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terça-feira, 11 de novembro de 2008

às 11 do 11 do 11

11 horas do dia 11 do mês 11. Há 90 anos.
Era assinado o Armistício de Compiègne, que determinou o final da I Grande Guerra, na frente ocidental.

O "Poppy Day", para os ingleses.

A paz era possível, mas voltar-se-ia ao "sangue, suor e lágrimas", escassos vinte anos depois. Que haja duas sem três!

domingo, 19 de outubro de 2008

"por quem os sinos dobram? Dobram por todos nós".

A propósito da Entrada de hoje de manhã, e dos comentários - espero que surjam mais -, aqui ficam duas sugestões: Hemingway e Hugh Thomas.

Um dia, no dia 28 de setembro de 1974, um pseudo-primo meu afirmou que o que Portugal precisava era de uma guerra civil que, de uma vez por todas, resolvesse a questão política subjacente.
A minha Mãe passou-se. E ele ouvi-as, das boas e das bonitas. Todas as guerras são horrendas, mas as guerras civis ainda conseguem ser piores, porque são fratricidas, e entre irmãos os sentimentos são sempre extremos, num ou no outro sentido.

Como escreveu Hemingway, "numa Guerra Civil, os sinos dobram por todos nós, nunca apenas por alguns".

terça-feira, 26 de agosto de 2008

a Guerra Fria aquece...

Nos próximos tempos vão trocar-se razões, insultos, precedentes kosovares, acusações de genocídio e tantas outras coisas mais, incluindo direitos das populações.

Uma coisa é certa: o presidente da Geórgia arriscou e perdeu, militarmente primeiro, agora politicamente. O Ocidente subestimou a Rússia, pensando que em dia de Olimpíadas, o urso estaria entretido com outras coisas mais interessantes do que vigiar o seu território de caça.

A russificação dos territórios anexados pela ex-URSS, iniciada por Estaline, vem ainda mais baralhar o "quem é quem" nestes países/nações/regiões.

O ódio intrínseco tribal, acicatado pelos dramas de guerras e guerrilhas mal conduzidas e inoportunas, faz o resto, como fazem as patéticas declarações de Bush, por ineficazes e inconsequentes. "Não admitimos o reconhecimento da Ossétia e da Abkhazia". E agora que elas foram reconhecidas pela Rússia como países independentes? Vai fazer como no Iraque?

Os ventos sopram fortes e gelados. A crise ainda não se refez e as coisas já estão a piorar. A Geórgia está manietada e cercada pela sua própria estratégia. E a UE, como sempre, envia enviados, passe o pleonasmo, dá bons conselhos mas não pode fazer muito mais do que isso.

E eu também não sei se gostava que o meu inimigo tradicional instalasse mísseis no meu antigo quintal... como não gostou Kennedy quando Kruschef, em 1962, quis instalá-los em Cuba. Lembram-se? Será que a América aceitará um embargo à Polónia ou à Eslováquia, como promove há quarenta anos o embargo a Cuba?

Veremos as cenas dos próximos capítulos, mas há um endurecimento que não prenuncia nada de bom. Veremos também quem reconhece quem, no jogo do Médio Oriente, do Irão e Iraque, do Paquistão e Afeganistão.

O medo volta a dar sinais...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

a 23 de Junho de 1940 foi despedido...


Bordéus. 1940. A Wehrmacht ocupa a França. Centenas de milhar de pessoas fogem do terror nazi. Pegam nas crianças e nos idosos, lançam mão de alguns dos seus haveres e metem-se à estrada. Os alemães perseguem-nos. O objectivo é exterminá-los - Hitler foi muito claro.

Os fugitivos procuram refúgio. A palavra passa: há um pequeno país de onde é possível partir para terras mais seguras, onde não se perseguem nem assassinam as pessoas só porque têm uma religião diferente, uma cor da pele diferente, opções politicas diferentes.

Para chegar a esse país, é necessário atravessar outro país, um pouco maior, dilacerado por uma Guerra Civil, e nas mãos de governantes que não escondem a sua simpatia pelo regime que vigora na Alemanha. E para atravessar a Espanha era necessário um visto português.

Em 1939, Salazar tinha dado ordens claras ao corpo consular: nada de vistos, eles que se amanhem. Houve contudo um Homem (entre outros, que felizmente a coragem e a rectidão não são tão raras como isso) que resolveu dizer "Não!". "Não!" às ordens injustas, "Não!" aos regulamentos iníquos, "Não!" às leis criminosas. "Recusar os vistos era superior às minhas forças!". Esse Homem foi Aristides de Sousa Mendes, consul de Portugal em Bordéus nos anos negros do nazismo.

A coragem deste Homem não se diz em 30.000 palavras nem se conta em 30.000 páginas. Trinta mil... foi o número de vistos que, em poucos dias, Aristides de Sousa Mendes passou, à revelia do ditador, mas em consonância com o que de mais nobre a condição humana tem. Aristides de Sousa Mendes salvou 30.000 pessoas da morte. E acabou julgado, condenado, demitido, reduzido à miséria, obrigado a pedir esmola para alimentar a família até morrer num hospital de Lisboa, em 1954.

"Quem salva um homem, salva a Humanidade inteira!" - pode ler-se na placa de homenagem, em Jerusalém.

É este o valor da solidariedade, da nobreza e da rectidão de carácter, face à iniquidade e ao desprezo pela condição humana. Neste dia, em que se celebraria o seu aniversário, lembremo-lo, para que a História, ou pelo menos a parte mais abjecta dela não se repita. Para que não esqueçamos o valor de um Homem e, em consequência, o valor da Humanidade inteira.