade das pessoas fazem o resto, tem muito mais do que se pode pensar.

As suas ideias são fundamentadas. Tem uma perspectiva, para mim, correcta da arquitectura, da ecologia e da agricultura biológica. Bem como da sociedade multirracial.

Diana sempre fez o papel de vítima, de coitadinha, e até na sua morte trágica o destino consagrou essa sua faceta, deixando a Carlos o papel de vilão.

Homem só, com o destino traçado desde o início. Carlos é muito melhor do que pode parecer num primeiro alinhavo: esta é a minha ideia. Outra pessoa com a qual gostaria de jantar!!!