sexta-feira, 30 de abril de 2010

os salteadores

O ataque despudorado dos especuladores à economia de Portugal, bem como à da Grécia (por muito mal que esta esteja), é obsceno.

Não sou patriotiqueiro, mas é revoltante ver como uns senhores (a que título?) determinam mudanças de ratings, sem que nada se tivesse passado desde a última avaliação (pessoas insuspeitas, como César das Neves, dixit), lançando o caos em economias que precisam de estabilidade para, exactamente, crescerem e subirem nos ratings.

Depois da Espanha, fala-se já nos EUA. Mas quem é esta gente? E estes especuladores? Pagarão impostos? onde vivem? Ameaçam governos e ninguém os controla? Sob que leis vivem? As das Ilhas Caimão?

Só o facto de nos designarem (com a Itália, Grécia e Espanha) por PIGS, diz tudo... estupores!

8 comentários:

Huckleberry Friend disse...

Não são os mesmos que diziam que tudo ia bem em Wall Street até pouco antes do crash dos subprimes? Fazem lembrar o ministro da Informação iraquiano, com uma diferença: esse era, apesar de tudo, inofensivo.

PS: Dito isto, mantêm-se as responsabilidades dos nossos governantes dos últimos 25 anos.

Filipe Snr disse...

Trata-se de empresas formadas nos Estados Unidos (as primeiras pois há-as por todo o mundo), primordialmente para 'aconselharem' o governo e os principais bancos americanos. É claro que os sócios foram (e são) pessoas ligadas ao 'sistema'.

Devido ao backing que lhes foi dado, a pouco e pouco foram-se inserindo no meio financeiro americano, e depois mundial, tornando-se 'conselheiros imprescidíveis' sobretudo para os gestores e políticos medianos que
ocupavam (e ocupam) cargos nas principais organizações financeiras. É claro que os favores se pagam e daí, hoje em dia, as opiniões dessas agências fazerem o jogo de quem realmente lucra com as dificuldades dos outros.

Não é por acaso que Alan Greenspan, Presidente da Reserva Federal Americana, afirmou há dias que os julgamentos das agência de rating eram 'grossly inflated and innacurately high'. Ele lá sabe...

Como o Pedro refere (e bem) dois dias antes do ùltimo 'crash' na Wall Street, quer a Moodys quer a S&P aconselhavam o investimento forte no Lehmann... Foi o que se viu...

O problema é os países se 'porem a geito' de modo a que estas agências possam ter palavra em assuntos que deveriam ser exclusivamente controlados e cujo risco deveria ser julgado apenas pelos bancos centrais (incluíndo BCE) e FMI e Federal Reserve dos EUs.

Para quem tiver interesse e pachorra, remeto para um interessantíssimo comentário feito ontem pelo 'BBC Business Editor' Robert Preston.

Mário disse...

Não se entende como é que todas as organizações e instituições dizem uma coisa, e agências privadas mandam no Mundo. E porque é que os governos não criam agências mundiais para essa avaliação, objectiva e fora da especulação?

Agora é que estamos também a ver o resultado das três eleições sucessivas do ano passado. De Junho a Outubro esteve tudo parado, a viver em mentiras sucessivas. Sócrates e o PS escondendo a deterioração da situação. A Oposição preocupada com o Freeport e casos semelhantes. Cavaco com os vírus no "computador pessoal". Muita da responsabilidade, quanto a mim, é da estratégia de Pacheco Pereira e da história da asfixia democrática, que levou toda a gente a concentrar energias na defesa ou no ataque dessa ideia.
O Governo merece ser penalizado, e demonstrou não ter categoria para continuar depois das eleições. As sondagens de hoje já o mostram. Não se aprova um contrato leonino com a Mota-Engil na véspera de rever as obras públicas. E nós a levar com isto, todos os dias!

Entretanto, CDS põe-se em bicos dos pés e o BE e PCP continuam a fingir que a realidade é a que eles desejariam e não a realidade externa que nos envolve. Para o ano, Cavaco é re-eleito sem espinhas, dissolve logo a AR mal possa, e Passos Coelho ganha as eleições com maioria absoluta.

A ver...

Anónimo disse...

Há uma arrogância e uma total desconsideração e desrespeito em relação aos países do sul. A Itália também já está cá por baixo e a Espanha que se cuide.
Como é possível que a nossa inflacção esteja ao nível da Grã- Bertanha e da Irlanda, e a dívida pública ao nível da Bélgica, e não digam nada sobre esses países.
A UE tem que tomar medidas sérias e rápidas, para bem dela própria, sobre a importância/relevância que é dada a essas empressas privadas de rating, e que condicionam as economias nacionais.
É obsceno, injusto e muito grave!

Catarina

Virginia disse...

A Grã Bretanha está numa situação grave , mas não é da zona Euro pelo que se mantém à margem nesse capitulo dos ratings. A irlanda está muito mal, mas foi um país que se desenvolveu espantosamente antes da crise, assim como a Espanha. O nosso mal, é que esta crise já dura há anos e anos - há quanto tempo é que o nosso crescimento é quase nulo?

Não venham atirar as culpas para cima
do Pacheco Pereira. Acho o homem lúcido, assim como a MFL, mas convenceram-se de que o Sócrates não saía nem à lei da bala e afinal é capaz de cair do pedestal dum dia para o outro. Só que entretanto, vamos cantando e rindo em TGVs para a bancarrota.

Mário disse...

Os países do Sul sempre foram os punching-ball dos especuladores - relembremo-nos dos ataques desenfreados do grande "humanista" George Soros ao escudo e à peseta.

O nosso problema é realmente estrutural - e será que é possível um país como o nosso conseguir avançar neste sistema capitalista?
O mais curioso é que este sistema faliu e provocou a crise, mas ressuscitou e está tão pujante como era. Refiro-me a "este" sistema, não à economia de mercado, no que ele tem de empedernido, usurário, explorador e ineficaz (ainda por cima).

No ano passado tinhamos um deficite de 2%, mas continuávamos miseráveis por ter uma taxa de crescimento muito baixa. Por alguma razão os pactos são de estabilidade e crescimento, porque uma vertente sem a outra não dá.

Anónimo disse...

Não está em causa os países serem da zona euro ou não. O que está é a discriminação gritante entre países do norte e do sul, que estas agências têm feito.
Acredito que, se Portugal estivesse no norte, seria tratado com maior consideração, mesmo com o seu historial económico.

Catarina

Mário disse...

Sem desdizer o que escrevi na entrada e nos comentários, de facto, aqui entre nós, investiam mais (às cegas) numa firma sueca ou grega? Holandesa ou portuguesa? Alemã ou napolitana?

O problema é a nossa credibilidade... desde que o nosso Afonsinho deu pancada na Dona Tareja...

PS: porque é que, mal comparado, o Marcelo se assemelha a uma agência de rating? Engana-se, é pouco rigoros, opina mais do que analisa, mas toda a gente acha que ele é omáximo e consegue levantar e destuir governos e políticos...