sábado, 28 de junho de 2008

ainda a amy

Se esta senhora morrer prematuramente, com grande sofrimento e debilidade, como parece altamente provável, e se essa morte prematura se dever a factores, consumos e comportamentos que não foram da sua opção inteiramente livre, mas sim induzida e forçada por aqueles que financeiramente enriquecem à custa dela, que os adoradores da sua música não venham carpir lágrimas de crocodilo, chorar sobre a campa, ou dizer "coitadinha, era tão nova!".

Pessoalmente não gosto da música de Amy Winehouse e esta minha ideia vem antes de saber alguma coisa sobre a vida pessoal dela - não se trata pois de moralismo -, mas mesmo que fosse um fã, preferia que ela se tratasse e curasse, mesmo que não conseguisse nunca mais produzir uma música.

Os que pensam de outra forma, têm todo o direito a isso. E a comprar discos. E a achar muito interessante a performance dela em concertos. E a achar que dá pica vê-la drogada e alcoolizada. Mas não venham é depois chorar sobre o cadáver, como virgens impolutas.

3 comentários:

miguel disse...

Mário: detesto discutir opções estéticas e gostos e essas coisas. Se bem que, em relação aos meus filhos, a história muda de figura. (TVI e outras trampas obligent)

Em todo o caso, pede ao Manel o DVD da actuação da rapariga num teatro inglês. É notavel do ponto de espectáculo propriamente dito, poemas, composição...tudo. É mesmo.A música dela ( e ela propria ) é muito do tipo: "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Guarda 60 minutos para veres o DVD, com disponibilidade pessoal, e pondo de lado as bebedeiras da rapariga. Vais ver que não te arrependes.

abraço

Mário disse...

Miguel, olá
Não entro em discussões estéticas - deus me livre! Só discuto ideologias ou factos científicos. Gostar ou não da Amy, dos Beatle, do Leonard Cohen, de Mozart ou da Ana Moura são coisas indiscutíveis (no sentido de "não possíveis de discutir").
Quanto à Amy, como contei na outra entrada, nem sabia quem ela era - ou antes, sabia que era dona de um pub que tinha ardido e que ganhara 5 emmys nesse dia em que tomei conhecimento que ela existia. E ouvi a música dela antes de sequer ver a cara dela.
O que refiro aqui é outra coisa, que nada tem a ver com a eventual qualidade da música ou do prazer que dá ouvi-la.
Como, aliás, entenderás.
Sou a favor de tudo o que enter nas opções individuais livres, e que não afectem terceiros - prostituição, consumo de drogas legais e ilegais, etc - mas sou absolutamente contra a exploração das pessoas e os comportamentos obrigados por outrém - como continuo a achar que é o caso da Amy. Mas pode ser que me demonstrem o contrário, o que até agora ninguém me fez.

AP disse...

Pesquisando sobre a Orquestra Círculo de Música de Câmara de Lisboa, encontrei neste seu blogue uma informação sobre um concerto pelo Natal. Como me pareceu que foi do seu agrado, aproveito para lhe dizer que esta orquestra tocará amanhã no Museu Nacional de Arqueologia, pelas 16H. Contará com a participação dos solistas Carolina Patrício (flauta transversal) e João Barroso (Oboé). Espero que não leve a mal esta minha intromissão :)