segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

homem morde cão é notícia?

Um aluno, com 10 anos, do 5º ano de uma escola em Faro agrediu hoje à dentada uma professora, um caso que envolveu a polícia e do qual a docente pretende apresentar queixa nos próximos dias.

JN on-line


"Pensava que era a Senhora Ministra", respondeu o rapaz. "E como sou alérgico a ovos, não posso agarrar num e atirar-lhe. Desculpe s´tora. Não fique chateada, porque se não tenho que mandar cá aqueles cómicos com as armas de plástico, agora que vem aí o Carnaval... carregadas com ácido sulfúrico..."

14 comentários:

Virginia disse...

Fico pasmada com notícias destas. Não consigo perceber como é que os alunos se chegam assim ao pé dos profs e eles deixam. É tudo muito nebuloso e não sei onde vai parar. Nunca tive nenhum aluno que se atrevesse a qq coisa do género, embora às vezes me chamassem nomes pelas costas, o que eu ignorava pura e simplesmente.
Se esse aluno for transferido, o castigo é mínimo, continuará a fazer o mesmo noutro lado...era preciso um serviço cívico continuado para que esses energúmenos aprendessem a ser gente...mas continuaremos com paninhos quentes, os delinquentes têm de ser castigados e a sua conduta analisada sociologicamente.

joaopedrosantos disse...

Pois, a Virgínia tocou aqui num ponto sensível. "... e eles deixam.". Acho que o problema é mesmo esse. Qual é a imagem que a professora deixou passar de si mesma para que isto sequer pudesse passar na cabeça daquele aluno?
Não quero passar por pessimista (embora não goste de enganar os outros) mas isto está a começar a correr mal dos dois lados. Os alunos já não têm respeito por ninguém porque são educados pela TV e pelas más companhias e os professores deixaram de ser uma entidade merecedora de reverência. O respeito surge por si só quando o ambiente é propício e o professor assume a posição de mestre e detentor do poder supremo: o conhecimento. Quando certas fronteiras e certos limites se atenuam, acontecem estes "acidentes".

Ana Paula Branco disse...

João Pedro,
Lamento discordar, mas, não é SÓ o Professor que tem de se fazer respeitar, são os PAIS/FAMÍLIA que têm de ensinar aos Filhos/Educandos que TÊM de respeitar os Professores, Empregados, Motoristas, ou seja, os OUTROS!!!
Se um Professor repreende um aluno e os Pais forem à escola pedir-lhe satisfações ou ameaçá-lo, o que é que ele (Professor)faz?
A Educação começa em casa e Ensinar aos nossos Filhos a Respeitar os Outros, é algo que está quase obsoleto.
Lembro-me que SEMPRE me disseram que tinha de ser educada e respeitar TODOS, independentemente da posição ou categoria social que tivesse, transmiti isso aos meus filhos e eles sabiam que eu, quando ía à Escola, a primeira coisa que perguntava era se Alguém tinha razão de queixa deles. Nunca lhes admiti que não respeitassem um Professor, um Auxiliar, um Vizinho, um qualquer Empregado que os atendesse. Conforme lhes ensinei a dizer Mãe e Pai, também lhes ensinei a dizer "por favor" e "obrigada".
Não sou professora, respeito-os (aos qe merecem ser respeitados), mas tenho a noção de que não são os Professores Sozinhos a educar as crianças. A Família serve para quê?
Penso que a Sra. Dra. Virgínia é uma Professora igual a outras com quem tive a honra de me cruzar na minha vida estudantil. Estavam a ensinar por vocação, com o coração, e tinham brio profissional. Os alunos sentiam que "Elas" sabiam o que estavam a fazer e a dizer e, mesmo que "lhes chamassem nomes nas costas", respeitavam-nas. Os Professores estavam "em cima" do estrado e nós, alunos, na parte de "baixo" só íamos lá acima quando éramos chamadas.
Bem, acho que para 1ª vez já chega.
Beijinhos Doutor e até amanhã
Ana Paula

Mário disse...

Ana Paula
Completamente de acordo - os pais ficam sempre de fora, como se a Escola e os professores tivessem em exclusivo o dever de educar.
Aliás, quando foi do assassinato daquela transsexual, no Porto, os pais dos meninos ficaram isentos de qualquer responsabilidade... e como os meninos eram inimputáveis...

AConfundir autoridade com autoritarismo ou hierarquia com fascismo é hábito luso, mas totalmente estúpido, e conceptualmetne errado: se não houver uma cadeia de comando, estabelece-se o caos e a insegurança.
E até dá mais força para denunciar os casos - que também existem - de prepotências e em que "o cão é que morde no homem"...

Virginia disse...

Ana Paula,
Não sei a sua idade, mas creio que o estilo de professor que descreve no seu post é completamente diferente daquele que eu fui enquanto professora após o 25 de Abril e mesmo antes disso em Lisboa.
No Pedro Nunes não havia estrado e os alunos eram meio metro mais altos que eu no 7º ano ( o Mário sabe), na realidade não havia chamadas, essas acabaram nos anos 60 e quando eu comecei a ensinar já não havia nada disso. Sempre andei pela sala de aula toda, às vezes até me sentava nas carteiras dos alunos quando eles fazima apresentações no retroprojector, ou uma aula preparada por um grupo. Mas fui sempre respeitada porque procurava transmitir Amor, Paz e Ciência aos meus alunos. Sempre achei que o primeiro passo para se poder entender os alunos é o Amor, gostar deles afectivamente e saber motivá-los pelo nosso entusiasmo. Lembro-me de às 8.30 já estar com uma energia capaz de mover montanhas e os alunos queixavam-se de tanta adrenalina....
Os pais de hoje protegem demasiado os filhos e atacam os profs por tudo o que lhes acontece de mau na escola. É raro um pai ou mãe ter a consciência do que o seu filho é capaz de fazer na sala de aula, por mim falo, em relação aos meus.
Há que aceitar que o professor está numa posição de autoridade, mesmo que ele ou ela pareçam vulneráveis ( e são-no). Há que castigar quando prevaricam, é bom para eles, eles testam a paciência dos profs até aos limites...mas só gostam dos que lhes fazem frente com calma e ponderação.

Elfrida disse...

É a primeira vez que entro neste blog e faço-o por sugestão de uma das minhas irmãs. Sou professora há 32 anos, embora apenas do ensino secundário. Estou há 3 anos numa escola para onde fui depois de 5 anos num colégio particular e 24 numa escola secundária, onde fiquei com horário 0. O que mais me chocou quando aqui cheguei foi a linguagem dos alunos, com níveis etários muito diferentes, na medida em que há crianças do 1º ciclo até ao 12º ano. Circulo nos intervalos pelos pátios e os palavrões e insultos que os alunos trocam atingem-me como balas, embora não seja eu o alvo. No início, parava, tentava falar com eles, chamar-lhes a atenção. A maioria (particularmente alunos do 6º, 7º, 8º) ria-se ou simplesmente ignorava-me. Queixando-me desta situação para mim insustentável junto dos colegas com mais tempo de casa, a resposta foi: o melhor é não ligares. Isto é um problema social. Nada a fazer...
Certo dia, estava no Polivalente a tomar um café com outros colegas, quando um grupo de alunos do 6º ano se aproxima e um deles diz em voz alta: Ó "pachachinha"! Olhei para todos os lados, indignada, quando uma das colegas diz, sorrindo: Não ligues, essa é para mim. São meus alunos. Mas não é por mal. Eles até gostam de mim...
Não sei se fiquei mais chocada com a colega ou com os alunos, mas é esta a nossa realidade. Os alunos são cada vez mais desculpabilizados, tudo é permitido em nome de uma educação que desconhece as mais básicas regras de educação. Os pais responsabilizam os professores. Os professores responsabilizam o meio social e ninguém assume a sua própria parcela de responsabilidade. Medo? Indiferença? Descaso? Cansaço? Impotência?...
Algo tem de ser feito: junto dos alunos, junto dos pais, junto dos professores. E com muita urgência!
Como diria o outro, "Não podemos orientar o vento, mas podemos ajustar a nossa vela"...

Virginia disse...

Sei que o que a colega acima descreve é verdade, aliás, tb assisti a algumas cenas entre alunos um pouco descoroçoantes, para não dizer outra coisa. Fui professora desde 1971 até 2008. A sociedade evoluiu de um modo dramático e os profs muitos deles não estavam preparados para as mudanças que se operaram não só no ensino, como na sociedade , em geral. Até certa altura, há cerca de três anos atrás, os profs lidavam com os problemas à sua maneira, muitos com enormes dificuldades, mas com vergonha de confessarem a sua inabilidade ou incapacidade para resolver situações de má-criação evidente ou mesmo abuso verbal da parte dos alunos. Falar com eles não resultava, lembro-me duma professora mais velha que passava o tempo a repreender os alunos e eles a rirem-se que nem perdidos. Muitos destes adolescentes querem dar nas vistas como as crianças de 2-3 anos que exigem atenção, outros pertencem a grupelhos esquecidos e têm de se fazer valer - ser heróis - pela negativa.

As escolas não têm pessoas - psicologos e assistentes sociais - que lidem com situações de delinquência, de desvios ou de abandono.
São os profs preparados para "ensinar" que exercem o papel social, ligam às famílias, falam com os encarregados de educação e até vão a casa dos alunos em situações extremas....

Não deviam ser os prfs a desempenhar tais funções, o prof devia actuar nas aulas e ser sempre apoiado por estruturas sólidas extra-sala de aula. Nada disso acontece...é preciso poupar e poupa-se assim.
Poderia ficar aqui a dissertar ad aeternam....mas para que serve?

Acredito que há profs dedicados, afectivamente ligados aos alunos, competentes, que conseguem conciliar tudo e até a reviravolta milagrosa dos seus alunos...mas são em número reduzido e estão cansados. Pedem a reforma logo que podem, mesmo com prejuizo do vencimento futuro.

Anónimo disse...

Srª Drª Virgínia,
Quando escrevi que os Professores estavam no "estrado", não foi no sentido perjurativo, bem pelo contrário. Foi para mostrar que eles, quanto a mim e à educação que recebi, estavam degraus acima de nós alunas e como tal deveriam e devem ser respeitados. Eles eram os nossos Mestres. Tal como na Família, o Pai ou o Avô se sentavam à cabeceira da mesa e no entanto depois das refeições nós saltávamos para o colo deles. Sempre tive o maior respeito pelos meus Professores/as e foi isso que incuti nos meus filhos. Peço desculpa se me expressei mal, mas o Dr. Mário como me conhece pessoalmente percebeu o que eu queria dizer. Eu acho que até mencionei a honra que foi para mim, ter os Professores que tive. Não tenho 100 anos, por isso nunca tive Professores que me metessem medo, tinha-lhes era MUITO RESPEITO.
Ana Paula

joaopedrosantos disse...

[Mensagem de: Ana Paula Branco]
"João Pedro,
Lamento discordar, mas, não é SÓ o Professor que tem de se fazer respeitar, são os PAIS/FAMÍLIA que têm de ensinar aos Filhos/Educandos que TÊM de respeitar os Professores, Empregados, Motoristas, ou seja, os OUTROS!!!"
[Fim de citação]

[Mensagem: (minha)]
"Não quero passar por pessimista (embora não goste de enganar os outros) mas isto está a começar a correr mal dos dois lados. Os alunos já não têm respeito por ninguém porque são educados pela TV e pelas más companhias e os professores deixaram de ser uma entidade merecedora de reverência."
[Fim de citação]

É livre de discordar ou concordar comigo. Não pode é discordar de algo que eu não disse. É claro que os pais muitas vezes também têm culpa. Contudo, continuo a achar que uma atitude diferente dos professores faria muita diferença.

[Mensagem de: Ana Paula Branco]
"Se um Professor repreende um aluno e os Pais forem à escola pedir-lhe satisfações ou ameaçá-lo, o que é que ele (Professor)faz?"
[Fim de citação]

Não sou professor mas enquanto aluno nunca vi nem ouvi falar de casos desses. não creio que sejam regra no nosso sistema de ensino. Muito menos o principal problema.

[Mensagem de: Ana Paula Branco]
"A Educação começa em casa e Ensinar aos nossos Filhos a Respeitar os Outros, é algo que está quase obsoleto.
Lembro-me que SEMPRE me disseram que tinha de ser educada e respeitar TODOS, independentemente da posição ou categoria social que tivesse, transmiti isso aos meus filhos e eles sabiam que eu, quando ía à Escola, a primeira coisa que perguntava era se Alguém tinha razão de queixa deles. Nunca lhes admiti que não respeitassem um Professor, um Auxiliar, um Vizinho, um qualquer Empregado que os atendesse. Conforme lhes ensinei a dizer Mãe e Pai, também lhes ensinei a dizer "por favor" e "obrigada"."
[Fim de citação]

Aqui não podia concordar mais consigo.


Podia continuar mas acho que não e necessário.

Cumprimentos,

Virginia disse...

Bom, não consigo compreender essa visão do professor como um Deus, que tudo sabe, que é respeitado por todos os alunos ou venerado como um santo no altar do saber.
Tive boas e mas professoras no MªAmália e havia umas que respeitava e até "adorava" e outras que odiava e que fizeram com que eu nunca gostasse de Matemática e de Física - daí ter chumbado a essas duas cadeiras no 4º ano. Não sei se elas se apercebiam disso, mas ignoravm-me nas aulas, eram sádicas com as alunas mais fracas e davam-se ao respeito porque tínhamos muito medo de nos queixarmos. Também tive professoras que eram umas nulidades - incompetentes em Línguas, sobretudo.
Não posso dizer que 50% dos profs fossem melhores dantes do que hoje. Tendo sido orientadora de estágio durante 16 anos, verifiquei que havia professoras de 22-24 anos com qualidades excepcionais e que não conseguiam dominar os alunos dentro da sala de aula porque eles, sabendo que elas eram estagiárias, abusavam.Eram mal educados, irrevrentes, chocantes, mesmo.E sabiam que nada lhes aconteceria se prevaricassem!

Penso que o saber ser professor se aprende com o tempo e também com o tal amor à profissão e aos alunos. Se o professor só o é para ganhar o ordenado ao fim do mês, então não há hipótese de ganhar a confiança dos adolescentes que os topam logo e os atropelos à convivialidade sucedem-se.

Infelizmente sabemos que a vocação hoje em dia não conta para nada, todos querem um modo de subsistência para si e para os seus e não há alternativas...

Anónimo disse...

Srª Drª Virgínia,
Nunca vi qualquer Professor como um "Deus" ou sequer um "ser Superior".
Uns, admirei e respeitei, outros limitei-me a respeitar (por educação).
Aliás, eu admiro qualquer Bom Profissional, quer ele seja professor ou calceteiro.
Quanto ao "respeito", penso que quem quer ser respeitado tem de saber respeitar.
Conheço uma professora que quando, no início de um ano lectivo, lhe deram as fichas dos alunos, olhou para as fotos e disse "que horror, já viu os alunos que vou ter?" O "sonho" dela nunca foi ser professora, para ela sê-lo era um "castigo", mas era o que tinha conseguido... Gostava de ser mosca e ter assistido à troca de olhares dos primeiros dias de aulas. Mas, felizmente, também conheço professores que o são por vocação, porque era isso mesmo que "sonhavam" ser e fazer.
Não sou contra os Professores, mas que há alguns que bem precisavam de ser "avaliados", lá isso há, o que aliás acontece em qualquer profissão. Quanto a mim, começava a avaliação pelos políticos e corria logo com os "tachistas", os "boys", as "girls" e talvez, quem sabe, tudo começasse a funcionar melhor.
Cumprimentos
Ana Paula

Agora vou responder ao João Pedro, que por acaso é Santos como eu e, tal como ele, com uma citação.
(Mensagem de: joaopedrosantos)
Não sou prodessor mas enquanto aluno nunca vi nem ouvi falar de casos desses, não creio que sejam regras no nosso sistema de ensino. Muito menos principal problema.
(Fim de citação)
Trabalhei durante 3 anos, num ATL para "Crianças de Risco", numa freguesia de Lisboa, com crianças dos 6 aos 14 anos. Um dos meninos teve de sair do ATL da Escola, porque um dia disse ao pai que o monitor o tinha posto de castigo e lhe tinha ralhado e o pai, no dia seguinte foi à escola, disse que queria falar com o monitor e quando ele chegou ao portão deu-lhe um murro na boca. Esse mesmo pai, foi ao ATL onde eu trabalhava ameaçar uma monitora porque ela castigou o filho (não o deixou jogar no computador), porque ele estava constantemente a dizer asneiras e a ameaçar os outros meninos/as. Sabe o que ele disse à monitora? Que só não lhe dava um murro na cara, porque ela era uma mulher e ele não batia em mulheres.
Perto da minha casa há uma escola do ensino básico, onde já vi mães, pais e irmãos mais velhos estarem ao portão aos gritos à espera de determinado professor/a ou auxiliar para lhe darem uma tareia.
Aliás, casos idênticos foram escritos e falados nos jornais e nas tvs.
Nunca disse que eram regras, nem o principal problema do ensino, mas como diz o ditado "grão a grão enche a galinha o papo". Várias pequenas coisas, se não forem sanadas a tempo formam muitas grandes coisas.
Mas, se fosse tudo um "mar de rosas", todos estivessemos de acordo em tudo, a Vida não tinha graça nenhuma, pois não?
Até logo ou amanhã
Ana Paula

Virginia disse...

Não acho que seja vulgar os pais queixarem-se de castigos ou repreensões dados aos filhos na escola ou perante o director de turma. No entanto, sei de muitos pais e mães, sobretudo, que nas costas dos profs dizem o piorio, tram-nos por "aquela filha da..." ou " é uma catraia que anda a dar aulas", etc.etc. A desautorização do professor é muito vulgar e desculpem lá o elitismo, pior nas camadas menos letradas da sociedade. Acham todos que os profs são exigentes demais e quase que vêm pedir a nota para passar ao professor que vai à padaria ou ao supermercado. Como dei aulas 28 anos na mesma escola e morava ao pé, toda a gente me conhecia para o melhor e para o pior. Nunca me ameaçaram, pelo contrário, mas via naqueles olhos um certo ódio por eu e outros profs termos o futuro dos filhos nas nossas mãos.

leonor disse...

Cada vez que se fala de ensino, torna-se em um assunto polémico. Provavelmente, é por este facto que o ensino chegou ao ponto que chegou sem ninguém se entender. Também professora há 22 anos estou saturada, defraudada e com a moral muito, muito "down".
Nunca tive falta de respeito de alunos, embora os meus sejam na sua maioria adultos, mas pela PRIMEIRA vez na minha vida profissional tenho vontade de bater com a porta (com toda a força)!

Virginia disse...

Penso que foi sempre um assunto polémico, ainda me lembro de nos anos 70 se discutir "Summerhill" , uma escola em que os alunos escolhiam as actividades a realizar, sem horários, nem castigos de qq especie, ou de ler livros sobre o fim da escola tradicional, polémicos e muito avançados para a altura.
Andou-se depressa para a frente no nosso país, esquecendo que há valores intocáveis e premissas que nunca deveriam ser postas em causa. A liberdade que os profs tinham dava-lhes um certo gosto pela carolice, os projectos eram planeados sem terem de obedecer a regras rígidas e burocráticas, fiz muita actividade extra-aulas com os alunos, sem um mínimo de preparação, envolvendo a Universidade de Aveiro nas minha ideias - entrevistas a pessoas estrangeiras num Congresso de Inglês, por exº ou As Instituições Inglesas no Porto. Tudo isto foi gravado em vídeo e os alunos adoraram a experiência, ainda hoje alguns falam disso. A escola alheava-se, não financiava quase nada, nós e os alunos acabávamos por arcar com o peso das nossas excentricidades, mas era óptimo.

Qunado entrei num projecto Comenius há cerca de oito anos, já achei que a burocracia era demais, as contas tinham de ser feitas ao tostão, a escola queria saber tudo com enorme antecedência e isso tirava o gosto de trabalhar com as escolas estrangeiras.

Desde que a nova ministra subiu ao trono,então, perdeu-se por completo o gosto por "fazer coisas", tudo é obrigatório, quanto mais não seja para o currículo, há uma competição desenfreada, as pessoas passam o tempo em reuniões de coordenação dos projectos, os alunos acham tudo uma seca... e chega-se ao fim do ano sem fazer nada....

Daí a vontade de bater com a porta.

Eu já bati, graças a Deus.