quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

five o´clock tea

Pois é... quem me dera voltar a este chazinho, escolhido a dedo entre os melhores, com mini-sanduiches de ovo mexido ou agrião (daquele pequenino, a que os ingleses chamam Portuguese watercress), paté ou queijo ralado. Com bolo inglês cheio de passas. E mais chá. E ainda scones quentinhos com natas e doce de amora. E chá.
No Reid´s Palace Hotel. Na varanda sempre protegida das intempéries, com o seu chão em mosaicos de Arlequim.
O ambiente, dentro, é sumptuoso, mas mantendo a harmonia britânica, sem excesso de luxo ou novo-riquismo. Cosy...
É bom estar no Reid´s, mesmo que só para um chá.

Mesmo que a média de idades dos clientes deva rondar os 130 anos.

Mesmo que digam que há miséria em muito lado (e há, na própria Região).

Mas também merecemos estar por momentos alheado do resto, com um livro de poemas de Eugénio de Andrade, sem que a culpabilização judaico-cristã nos caia em cima.
E, quando anoitece, o Funchal ilumina-se aos nossos olhos.

A vida pode ser tranquila e feliz. Ou, melhor, a vida pode ter momentos tranquilos e felizes. Aproveitemo-los.

9 comentários:

Cláudia disse...

Já que fala em salas de chá, eu estou para ir a uma já a algum tempo. Esta fica mais perto e é no largo da academia das Belas Artes (chiado). Chama-se Tágide e eu já ouvi dizer que o chocolate quente e os scones são óptimos e a vista é fenomenal. Único problema está fechado ao Domingo, pois é... foi quando eu tentei lá ir.

Anónimo disse...

Não se pode dizer que tudo isto faça parte das "coisas simples da vida", mas que dá um certo gozo, isso dá.
Tenho que fazer um "Funchal Revisited", já que quando estive lá tinha 18 inocentes anos, e muito do que tem falado passou-me completamente ao lado!
leonor

manuel teixeira disse...

Infelizmente não conheço o famoso Reid's, mas tem mesmo carinha de fazer o meu estilo...

Quanto às sandwiches, e se o rigor da tradição é mantido, não serão de 'mustard cress' em vez de 'agrião pequenino' ? E o ovo não será 'cozido' e cortado em fatias em vez de 'mexido' ?

Independentemente do recheio (que também pode ser pepino, sem casca, cortado em rodelas finas) deverão ser em pão de forma sem crosta, com manteiga, e depois cortadas em pequenas formas triangulares isóscelas de 5 a 6 cm de hipotnusa.
Tudo conforme também fazem no Savoy (agora em obras) e no Dorchester, duas das grandes catedrais da Hotelaria Britânica...

O chá é preto, indiano, sem dúvida, (loose leafs NO tea bags) com uma núvem de leite. No sugar.

Ai que saudades...

Wish I was there Mimster, wish I was there.......

Huckleberry Friend disse...

Saudades de lanchar na varanda do Reid's ou de vê-la das antigas piscinas do Savoy, cujo belo (conquanto obsoleto) balneário quasi-veneziano foi esmagado por um gigantesco aparthotel. Saudades dos pequenos-almoços no sétimo andar desse mesmo Savoy (que vai ser dele?), onde hoje funciona um centro de congressos, tendo o matabicho passado para uma sala pirosa no rés-do-chão. Saudades da Madeira, sempre, do pavão que havia no jardim de Santa Catarina, das lapas do Jaqué, de ouvir Beatles e Leonard Cohen no meu walkman (!) enquanto subíamos até ao Faial para visitar as origens e isso durava horas. Se o frio apertava, parávamos no Poiso para uma poncha. Saudades das espetadas do Montanha, dos primos Perry Vidal, das cornucópias do Apolo, daquele larguinho todo em amarelo... quero voltar à Madeira, onde se confundem os verbos descobrir e redescobrir.

Mário disse...

Cláudia
Há o chamado "Chá da Lapa", na pequena rua onde eram os Stones, junto às Janelas Verdes. Está aberto ao domingo e é muito bom.

Manel
É mesmo agrião pequenino, e o ovo é mexido. O chá, esse é-nos apresentado de várias maneiras diferentes: CEilão, Darjeeling, Earl Grey, etc. Só falta o da Gorreana.
Mas a calma e a imensidão daqueles chás são enormes. Quando estive lá a fazer a tese, tirava uma tarde aqui e ali, levava um livro e estava a "dissecar" aquele chá durante horas, comendo muito mas flutuando ainda mais. A Inglaterra tem coisas únicas, e felizmente deixou um legado, mesmo que com tiques colonialistas.

Anónimo
Não são, realmente, coisas simples, mas são coisas boas e também não exageradamente sofisticadas. O ambiente do Reid´s pode sentir-se mesmo sem se dormir lá (isso já seria uma ousadia financeira...). è preciso é tempo, para deambular pelos corredores e salas, sentar debaixo de um magnífico quadro da Sé do Funchal, fechar os olhos e deixarmo-nos embalar. Tanta coisa boa que está ao nosso alcance...

Huck
Lembras-te da última vez que lá fomos os dois? Eu lembro-me. E acho que o Reid´s também, porque aquelas paredes são do género das que "guardam tudo na memória".

miguel disse...

Fónix:
estive duas vezes na Madeira. A primeira, era puto e fui em trabalho ou quase. Fui tocar violoncelo com a orquestra da FMAC e andámos pela ilha toda a tocar para o pessoal. A 2ª foi vindo de Porto Santo, há dois anos, depois de uma viagem de 5 dias de barco à Vela vindo de Sines. Cheguei a Porto Santo tão "derreado" que dormi o dia e noite com um intervalo para jantar. Na manhã seguinte, ala no 1º avião para o Funchal e daí para Lisboa. Resultado, nem sei o que é o Porto Santo (as coordenadas geográficas , sim -paralelo 33). Era para ter, nessa ocasião continuado para a Madeira de barco e depois Desertas e Madeira outra vez. Foi tal a neura e o cansaço de tanto mar,que não vi nem quis ver nada . E estão-me estes lords a falar do Reid's e de sandwichs em forma de triângulo isósceles. Irra!

miguel disse...

Mas, uma coisa é certa. Tenho aprendido imenso, aqui, sobre a Madeira.

Mário disse...

O que um marinheiro de verdade (e não de "água doce"...) deseja, nos Açores, é chegar ao Faial e saborear um gin no Peter´s. O que deseja, ao chegar ao Funchal, é ver o Reid´s - bom, não será tanto assim, mas vale a pena ir espreitar e saborear. Mas há muita outra coisa boa e, actualmente, existem muitas quintas (como a onde fiquei desta vez, a Quinta que tem curiosamente o nome "do Avista Navios") que fornecem serviços excelentes, em casas decoradas "à inglesa".

Sabes que o Reid, original, era um homem pobre que emigrou para a Madeira e que, a partir do aluguer de terra e da compra de quintinhas, depois de vários trabalhos, conseguiu com a mulher fundar o Hotel que vês, cujo negócio passou aos filhos? Mais tarde, porque estes não tinham conhecimentos de gestão hoteleira, tveram que vender a uma empresa.

miguel disse...

Bem, e há 1,5 ano não fui aos Açores de barco porque não quis... lembrei-me da chegada a Porto Santo. Ainda por cima, a estada talvez incluisse o Peter's( e bem que eu gostava de beber uma cervejinha no Peter´s ). Enfim, opta-se e depois há que assumir sem queixumes a escolha.