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sábado, 26 de janeiro de 2008

pausa em Mozart

Destino
Clandestino
Sorte
Sedutora
Morte
Necessária
Sumária
E redentora.

Mas para quê?

Penitência em terra
Para alcançar o céu?
Onde? No inferno?
Num inferno que é só meu
(ninguém o entenderia)

Daí ser breve o eterno,
Eterna a guerra
E tu partires


Rompe o sol e nasce o dia...

Ah. E a Maria João Pires,
A tocar de Mozart, a Fantasia…

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

à atenção do TLEBS, acordos ortográficos, etc


De aorcdo com um etsduo de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra a odrem das Lteras de uma plravaa, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmeas.

Itso acnotecce poqrue não lmeos cdaa ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo
.

A questão é se para percebermos isto teremos primeiro que fazer toda a via sacra da aprendizagem do b-a-bá e da ortografia correcta!!!

sábado, 5 de janeiro de 2008

um monstro marinho

No Funchal estava atracado o MSC Musica, sobre o qual não resisto a escrever.
Devo confessar que sempre me fez alguma confusão o facto de um pequeno seixo mergulhar nas águas e um matacão deste tamanho continuar à superfície.

Pois eu sei, Arquimedes, eureka e impulsão, bla-bla-bla, mas continuo sem perceber.

Não sendo um fã de cruzeiros - qualquer vontade de zarpar desaparece ao pensar nos "animadores" que percorrem os decks com o desejo sádico de importunar quem quer exactamente gozar as delícias do cruzeiro -, admito que pode ser uma experiência engraçada, mesmo que a demora nos portos seja sempre, quanto a mim, insuficiente para conhecer o que quer que seja dos locais (mas não é esse se calhar o objectivo essencial dos cruzeiros).


Este "monstro" tem 294 metros de comprimento e 32 de largura! Pesa 92 mil toneladas e alberga 3.100 hóspedes (ai, se a Al Qaeda sabe!) mais quase mil tripulantes.

Além dos vários milhares de quartos, tem minigolf, "n" spas, piscinas, internet, restaurantes de todos os tipos, discotecas, casinos e lojas, tem uma sala de teatro.

Talvez todo este glamour se deva ao facto de a madrinha ter sido Sofia Loren, e o nascimento do navio ter tido lugar em Veneza. Mais precisamente no dia 29 de Junho de 2006.

As duas primeiras fotografias são minhas, as outras "roubadas" ao site da Companhia, porque não pus o pé a bordo, nem para ver o fogo de artifício!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

há 100 anos...

Apesar das constantes descobertas da neurociência, durante muitas décadas pensou-se que só utilizávamos 10% da nossa capacidade cerebral. Aliás, os “10%” foram um pouco inventados, para expressar, no fundo, a ideia de que dávamos uso a muito pouco do cérebro, e que muito mais haveria de se descobrir, para além das capacidade humanas que se esperava virem-se a revelar.

Foi exactamente há 100 anos que esta ideia teve lugar. Actualmente, sabe-se que se usam múltiplas partes do cérebro, com funções melhor ou pior conhecidas, mas que não se trata propriamente de usar uma parte e a outra (neste caso a esmagadora maioria) estar “em silêncio”, inactiva.

Que realmente o cérebro tem uma plasticidade até agora pouco compreendida, é verdade, o que permite fazer uso de “planos B e C” quando de lesões que alterem alguns neurónios ou vias neuronais. Daí a importância da rehabilitação e da estimulação precoces.
Por outro lado, os estudos com ressonância magnética funcional permitiram ver que, para uma dada tarefa, se “acendem” partes do cérebro muito distantes e que não fazem parte do que se supunha ser um grupo funcional único.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

os primeiros passos

Sempre gostei particularmente deste quadro de Van Gogh, intitulado "Os primeiros passos".

Apesar de só em meados do século XX se terem compreendido as relações da criança com o pai e a mãe, e mais recentemente o papel na ousadia e na regressão que ambos representam, Van Gogh expressa neste quadro todo o conhecimento empírico do que a Ciência se encarregaria de demonstrar, muitas décadas depois: a criança, no final do primeiro ano de vida, passa do "pólo mãe" para o "pólo pai". Com a alegria e atitude receptiva do segundo (reparem no pormenor do pai se colocar de cócoras, à altura dos olhos da criança), com a mágoa e o sentimento de perda da primeira (tão bem simbolizado no gesto fatalista de a largar). E com o entusiasmo da própria criança, que estende os braços à autonomia e ao risco, estruturada que já está na segurança.

É um quadro admirável, que explica numa imagem o que vemos e passamos no dia a dia. As tristezas, os lutos, a sensação de "pré-reforma" das mães. O re-encontro, a felicidade, o entusiasmo dos pais.

"Corre!". "Cuidado!" - quem diz o quê? Mais importante é que ela aprende a "correr com cuidado". Van Gogh sabia...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Wishful thinking?


Sem comentários. Cedido pelo Manel Teixeira e pelo Miguel Leal

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Sabe bem ir a pé para a escola ou para o trabalho, nestes dias frios mas cheios de sol, na conversa e descobrindo o que a cidade, todos os dias, traz de surpresa para nós

E, de repente, pensar que apetecia oferecer uma flor à educadora...
A Dona Edite está sempre lá, no seu poiso, rodeada de flores coloridas, e irradiando simpatia.
Problema resolvido.

E foi ela quem nos ensinou que as flores se transportam segurando pelo caule, viradas para baixo, para se manterem mais viçosas (aqui ficou para cima, só para a fotografia...)

domingo, 16 de dezembro de 2007

ainda as árvores de Belém

E ei-las que se abrem para mostrar, qual diafragma de máquina fotográfica, alguns jardins secretos e intimidades.

É a floresta dos faunos ou o bosque dos duendes - apenas, e tão só, Belém, à beira rio plantado. Com infinitos elementos de pesquisa e de gozo. Para quem os queira ver, claro!

sábado, 15 de dezembro de 2007

lanche de Natal do Eduardo

Hoje vamos ter um lanche de Natal cá em casa, com mais de uma dezena de meninos entre 4 e 5 anos.

A vida não se faz sem coragem! E o Eduardo é que teve a ideia e lutou por ela, dando uma enorme ajuda em tudo.

Os filhos são a melhor coisa que há, e às vezes tenho vontade de o repetir ad nauseum.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

se o ridículo matasse

Foi revolucionária, antifascista, membro da ala mais radical das Brigadas Revolucionárias.
A dada altura, depois de passar pela prisão por indiciada em envolvimento no caso das FP25 (terroristas que cometeram crimes de sangue programados e executados a frio), foi absolvida, recuperou a liberdade e passou a exercer endocrinologia no Hospital de Santa Maria.
Resolveu escrever livros. Dedicados principalmente à nutrição e à obesidade, tendo desenvolvido a teoria de que as Barbies, enquanto mulheres fisicamente "impossíveis" (são bonecas, senhora doutora, apenas bonecas...) eram as causadoras de inúmeros casos de anorexia nervosa (o que é capaz de ser um erro científico crasso).

Mas o que é verdadeiramente "revolucionário e de esquerda" nos seus livros, é a forma como Isabel do Carmo assina: Vejam bem: Profª Isabel do Carmo. Já conheciam Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Miguel Sousa Tavares ou Miguel Cervantes. Unamuno ou Pearl Buck. Gabriel Garcia Marquéz ou António Lobo Antunes. Mas Profª?

Pensava que só os generais e os padres podiam colocar os seus títulos antes do nome, nos livros. Se assim é, abre-se a excepção à Srª Profª. É caso para dizer: se a má alimentação engorda, o ridículo pode matar.

Ai tão revolucionários que nós somos, ou recuperando uma velha frase salarazenga: "você sabe com quem está a falar?"... com uma Profª, claro. Portanto, juizinho!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

a palavra ao Teixeira - 1

Nota prévia
O Manuel Teixeira é um Amigo de longa data. Colaborou activa e intensamente, como autor e como comentador, nos Blogues Arre-Burro e Baleal, O Blog, dos quais tive o prazer e a honra de ser Blogmaster.

A sua rubrica, Estímulo-Reacção, era polémica, odiada ou amada, mas não deixava ninguém indiferente.

Há um "espaço azul" para o Manel. Ei-lo!


Vai mas é trabalhar!
Interessante isto do conceito que temos do que é o 'trabalho'!
No Oriente, por exemplo, onde se vêem pessoas de idade muitíssimo avançada ainda a trabalhar, foi-me por várias vezes dito, in loco, que o trabalho é uma das mais nobres funções do homem, e como tal trabalha-se até se poder. Aí nada substitui o orgulho pessoal que se sente em trabalhar, sendo este um conceito bem diferente daquele que na generalidade temos no mundo ocidental.

E nunca me esqueço de duas frases que por várias vezes ouvi cá na nossa terra: 'só trabalha quem não sabe fazer nada de melhor' e 'já que temos que trabalhar, ao menos que seja naquilo que se gosta'

Mas afinal o que é o trabalho?
E trabalha-se porquê?
Por gosto?
Por necessidade?
E porquê, quando sempre se trabalhou e se deixa de trabalhar, tantos entram em depressão e se sentem inúteis?

E se não tivessemos, de todo, necessidade de trabalhar, será que mesmo assim o faríamos? Trabalha-se para viver ou vive-se para trabalhar?
E será que a qualidade do trabalho tem a ver com o valor da remuneração obtida?
E vice-versa?
Estas são algumas das infinitas perguntas conotadas com o tema e passivas de alguma reacção.
Mesmo que vos dê algum trabalho...

E agora, Ciao, que tenho que não ir trabalhar.

sábado, 1 de dezembro de 2007

josé


Sempre me intrigou a pessoa de São José. O seu aparente sacrifício, a menorização da condição de homem, a mistura de abnegação e de ingenuidade, fragilidade ou até "parvoíce" do seu papel na História.
Este vídeo, de uma música fabulosa que "explica" os sentimentos de José, é muito bom. Vale a pena ouvir e ver, e ouvir e ver, e ouvir e ver... vezes sem conta.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

comparações contradições


A comparação entre estes dois moínhos, choca-me. Ñão digo que os eólicos geradores de electricidade não sejam necessários, pese embora um amigo meu, que trabalha no ramo e que sabe muito do assunto, me ter confidenciado que nunca chegarão para a cova de um dente, em termos de necessidades nacionais e de eficiência.

Mas passando sobre isso, faz-me impressão, ao viajar por exemplo na A8, a substituição na paisagem de moínhos antigos, eólicos geradores de grão, para os geradores de electricidade. São passarões feios, agressivos, sem nada de romântico (alguém se imagina a fazer amor lá em cima?), e que ocupam o espaço rural como símbolo da "evolução tecnológica". Os outros, os que o grande Vitorino Nemésio apadrinhava através da sua Associação pela Defesa dos Moínhos, são generosos, bonitos, acolhedores. Como na canção, "seus beijos sabem a pão, não tenho de comer mais nada".

O que virá a seguir? Se puderem visitem o complexo de moínhos da Pinhoa, perto da Lourinhã. Ou quaisquer outros. Nem que seja os do Alto da Ajuda, que estão agora a ser recuperados. Antes que o grande pássaro das três asas, com cabine de viajantes do espaço, tome conta da nossa paisagem... e da memória colectiva...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

continuando o jogo


página 161
frase nº 5

Dr. House: Ei, rapaz. Sabes o que são hemorróidas?

(Ref: Dr. House - Guia para a vida, de Toni de la Torre. Casa das Letras, 1º ed - outubro 2007)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

concertos de Natal, em Lisboa


Chega o Natal e chegam também os concertos nas igrejas. Um bom programa, especialmente na Igreja de São Roque, incluindo o Requiem Alemão de Brahms, o Gloria de Vivaldi e a Missa da Coroação de Mozart.
E com o nariz posto no incenso, a noite fria e as vozes afinadas e melodiosas.

Já começa a cheirar a Natal!

domingo, 18 de novembro de 2007

sinais dos tempos


O Público noticia, hoje: "Cremações disparam com novas atitudes perante a morte, tendo quadruplicado no espaço de dez anos. No ano passado, essa taxa foi já de 40 por cento - ocorre em quatro de cada 10 funerais ocorridos em Lisboa".

Mas a propósito desta notícia, para além das luso-nacionais curiosidades como o Tribunal "da Boa-Hora" e o Cemitério "dos Prazeres", sabem que o vereador que inaugurou o Crematório de Lisboa, em 1911, se chamava Alfredo... Guisado?

A vida é feita de incongruências e sinais, mesmo que ocasionais, da ambivalência da condição humana...

Imagem: Pirâmide de Fogo - de Aldina Duarte (fadista)

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

o que é bom não dura para sempre...


Formado actualmente por Daniel Hope (violino), Antonio Meneses (violoncelo) e Menahem Pressler (piano), o Beaux-Arts Trio é um referência incontornável na música dita clássica.
Iniciado em 1955, apenas mantém o pianista original. Tem uma enorme discografia, vastamente premiada, com interpretações absolutamente divinais, designadamente de Schubert e Mozart.

Alguns sortudos puderam assistir ao último do Trio, em Lisboa.
Deixam uma lacuna insubstituível.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

l´amour sans age


O lituano Stanislovas Grigas, de 102 anos, casou-se com Brone Mikutiene, de 76, tornando-se no homem mais velho do seu país a casar-se. (Correio da Manhã)

Então
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.

Carlos Paião - Cinderela

Fotografia: Google

terça-feira, 6 de novembro de 2007

as Portas do Sol




Uma pequena delícia, este jardim "com vista para o Tejo".
Percorrem-se ruelas e, de repente, surge o arvoredo, o parque, a lezíria aos nossos pés.



As Portas do Sol são portas para o infinito, tão longe quanto o horizonte, tão alto como o Céu.

Quando passarem por Santarém, capital do Gótico, não percam este lugar, tão bonito quanto calmo, tão rico como simples, ao qual um dia criador de Outono deu o sublime toque da magia.

Fotografias: MC

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

variações


Se de Goldberg, apenas as de Gould
Porque as mais sinceras e singelas
O sofrimento divertindo-se com o ardor
Em cada nota a nossa vida sendo elas.


Um Collares, bem frio e seco como deve
A medida do que é nobre e do que é bom
Ao momento que é só sonho e que é só breve
Há que dar, de Bach e Gould, o semitom.





Fotos: Google