Há 30 anos iniciava o papado Karol Józef Wojtyła, polaco, que adoptou o nome de Johannes Paulus PP. II, tornando-se o primeiro papa não-italiano em 455 anos.Teve o terceiro papado mais longo da história do catolicismo (26 anos), tendo escrito 24 encíclicas.
Personagem enigmática e até contraditória (e necessariamente polémica). Viajou como ninguém (104 viagens), teve actos de um conservadorismo inconcebível, dando poder à Opus Dei e a outras prelaturas marcadamente reaccionárias, mas ao mesmo tempo foi ecuménico e um defensor da paz (será engraçado rever a sua posição quando da primeira guerra do Iraque).
Era um amante de teatro, de música popular e de literatura, tendo tido um papel muito activo na resistência aos nazis. Guarda-redes da equipa do Wadowice e praticante de halterofilismo, a forte compleição física terá evitado a sua morte, quando do atentado no Vaticano por Ali Ağca.
Após João Paulo I, acerca de quem fiz uma Entrada há dias, o papado do seu sucessor tinha de ser controverso. Pessoalmente, acho uma personagem intrigante, e o meu sentir, em relação a ele, oscila muito. Se a história dos segredos de Fátima me causam náusea, por outro, a atitude corajosa em nome da paz são de admirar. Mas depois abençoa a construção de uma réplica da Basílica de São Pedro no coração de África, a mesma África em que apregoa o "pecado" que é o uso do preservativo, em plena epidemia de HIV, ao mesmo tempo que consegue contribuir, fortemente, para o derrube da ditadura soviética, apesar de revelar alguma amizade por Fidel Castro. Provavelmente, é o testemunho de que ninguém é isento de críticas ou de elogios.
No cômputo geral, e é minha estrita opinião pessoal, acho que poderia ter sido bastante melhor. Mas o que é que se deseja de um papa? Se é um chefe de uma Igreja, é uma coisa, se é um Chefe de Estado, é outra, se é uma figura influente na ordem internacional, será uma terceira. E por vezes há conflitos de interesses...