quarta-feira, 10 de novembro de 2010

as moscas é que mudam... mas haverá outras?


Crédito imagem: portuguesbrasileiro.istockphoto.com

Os juros da dívida portuguesa não param de subir. Os especuladores (também chamados "mercados", uma entidade cinzenta que escapa a qualquer controlo, mas que sabe bem como ganhar dinheiro, especialmente em tempo de crise - apontando armas sobre os países mais em crise) não ficaram muito "incomodados" com a aprovação do OGE. O festival impressionou mais o povoléu do que os referidos mercados.

No fundo, os fazedores de dinheiro estão-se nas tintas para Portugal e, mais, sabem que não cumpriremos nenhum compromisso nem a nossa economia se erguerá a ponto de pagarmos o que devemos (mais os juros) e ainda produzir o que consumimos (a ideia do orçamento de baze zero, aprovada na AR por sugestão do BE, parece uma excelente ideia mas duvido que alguém a aplique).

Contudo, o que mais impressiona (ou não) é que a desconfiança é tanto para o PS (por razões óbvias e legítimas) como para o PSD (que viabilizou o orçamento e será governo dentro de escassos meses).

Especuladores são especuladores... mas "vampirismo" à parte, são capazes de ter razão: mesmo que o governo mude, a ineficácia e a incompetência serão provavelmente as mesmas e os boys diferentes mas iguais. O que nos deixa um travo bem amargo na boca, e um sentimento de inquietação relativamente ao futuro, sobretudo dos nossos filhos e netos...

11 comentários:

IsabelCunha disse...

Nem mais...

Virginia disse...

Estás a ver as coisas sob um prisma muito superficial.

Ou seja, em termos futebolísticos, ninguem emprestaria agora dinheiro ao Benfica, campeão nacional, porque o Sporting e o Braga ainda estão piores:))

Mas...e o FCP? Não merecerá o benefício da dúvida?

Penso que atribuir ao partido maior da Oposição as culpas no cartório, quando nos ultimos 15 anos fomos governados 13 por socialistas, é sacudir a água do capote e considerar que o governo Sócrates não prevaricou gravemente pois limitou-se a imitar o que outros antes dele fizeram e é inimputável. é como desresponsabilizar os jovens por causa dos pais.

O governo Sócrates terá feito algumas coisas boas - mau seria se em seis anos nada tivesse feito que se visse- , mas no campo das finanças e economia foi um desastre total, hipotecando o futuro até das gerações vindouras. Foi avisado pelo PSD e o povo também. Só que nnguém acreditou.

A perpectiva de qualquer governo agora - fosse ele do BE ou do CDS ou do PC - é lúgubre e será assim por muitos anos, viesse Churchill ou Kennedy governar-nos!!!

Nada melhor para os predadores, especuladores e Co. Um panorama estável de bancarrota por muitos e muitos anos....

Mário disse...

Calma aí. Eu não atribuí culpas ao PSD, referi apenas a desconfiança (ou o desprezo) que os mercados têm por qualquer solução, seja ela qual for.
Depois dos desmandos, falhanços e mentira dos últimos dois anos do governo PS, seria de esperar que a perspectiva de um governo PSD ou, pelo menos, uma inflexão do orçamento pela acção do PSD ajudasse a "acalmar os mercados". Não me parece que isso se passe. Mais, com a certa vitória de Cavaco à primeira volta, o mundo financeiro deveria poder respirar de alívio...
Aliás, tenho como fantasia que o pior inimigo do governo de Passos Coelho será... Cavaco...

Virginia disse...

Tens razão, fui eu que li nas entrelinhas...:))

Não confio no Passos Coelho para confortar os mercados, nem sequer para os estabilizar. A situação é mesmo má e Portugal é mal visto na Europa em termos economicos porque em quinze anos, o PIB não cresceu nada.
Há ainda quem tente mudar as coisas - o Mariano Gago, pro exemplo dotou as universidades de muitas verbas para investigação que estão a dar frutos, mas o essencial - agricultura e pescas foram completamente abandonadas....
Penso que a educação está melhor no que se refere a condições logisticas, não a professores, mas o futuro é "bleak" para a maioria dos jovens.

catuxa disse...

Só me revolta que tanta gente tenha votado Sócrates, ou não tenha votado Manuela Ferreira Leite só porque era feia, velha, fez uma má campanha, etc. Estou absolutamente convencida de que, caso contrário, não estaríamos tão mal (será que os estrangeiros ainda duvidam de que sejamos capazes sequer de mudar de governo? a questão pode ser essa)Ingenuidade inacreditável. Os últimos anos foram uma brincadeira de mau gosto. Agora há que dar, pelo menos, o benefício da dúvida a quem se seguir, mas vamos pagar bem caro e faz muita impressão a (cada vez mais) crescente pobreza em Portugal e as consequências (na educação de crianças, etc.) que daí virão. A gravidade da situação era evitável.

zé disse...

Eu já não consigo pensar sobre estas coisas: governos prevaricadores, gente corrupta, erros do passado que agora têm de ser resolvidos, esperança num novo candidato, intervenção do FMI, mercados, bolsas, especulação, juros, PIB, apertos de cinto, mais sacrifícios, crescimento económico, polémicas, escutas, tráfico de influências, coisas graves que acontecem e se esquecem porque alguém muito poderoso e influente abafou, futebol/política/justiça, educação, condições de vida, pobreza, freeport, licenciaturas por terminar, etc...
Enfim, não há paciência. E eu? O que é que eu ando aqui a fazer? 29 anos! Sim, nada me daria mais prazer do que ter um filho que fosse acompanhado pelo excelente pediatra e pessoa que preside a este blog, mas como? Colégios que exigem mensalidades absurdas, ordenados que não chegam a ter 4 algarismos... Como se faz? Com sacrifício? Mais? Será que me sobraria tempo para pensar na melhor forma de educá-lo? E a quantidade absurda de gente bem pior do que eu? Basta de nomes de instituições fantasma e discussões parlamentares absolutamente infantis, baseadas apenas na troca de acusações. Quero ser feliz, é só! O que é que se passa com esta gente? É descarada a forma como as coisas são feitas. É revoltante! Tenho o mínimo de inteligência caramba! Será que eles contam com os que nem esse o mínimo têm para fazer o que fazem e dizer o que dizem? Se sim, considerarão esse mínimo a maioria, certamente! "O senhor terá de explicar aos portugueses..." Uma porra! Os portugueses querem lá saber! Só querem ter uma salsicha no prato e uma batata a acompanhar! E eles sabem que os portugueses não querem saber! É uma paródia e o povo vê a caravana passar...
As minhas desculpas pelo desabafo... Espero não ter sido ofensivo.

Virginia disse...

Uma sugestão, Zé: emigrar.

Há quem viva melhor lá fora.

Abraço

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

Enquanto continuar este primeiro-ministro e este ministro das finanças (que desastre!!!) que não dão CONFIANÇA a ninguém, dificilmente os mercados hão-de acalmar e os juros parar de crescer! Por mais boa vontade e sentido patriótico do PSD a colaborar, nunca será o suficente.
Explica-se, assim, porque mesmo com o acordo do pSD ao orçamento os mercados não acalmaram. Não é por não terem também confiado no PSD, mas sim porque NÃO CONFIAM nos governantes que lá estão agora!!!

Vou pensar seriamente na sugestão da Virgínia....

Catarina

zé disse...

Ando a juntar umas massas, Virgínia...:)
Mas afinal o que é que é isso dos "mercados"? Para mim, os mercados acalmam quando se aproxima a hora de almoço, quando o peixe e a carne são vendidos, quando já não há hortaliça nem azáfama. E a U.E.? O que é que esta coisa que tantas obrigações, leis e restrições impõe faz por mim? Para que serve? Nós dizemos que sim a tudo, cumprimos e respeitamos. E a contra-partida? Percebo que haja Bruxelas e fundos e empréstimos sem os quais talvez já nos tivéssemos afundado. Mas eu sinto esse benefício na minha vida? Não! "É cada coisa para seu lado ou isto anda tudo ligado"?

marta paixao disse...

Eu que sou nova e tenho um filho pequeno para criar, há muito que equaciono a ideia aqui apresentada pela Virgínia. É uma tristeza ver o estado a que o nosso país chegou com as consequências inevitáveis para cada um de nós. Já não há motivação para a nossa geração continuar a esforçar-se por um país que não nos retribui em nada. Se me surgir a mim ou ao meu marido uma boa proposta de trabalho no estrangeiro... não hesitaremos!