terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

na cidade dos arcebispos

A apreensão dos livros com um quadro de Coubert representando as coxas e genitais femininos, por "perturbação da ordem pública" é, a somar ao caso da juíza de Torres Vedras que censurou a piada ao Magalhãe (sem sequer ver o objecto da censura), um sinal muito inquietante.

Não se trata de um fait-divers, porque é vindo de autoridades judiciais e policiais.


Sugiro que, seguindo o exemplo, tirem o David ou cortem-lhe os ditos, e rebentem com o quadro de Manet, que ainda por cima tem duas senhoras nuas e dois senhores vestidos.

A somar ao professor do Porto e ao médico de um centro de saúde de Braga, demitidos por "piadas", este país está a ficar um autêntico Carnaval...

PS: e aqueles bonecos das Caldas (padres, jofadores de futebol, etc), de puxar a cordinha, ou as canecas de beber leitinho que no fundo têm um cara..inho?

1 comentário:

joaopedrosantos disse...

Já me vou abster de fazer comentários alargados referentes à liberdade de expressão porque julgo não valer a pena. É um bem demasiado precioso para ser limitado, e isso não tem desculpa! Acho absolutamente intolerável que outrem zele pelos valores de cada um de nós, pois cada qual sabe ao que se sujeita, nomeadamente em "carnavais destes".

Agora, a questão que não posso deixar de levantar é uma de outra ordem. Não será preocupante o excesso de "zelo e de pudor" que há em relação a factos inerentes à nossa existência, como a reprodução ou os orgãos sexuais humanos, um grave perigo ao nível da psicologia infantil ou até uma má influência para adolescentes? Não estaremos a pôr em perigo uma abordagem natural e sem tabus de uma parte importante da nossa vida? Que consequências graves poderão advir de cada vez mais se "esconder" certas coisas? Não tenderão os jovens ou crianças a distorcer algo que não conseguem conhecer? Não será o desconhecido um veículo para a violência grave, vulgo abusos sexuais ou outros comportamentos de risco, em mentes menos estabilizadas?

São questões que me saltam à memória, quando vejo casos destes. Se a palavra "merda" passasse a ser dita como dizemos "cenouras" ou "morangos" será que continuaria a ser usada com más intenções?