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quinta-feira, 20 de março de 2008

hoje é dia do Pai

Hoje é que é dia do Pai.

Ontem foi simbólico, folclórico, comercial ou para cumprir o calendário (não quer dizer que tenha sido mau, atenção!)

Mas hoje não! É mesmo o dia em que, passada a refrega, me sinto ainda e sempre Pai. É o dia em que tenho um enorme orgulho nos meus filhos. Em que sinto a honra e o privilégio de os ter. É o dia em que me recordo do meu Pai e de tudo o que me legou, dos genes aos ensinamentos, da presença à ausência.

Hoje e todos os dias que se seguem até 19 de Março de 2009 é que são os verdadeiros Dias do Pai. Que bom!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

antecipando...

Vêm aí uns dias de férias.

Com chuva? Quero lá saber.

Com frio? A lareira vai saber melhor.


Levo livros, discos e muita tranquilidade.

Espero uns dias criativos e sossegados. Mas vou blogando, enquanto tiver acesso à net...

Adoro Carnavais assim.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

o sol por um canudo

Tudo é tão relativo que às vezes pensamos dominar o mundo.

Fantasias, sonhos... dir-se-ia até, neste caso, a realidade!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

embalado numa barca velha...

Hoje aconteceu uma coisa tão boa que comemorei (comemorámos) com uma destas.

Sinto-me feliz!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

acordar...

Hoje acordei com uma vontade enorme de acordar em Paris, ou seja, de estar em Paris.
Não me perguntem porquê, porque eu próprio não tenho resposta. Não é para espiolhar o romance do greco-húngaro Sarkozy com a italiana Bruni, sob o olhar da moldavo-espanhola Cecília. Não.

Paris por Paris. Mesmo com o tempo chuvoso e cinzento, como o apanhei quando lá estive da última vez e que as fotografias atestam.
Para além de tornar a ver, in loco, o Sagrado Feminino e o Graal do Dan Brown (curiosamente li o livro, sem saber nada do que tratava, durante uma viagem a Paris, pelo que teve um significado muito especial, mesmo sem saber se o código do Da Vinci era esse ou não), para deambular pelos cais e pelos bouquinistes, para me sentar um pouco a ler no Vert Galant, onde os meus pais namoravam sempre que iam à Cidade-Luz. E terminar o dia com um jantarzinho na Ile de St Louis, depois de um concerto numa qualquer igreja (poderia ser a Sainte-Chapelle) e de visitas intensivas às livrarias do Quartier Latin.

Acordei com vontade de acordar em Paris. Há dias assim...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Há frases que nos marcam - 1

Há pessoas que marcam, há situações que marcam, e há também frases que marcam.

Não que sejam frases feitas ou lugares comuns, ou algumas que, até, à custa de serem repetidas passam por verdadeiras quando nunca foram ditas, como "Play it again, Sam", no filme Casablanca.

No entanto, tenho andado às voltas com uma frase de Rimbaud que creio que baliza o que damos e recebemos, o que exigem de nós e o que reservamos para nós próprios, o que sacrificamos em prol dos outros e o que desleixamos, por vezes, na maternage que não fazemos a nós mesmos.

Aqui fica a frase, que me marca: "Par délicatesse, J’ai perdu ma vie!.

Encontra-se no poema: Chanson de la Plus Haute Tour, de Arthur Rimbaud

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

céu - 1


O céu sempre me atraíu, mesmo que tenha vertigens se estiver numa varanda e olhar para cima (para baixo, não!)
O Céu também me intriga e causa sentimentos ambivalentes.

Mas o céu que nos cobre é fascinante. Sempre com algum espaço azul.

Aqui fica um pedacinho, para desfrutarem, "colhido" num fim de tarde de Agosto a anunciar tempestade, no Baleal.

domingo, 13 de janeiro de 2008

no te vayas!

Uma grande artista. Com garra. Com voz.
Recomenda-se.




Ahora que el mundo se acaba
que no queda más qué decir
me arrodillo ante tí
con tus lágrimas clavadas
y te pido por favor ¡No te vayas!
Ahora que no hay vuelta atrás
que ya no nos queda nada
y esto parece el fin
me arrodillo ante tí
suplicando una mirada
y te pido por favor ¡No te vayas!


Mas mesmo cantado estes versos desesperados, Luz Casal mantém uma fortíssima dignidade. Nada como Jacquel Brel em que implora ser "l´ombre de ton ombre, l´ombre de ta main, l´ombre de ton chien" (no "Ne me quites pas").

A dignidade é o nosso fim de linha. Sem ela (ou após ela) será o caos e a total desconstrução pessoal e afectiva.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

five o´clock tea

Pois é... quem me dera voltar a este chazinho, escolhido a dedo entre os melhores, com mini-sanduiches de ovo mexido ou agrião (daquele pequenino, a que os ingleses chamam Portuguese watercress), paté ou queijo ralado. Com bolo inglês cheio de passas. E mais chá. E ainda scones quentinhos com natas e doce de amora. E chá.
No Reid´s Palace Hotel. Na varanda sempre protegida das intempéries, com o seu chão em mosaicos de Arlequim.
O ambiente, dentro, é sumptuoso, mas mantendo a harmonia britânica, sem excesso de luxo ou novo-riquismo. Cosy...
É bom estar no Reid´s, mesmo que só para um chá.

Mesmo que a média de idades dos clientes deva rondar os 130 anos.

Mesmo que digam que há miséria em muito lado (e há, na própria Região).

Mas também merecemos estar por momentos alheado do resto, com um livro de poemas de Eugénio de Andrade, sem que a culpabilização judaico-cristã nos caia em cima.
E, quando anoitece, o Funchal ilumina-se aos nossos olhos.

A vida pode ser tranquila e feliz. Ou, melhor, a vida pode ter momentos tranquilos e felizes. Aproveitemo-los.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

há pessoas que nos marcam - 2

Nesta rubrica, sem obedecer a qualquer ordem de prioridade ou valor, gostava de relembrar o Professor Nuno Torrado da Silva, que faleceu há dez anos.

Foi pediatra - um grande professor e um grande clínico -, mas além disso, um humanista, combatente político, livre pensador. E um homem culto e bom. Humilde e sério, Rigoroso e exemplar.

Conheci-o melhor quando me convidou para trabalhar na Comissão de Saúde da Criança e do Adolescente, em 1992. Redigi com ele, horas e horas a fio, ao longo de noites sem dormir, o coloquialmente chamado "Relatório Torrado", que definiu os princípios conceptuais e estratégicos da saúde dos grupos etários pediátricos. Algumas conclusões foram implementadas, outras nem tanto, e ainda outras jazem na gaveta do ministro ou dos presidentes das administrações de saúde.

Mas o que quero relembrar do Professor Torrado, para além dos almoços nos cafés ou na Pizza-Hut da Álvares Cabral, onde funcionava a Comissão, são as conversas sobre a vida, sobre o sofrimento, a morte, a música (era um melómano e um grande conhecedor),a poesia, a política, a saúde e a doença, deus ou a sua inexistência, e tantas e tantas outras coisas.

Um dia tive o privilégio de ouvir uma conferência que fez sobre a representação da criança na arte e na pintura mundial - ele próprio era (muito bom) pintor, nos fins de semana (afinal tão escassos) da casa rural que tinha recuperado perto de Mafra.

Foi um pai, para mim. Um mestre.

Que nunca hesitou em partilhar o que sabia e o que sentia. Sem verdades absolutas, mas com um enorme rigor e sinceridade.

"O século XX é o século da criança" - afirmava. Antevia dificuldades mas também muitos sucessos para as crianças do século XXI. Morreu antes de o ver, prematuramente.

Marcou-me. Muito. Mas ainda mais a saúde das crianças portuguesas. Bem haja, meu Querido Amigo!

domingo, 30 de dezembro de 2007

há pessoas que nos marcam - 1

Como bola colorida, entre as mãos de uma criança.

Lembrei-me agora de Romulo de Carvalho, meu professor de Físico-Químicas, com quem tive uma relação muito particular. Como mestre e como poeta. Devo-lhe muito.

Não me esquecerei da sua primeira aula, estando nós, alunos, sentados num daqueles anfiteatros quase verticais, e em que, em silêncio, o professor Rómulo de Carvalho começou a misturar líquidos de frascos e provetas diferentes, transformando a soma de transparente e transparente em encarnado, depois azul, depois verde, a páginas tantas libertando vapores e fumos, até, num toque último de alquimista, devolver à mistura a sua transparência original. Foi nessa altura que falou, e disse: "meus senhores, isto é a Química".

Um dia, o António Rebelo de Sousa emprestou-me um livro de um tal "António Gedeão". Estava a lê-lo no recreio (devia ter aí uns 13 anos) quando o professor Rómulo me interpelou: "estás a ler isso? O que achas, Cordeirito?". "Estou a adorar, professor!". "Hum!". E nada mais disse, designadamente que era ele, Rómulo, o António Gedeão da poesia. Soube-o mais tarde, por outras vias.

Também tive um conflito com ele (apenas nos jornais, ele nunca soube) sobre o seu "poema anti-Anne Frank" - abordarei esse assunto aqui, um dia.

Mas hoje apeteceu-me falar dele. Porque estava a escrever poesia e lembrei-me do meu Mestre. "O mundo pula e avança" - e apesar de Gedeão se afirmar como céptico, descrente do Homem e da Humanidade, e se afirmar quase como cínico, creio intimamente que não o era, muito pelo contrário...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

et in terra pax hominibus

É o que vos desejo, neste re-início de semana, quase fim outra vez. Com frio mas sem ameaça de chuva.
Paz. Interior, sobretudo. Mas também, exterior.
Vivaldi resume bem este sentir, numa parte especialmente fascinante do seu Gloria. Glória aos humanos e à sua força de viver.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Um pensamento especial para os meus Pais, que viviam o Natal com muita intensidade.

Era diferente, nem podia ser de outro modo. Mas é sobre essas memórias que construo o presente Natal - e fico feliz por isso.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

presente de Natal


Já que não te posso dar
O barulho do mar
Por que é imenso
E forte
E retumbante

Já que não te posso ofertar
O sentido do ar
Porque é intenso
É norte
E caminhante

Já que não te posso enviar
A luz do luar
Porque é incenso
É morte
E sufocante

Aqui vai o que restou
Na espuma dos dias
O mar que ficou
Depois da ventania
Eu próprio guardado
Num truque de magia
E para sempre selado
Na maresia.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

tão perto e tão distante

Esta imagem de Marte, obtida a partir do telescópio Hubble, é de uma beleza impressionante. Mas ao mesmo tempo deixa uma certa angústia, ao pensar neste (e em tantos) astros que vagueiam no espaço sideral, perdidos ou encontrados, sós ou acompanhados.

Tanto a descobrir, a conhecer, a saber. Será que um dia, como no 2001 de Kubrick, teremos acesso ao Conhecimento?

Por ora ficam estas belas mas perturbadoras imagens do Planeta Vermelho.

Et in terra pax hominibus!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

a minha praceta - 2


Hoje a minha praceta acordou triste. Limpa, mas triste.

Acho que não ouvi as toutinegras nem os pardais. Ou eles não cantaram. Não sei.

Só sei que a minha praceta acordou hoje triste.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

as árvores da João XXI

Foi ontem, na Avenida João XXI em Lisboa, que tive a oportunidade de ver um alinhamento de árvores que, nesta altura do ano, parecem pintadas a ouro.

Li uma vez algures (mas não consegui recuperar a fonte) que eram árvores especiais, muito raras. Se o são ou não, não sei. Mas que cada uma constitui uma obra de arte, disso tenho a certeza.

Vale a pena passar por lá (a pé) e contemplar. Antes que venha a chuva e tudo arraste... até ao ano que vem.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

era bom...

As árvores, em Belém, convidam-nos a entrar na dança... ou no espreguiçamento.
A manhã está de sol, mas o pior é ter que ir trabalhar... fica o sonho!

elas estão aí!

Chega a época das festas de Natal das escolas.

É um momento alto na vida dos jardins de infância, com pequenos teatros alusivos à quadra natalícia, um lanche para os pais e a demonstração de que houve muito trabalhinho prévio...

Vale a pena ver os pormenores dos fatos e das falas, e a simplicidade das histórias. O objectivo é apenas um: providenciar um espaço em que as educadoras mostram que fazem muito, as crianças exibem-se no seu espaço e os pais babam-se e atropelam-se na ânsia de conseguir um bom cliché, mesmo quando as crianças abandonam o palco, numa de pós-modernismo, e lançam-se nos braços dos progenitores a verter lágrimas.

O teatro é uma das artes mais humanas e mais festivas, possibilitando um enorme leque de actividades paralelas à peça propriamente dita, desde a concepção da história à coreografia, passando pelos cenário e guarda-roupa e, claro, no final o lanche para os pais.

Não sei se era assim que se fazia quando éramos pequenos. Sei que é bom ser assim quando somos os pais dos pequenos

Feliz Natal!


Fotografias: Festa de Natal do Colégio Santa Maria do Mar 2006

domingo, 9 de dezembro de 2007

um cabritinho no abano


E já que estamos em matéria de coisas bonitas e agradáveis, que melhor prova de amor do que levar alguém a comer um cabritinho assado no restaurante da praia do Abano, tendo a Serra de Sintra e o mar como testemunhas? Pois tive essa sorte. Calmo, tranquilo, excelente.

Coisas simples mas tão enormes!