quinta-feira, 8 de outubro de 2009

o pai não faz parte da anedota

A Maternidade do Hospital da Luz tem como objectivo orientador da sua actividade a segurança das futuras mães e dos seus filhos recém-nascidos, proporcionando um serviço que responde a todas as necessidades e exigências das mulheres que a procuram.

No Hospital da Luz, a Maternidade está integrada no Hospital da Mulher, estrutura que, numa filosofia de abordagem global, conta com todos os recursos necessários para seguir e avaliar de uma forma multidisciplinar e complementar a saúde da mulher, em todas as suas vertentes e em todas as etapas da vida.

do site do Hospital da Luz - negritos meus



Quanto ao pai... "olha, pá, vai ao Colombo que têm lá uma data de lojas giras, e marimba-te para essa coisa de participar no nascimento do teu filho - isso é para os maricas que até brincaram às casinhas!"

15 comentários:

Virginia disse...

Realmente é anacrónico. Até o meu ex- assitiu aos partos dos filhos nos anos 70!!E eu, que estive sempre acordada, gostei bastante.

Paulo disse...

Uma boa razão para não nascer na Luz, nem querer nada com o que tenha o nome luz.
Agora a sério, é triste que ainda aconteça.

Virginia disse...

Dá-se à Luz sozinho....embora o resto seja tudo obra de dois...é o que se pretende com este tipo de literatura de hospital.


Quanto à outra Luz, estão os homens bem representados:)))

Anónimo disse...

O texto pode não estar muito bem redigido por não mencionar o Pai e daí ser susceptível a algumas injstiças. A minha filha (paciente do Doutor Mário) nasceu no hospital da Luz há cerca de um ano e o meu marido esteve presente em todos os instantes. E foram 22 horas de trabalho de parto que terminou em cesariana e também na cesariana esteve presente. O Pai foi sempre muito bem recebido em todas as etapas do nascimento e foi-lhe permitido participar do princípio ao fim. Em termos de incentivo à amamentação também foram fenomenais, portanto só tenho bem a dizer.

Lúcia

Milene disse...

Este é para mim um dos problemas do Sec. XXI: de tal forma as pessoas tentam atribuir nomes e funções às coisas/pessoas, compartimentar, dividir, adjectivar...., que se esquecem de que na Vida tudo funciona como um Todo. Não há um pai e uma mãe envolvidos na concepção e nascimento de uma criança, há Pais. Por isso não há razão nenhuma para que eles enquanto pais não sejam sequer mencionados neste texto, como se não estivessem sequer envolvidos no processo, como se dele não fizessem parte íntegra.
Há momentos nas nossas Vidas em que não nos podemos permitir a marcar ausência, e ESTE é um deles....

Filipa disse...

A questão não é só a de o texto não incluir o pai no texto que descreve a "filosofia de nascimento" do hospital mas a de sublinhar a ideia de segurança e de papel interventivo das equipas de profissionais em vez de sublinhar uma experiência em que a mulher, a criança e o pai é que devem ser os protagonistas. que "segurança" não é sinónimo de intervenção médica e que, pelo contrário, o excesso de intervenção desnecessária leva inúmeras vezes à necessidade de intervenção "necessária" - cesariana, forceps, episiotomia, sofrimento fetal com consequente afastamento imediato da mãe, etc.
Os profissionais de saúde informados acerca da forma como se nasce no Reino Unido, na Holanda ou no Canada e a par da muita literatura médica com uma abordagem de "evidence-based medicine" sabem também que se uma mulher em trabalho de parto estiver acompanhada afectivamente, num espaço calmo, agradável, e íntimo, com liberdade de movimentos e posições em TODAS as fases do parto é muito mais provável que o seu parto seja SEGURO, FÁCIL E RÁPIDO e que o pós-parto seja vivido de uma forma mais positiva (favorecendo a integridade física do corpo da mulher com menos cicatrizes, cortes e desconforto; favorecendo a relação entre os pais e o seu filho tão determinada pelas primeiras horas após o parto; favorecendo a amamentação e o processo hormonal de libertação da oxitocina; favorecendo uma experiência tão importante para todos os seus protagonistas.
Não sei que tipo de parto se pratica na maternidade do Hospital da Luz. Se for parecido com o tipo de parto que se pratica na maioria dos hospitais privados (e muitos públicos) portugueses é um parto que provavelmente vá acabar em oxitocina intravenosa, cesariana, forceps, episiotomia, e mesmo problemas respiratórios do recém-nascido ou problemas na amamentação com o uso banalizado do "suplemento".
A "filosofia de nascimento" que se expõe no texto do site da internet não é a meu ver a de uma maternidade do século XXI, ecológica, na posse da tecnologia mas evitando usá-la quando não é necessária, humana e consciente. Esperemos que seja apenas um problema de texto e que o Hospital da Luz tenha aproveitado a fantástica oportunidade de não herdar uma data de rotinas e vícios do passado para começar de novo e fazer realmente um hospital do futuro - promovendo uma OUTRA FORMA DE NASCIMENTO onde além da "segurança" e "intervenção médica", obviamente essenciais e benéficas, se ponham também em prática os saberes da obstetrícia e pediatria das últimas décadas onde as palavras de ordem são: intervenção médica reduzida; liberdade de movimentos e posição em todas as fases do parto; observação de cada parturiente como um caso individual e único; e incentivo a que os pais tenham um papel participativo no processo de nascimento. Claro que muitas vezes os profissionais de saúde tentam que as mães e pais sejam mais activos e conscientes e estes não o querem fazer preferindo delegar responsabilidades e decisões. Mas cabe a todos nós - mães, como eu, pais, e profissionais de saúde contribuir para que o nascimento seja uma experiência positiva para todos e para que o amor, a liberdade, a intimidade, a proximidade física e afectiva também passem a fazer parte dos textos de marketing das maternidades.

Mário disse...

Claro que há esperiências melhores e outras menos boas.
O que não está correcto é que isso possa depender apenas da "disposição" e do "humor" das equipas ou dos profissionais.

Uma coisa é ter uma "doença" chamada "gravidez" e necessitar de uma "terapêutica" chamada "parto" - visão arcaica e prepotente, fundamentada num modelo exclusivamente biomédico em que "o doutor manda". Outra é um "nascimento" - um momento da tríade, que é como o concerto de um artista - leva com ele 300 técnicos, cada um com a sua função, mas que estão ali apenas para uqe o concerto seja o melhor possível e para dignificar a actuação do artista.

Pior ainda quando a "filosofia mater" da instituição (idem noutras, públicas e privadas, adiante-se...) é promotora de práticas erradas.

Maria disse...

Acho que não se percebeu o alcance da mensagem do hospital da luz e muito me espanta que a mente aberta do Dr. MC tenha trazido este tema à colação sem que o explicasse convenientemente, sem que o entendesse... De facto o departamento "hospital da mulher" existe e é, na minha opinião, apenas o reflexo da importância de seguir e avaliar dessa tal forma multidisciplinar e complementar a saúde da mulher. Estamos a falar essencialmente das especialidades de ginecologia e obstetrícia... em que parte entra aqui o homem ao nível da sua saúde individual? é isso que se trata. Quanto ao resto, o homem enquanto pai e companheiro da mulher, da minha experiência posso dizer que não só é bem-vindo a qualquer consulta de ginecologia/obstetrícia como inclusivamente se fomenta a sua participação e acção em tais consultas, tal como nas ecografias, nos CTG, etc. Aliás quem frequenta aquele espaço sabe bem do que falo, pois é rara a mulher grávida que não se faça acompanhar do pai da criança que é tão bem tratado como a mãe. Apenas não lhe são dirigidos os cuidados médicos porque os ovários de facto estão ao lado dele, na mulher que acompanha, e não nele...! A minha filha Maria, também felizmente paciente das consultas (fantásticas, sempre) do Dr. MC, nasceu lá e desde sempre o pai esteve comigo, quer nas consultas em que quis estar presente quer desde o momento em que, no dia do nascimento, lá entrámos os 2 para de lá sairmos já 3. Aliás, foi ele quem primeiro pegou na filha, por sugestao da equipa do parto! Não tenho rigorosamente nada de negativo a acrescentar, o pai é tratado de igual forma que a mãe, não pode é pretender-se um hospital do Homem numa zona de ginecologia/obstetrícia/partos...! Equipas médicas 5 estrelas, enfermeiras e auxiliares 5 estrelas, e o pai é exactamente o mesmo que a mãe. Alvo de carinho e atenção. Focaliza-se a Mulher porque, de facto, é a mulher que é a "atriz principal" do filme, não qe isso signifique qualquer desprezo pelo homem! que disparate... não faz sentido o tom deste post que aqui comentamos! Sorry...

Mário disse...

Maria
Em primeiro lugar, sou da opinião que Ginecologia e Obstetrícia nada têm a ver uma com a outra, e só são feitas pelos mesmos especialistas porque a História a isso leva, sem que haja a coragem de mudar, como muitos especialistas da área propõem, aliás. A Pediatria também se diferenciou.

Depois, mesmo com as suas explicações, fomentar o Departamento de Saúde da Mulher incluindo ali o nascimento é, para mim, errado. O pai é parte integrante da Obstetrícia. Também está grávido. Sofre inclusivamente alterações hormonais que chegam até ao aumento do perímetro abdominal em 50% dos casos (síndroma de Couvade). A gestação diz respeito, fifty-fifty ao pai e mãe.

Se o Hospital da Luz (e outros, repito) fazem este tipo de atendimento por rotina, então porque é que não anunciam o assunto como deve ser?

Já é altura de, em Portugal, se separar claramente o que é o casal conjugal - um homem, uma mulher -, que necessitará de Saúde do Homem e Saúde da Mulher, do casal parental - um pai e uma mãe -, que inclui uma criança e que funciona em tríade indivisível, como indivisível é o triângulo do qual fazemos parte.

sofia disse...

Na minha opinião, o Professor tem razão. Sou mãe. Tive o meu filho no Hospital CUF Descobertas e o meu marido esteve sempre comigo. Foi um parto difícil e um pós-parto ainda mais difícil. Estivemos internados uma semana! Estivemos lá os 3. Sempre. Não sei o que teria sido de mim sem eles 3 :-)
Mas o que está em causa aqui é que não é aceitável que numa instituição dirigida ao público se faça um anúncio em que a maternidade está, claramente, centrada na mulher. Mas porque carga de água a mulher é a única mencionada numa questão que, como bem diz o Professor respeita fifty-fifty ao pai e mãe? numa sociedade como a nossa, onde ainda há tendência para considerar as coisas do nascimento e o cuidar de bebés uma assunto das mulheres, o hospital da Luz deveria ter equacionado bem melhor a forma de exteriorização da sua filosofia afirmando, por hipótese, a existência de um hopital dos pais... é que conheço pessoas (na minha família mais chegada) que aproveitaram o facto de os filhos nascerem para irem à discoteca nessa noite, pois estavam "livres". Nunca vi coisa mais estúpida (perdoem-me a palavra).

Mário disse...

Sofia
Obrigado pelo comentário
Esse episódio que relata, no fim, faz "pele de galinha", mas também conheço alguns semelhantes, infelizmente.
Creio que a consulta prenatal deve ser cada vez mais implementada, porque permite debater ideias e chamar a atenção dos pais "homens" para o facto de, desde os 18 meses de idade, andarem a fantasiar filhos.

Curiosamente, muitos homens esquecem-se que embalaram ursinhos de peluche, e pensam que o desejo de ter filhos é uma coisa "das mulheres"...

Mário disse...

Relativamente ao Paulo, lá no topo dos comentários, olhe que nascer em Alvalade não é grande espingarda... já viou se o bebé sai com cara de Paulo Bento?

Virginia disse...

Graças a Deus aqui no Porto e em Coimbra só não tive mais gente à volta porque não a havia. E o meu marido teve de ir a casa ver se os meninos estavam bem e deixou-me sozinha algumas horas na noite do nascimento do meu filho mais novo. Em Coimbra era tudo muito liberal.

elisabete disse...

Por falar em nascimentos...acompanhei a reportagem na Companhia das Manhãs da jovem Joana, que eu bem conheço. Infelizmente a sensatez daquela rapariga não lhe permitiu contar ao vivo, ou o tempo não o permitiu, mas o pai da criança ainda ficou com ela nos 1ºs meses acreditando que ela iria abortar, logo que soube que ela não o faria deixou-a. Esse não foi o mal maior, pois ele não quer "dar o nome há criança" e já fez o mesmo a outra jovem(!)

Se ainda tem os contactos dela, ajude-a de alguma forma.
Bem haja.

Anónimo disse...

Partilho a minha experiência. O meu 2º filho nasceu no Hospital da Luz há 15 meses. Foi uma cesariana programada, o meu marido esteve sempre comigo, inclusive durante a cesariana, o que foi muito importante para mim. E durante os restantes dias fomos todos muito bem acompanhados, mesmo o meu marido que se sentiu adoentado e a quem trouxeram um benuron. Nada a dizer de menos bom, aliás recomendo a quem esteja hesitante.