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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

five o´clock tea

Pois é... quem me dera voltar a este chazinho, escolhido a dedo entre os melhores, com mini-sanduiches de ovo mexido ou agrião (daquele pequenino, a que os ingleses chamam Portuguese watercress), paté ou queijo ralado. Com bolo inglês cheio de passas. E mais chá. E ainda scones quentinhos com natas e doce de amora. E chá.
No Reid´s Palace Hotel. Na varanda sempre protegida das intempéries, com o seu chão em mosaicos de Arlequim.
O ambiente, dentro, é sumptuoso, mas mantendo a harmonia britânica, sem excesso de luxo ou novo-riquismo. Cosy...
É bom estar no Reid´s, mesmo que só para um chá.

Mesmo que a média de idades dos clientes deva rondar os 130 anos.

Mesmo que digam que há miséria em muito lado (e há, na própria Região).

Mas também merecemos estar por momentos alheado do resto, com um livro de poemas de Eugénio de Andrade, sem que a culpabilização judaico-cristã nos caia em cima.
E, quando anoitece, o Funchal ilumina-se aos nossos olhos.

A vida pode ser tranquila e feliz. Ou, melhor, a vida pode ter momentos tranquilos e felizes. Aproveitemo-los.

sábado, 5 de janeiro de 2008

um monstro marinho

No Funchal estava atracado o MSC Musica, sobre o qual não resisto a escrever.
Devo confessar que sempre me fez alguma confusão o facto de um pequeno seixo mergulhar nas águas e um matacão deste tamanho continuar à superfície.

Pois eu sei, Arquimedes, eureka e impulsão, bla-bla-bla, mas continuo sem perceber.

Não sendo um fã de cruzeiros - qualquer vontade de zarpar desaparece ao pensar nos "animadores" que percorrem os decks com o desejo sádico de importunar quem quer exactamente gozar as delícias do cruzeiro -, admito que pode ser uma experiência engraçada, mesmo que a demora nos portos seja sempre, quanto a mim, insuficiente para conhecer o que quer que seja dos locais (mas não é esse se calhar o objectivo essencial dos cruzeiros).


Este "monstro" tem 294 metros de comprimento e 32 de largura! Pesa 92 mil toneladas e alberga 3.100 hóspedes (ai, se a Al Qaeda sabe!) mais quase mil tripulantes.

Além dos vários milhares de quartos, tem minigolf, "n" spas, piscinas, internet, restaurantes de todos os tipos, discotecas, casinos e lojas, tem uma sala de teatro.

Talvez todo este glamour se deva ao facto de a madrinha ter sido Sofia Loren, e o nascimento do navio ter tido lugar em Veneza. Mais precisamente no dia 29 de Junho de 2006.

As duas primeiras fotografias são minhas, as outras "roubadas" ao site da Companhia, porque não pus o pé a bordo, nem para ver o fogo de artifício!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

o Livro, no seu esplendor


Olha-se e não se acredita.
O fascínio é imenso. A cor inebria-nos. O aspecto é quase bizarro. E a vastidão, esmagadora.


Livros, livros e livros. Nas escadas, no tecto, nas paredes, nas estantes.

Falo-vos da Livraria Esperança, no Funchal, a maior livraria de Portugal e uma das maiores do Mundo.


Mas não é a dimensão que a distingue, mas sim dois conceitos que nunca vi em parte alguma: 1º: tem um exemplar de praticamente todas as obras publicadas em português, repondo imediatamente o título a não ser que esgotado na editora; 2º recusa-se a mostrar os livros pela lombada, mas sempre de frente. De capa. Porque se vê a cara de uma pessoa... pela face, e não pelo perfil - é uma homenagem ao Livro, mas também aos Autores, Capistas e Grafistas.


Fundada em 1886, por Jacintho Figueira de Sousa, tem passado de pais para filhos. Foi o primeiro estabelecimento comercial na Madeira a vender apenas livros. Actualmente, com perto de cem mil títulos disponíveis, a Livraria Esperança dá metade dos seus lucros às crianças da Região, na forma de livros, para incentivar o gosto e a prática da Leitura.



Se forem ao Funchal, não deixem de a visitar, na Rua dos Ferreiros 157, um pouco acima do Largo do Município. E de caminho podem provar um Madeira de qualquer tipo e qualquer ano, no armazém que fica à direita de quem sobe.

Haja (e sempre) Esperança!

Fotografias: MC, última: Livraria Esperança