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domingo, 17 de fevereiro de 2008

mais um para o arquivo morto...

Abusos sexuais na Casa do Gaiato sem provas.
Fraqueza de indícios arquiva processo que envolvia instituição de menores em Penafiel. Relatório da Segurança Social lançava vários alertas e aludia à existência de algumas vítimas.
- Jornal de Notícias

Porque será que só se apanham alguns abusadores esporádicos, e nunca os que se escondem em organizações e instituições.

O papel da Igreja Católica, nas instituições que lhe dizem respeito, tem sido, quanto a mim, muito negativo, colocando entraves, não denunciando, fechando os olhos.

"Deixai vir a mim as criancinhas!" - disse Cristo. Mas creio que o sentido da frase não era aquele que, ao que se sabe, muitos funcionários ligados à Igreja dão...

"E as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor, porque padecem assim?" - pois é, Augusto Gil. É uma pergunta sem resposta. Ou com resposta mais do que evidente.

Imagem: Google

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

bibi


Os media têm falado, novamente, do "Escândalo Casa Pia",agora travestido de "parte 2", como se fosse uma sequela do "Padrinho" ou do "Rambo".

Vale a pena relembrar um facto: a origem do nome "Bibi". Bibi era um rapaz abandonado que foi acolhido na Casa Pia. Tinha cerca de dois ou três anos. E pela primeira vez teve um bibe - andava então pela instituição a mostrar o seu novo estatuto, apontando para o bibe e dizendo a todos: "Bibi, bibi".

Não tem este episódio nada a ver com culpas, responsabilidades ou crimes. Mas é um facto. Como tal, incontornável... e que de alguma forma suscita sentimentos de tristeza.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

reflexão para fim de semana

O Ministro da Justiça declarou que "condenados por abuso sexual de menores" serão impedidos de trabalhar com crianças, impedimento esse que "constará no seu registo criminal".

O JN anuncia: "Pedófilos proibidos de trabalhar com crianças".



Fica duas questões para reflexão: a pedofilia deve ser crime? esta medida é fundamental, necessária ou justa?

Fotografia: MC - Vicente Photografo, Funchal

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

símbolos

Há quatro anos, no Blógica da Batata, Blogue meu e do meu filho Pedro, escrevíamos:

Catarina
O que se passou algures, num pequeno país chamado Portugal, em que a Catarina, de 3 anos, foi selvaticamente espancada, queimada com cigarros e batida, até morrer nos braços da polícia, mostra como algumas pessoas – políticos, profissionais de saúde, jornalistas, etc -, deveriam ter mais respeito quando perdem tanto tempo a falar de porcarias. Os abusos são, em 95% dos casos, cometidos em casa. As crianças abusadas sofrem perigo de morte, se não houver intervenção. Os abusadores têm que ser afastados e tratados antes de voltar a ter contacto com as crianças. Fartamo-nos de dizer isto, desde há mais de vinte anos.

A Catarina não era uma “presa pseudo-política”. Era uma criança de 3 anos, morta depois de barbaramente torturada, repetida e sadicamente, como o fazia a PIDE, a Stasi, os esbirros de Saddam, da Indonésia ou de Sharom. Soube disso aqui em Praga, pela net. E por uma jornalista do DN, extremamente comovida, que me telefonou. Assim como foram todos a correr para Castelo de Paiva, bem faziam em reservar um minuto de silêncio na AR. Para que não continuem a interessar-se só pelo que lhes interessa, em termos pessoais, de lobbies e de interesses de grupo. Ai, que vontade de dizer “porra!”.



Hoje, a palavra Catarina é para mim reconfortante, apaziguadora, estruturante.
Como símbolos idênticos podem ter significados tão diferentes. Inquieta-me a morte de Catarina. Tranquiliza-me a vida de Catarina.

Fotografia: MC, Imagem: Google