quarta-feira, 24 de março de 2010

novas regras no ensino da condução

Os candidatos a condutores só vão poder realizar o exame de condução se tiverem percorrido mil quilómetros e completado um mínimo de 32 horas de condução, indica a proposta do novo regime jurídico do ensino da condução.
Independentemente das alterações ao ensino da condução a que uma tal proposta vai obrigar, parece-me que há que melhorar a forma de atribuição da licença de condução. Ao ficar habilitado a conduzir ficamos habilitados a matar. Passamos a ter uma bomba nas mãos, que dificilmente controlamos em circunstâncias de urgência. Não nos apercebemos das velocidades, das forças que geramos, nem do poder que temos, dado o conforto do habitáculo. E não é por acaso que, no segundo ano de carta, os acidentes com vítimas graves sobem cinco vezes em relação  ao primeiro ano, baixando depois. Uma das formas de diminuir o número de acidentes será esta, mas para mim seria imprescindível atribuir a carta definitiva só ao fim de um ou dois anos, obrigar a seguros, não da viatura mas do condutor, e finalmente ter mão de ferro, retirando a carta aos infractores graves. E, já agora, censurar os advogadozecos peritos em descobrir buracos na Lei e em ilibar condutores que, por exemplo, como um caso que conheço, ia apenas a 198 km/h numa estrada normal...

9 comentários:

Sérgio disse...

Se este novo regime for também aplicado nos Açores, cada aluno das escolas de condução do Faial vai ter que dar 20 voltas à ilha …!
Não é por aqui o caminho. Não é obrigar o candidato a fazer 1000km de estrada que se vai melhorar o ensino da Condução. Ou formar bons condutores.
As escolas de condução têm de ensinar sobretudo CONDUÇÃO DEFENSIVA.
Condução defensiva em todas as circunstâncias , especialmente nas adversas.
E ninguém garante que fazendo esses mil quilómetros isso aconteça.

SP

catuxa disse...

Enquanto houver inspectores a receber luvas para passar as pessoas no exame de condução, vamos ter sérios problemas rodoviários e de civismo rodoviário.

Rui disse...

Podem mudar o que quiserem, enquanto as pessoas não tiverem a consciência que não andam sozinhas na estrada e que a velocidade, o alcool e o desrespeito pelos sinais mata, parece-me que não há muito a fazer.

Huckleberry Friend disse...

Apoio maior exigência e garantia de que os instruendos fazem TODO o programa, com TODAS as aulas de código e condução - e devia haver formação CÍVICA nessa instrução -, coisa que é rara. Um automóvel é potencialmente uma arma mortal se empunhada por quem não tem cabeça para fazê-lo.

sofia costa disse...

Eu também concordo que as regras deviam ser mais apertadas. O número de horas de aulas de condução tem mesmo que ser maior e mesmo o exame devia ser mais mais exigente. Quando eu fiz o meu exame, fez também comigo uma rapariga que era a quarta vez que estava a fazer o exame. Ela deixava o carro ir a baixo, não parava nos cruzamentos, arrancava em terceira, e eu atrás ia morrendo de susto. O Sr Engenheiro passou-a porque já era a quarta vez, coitadinha! Ora aquela rapariga ia ser um verdadeiro perigo na estrada, porque não são só os que andam a alta velocidade que são perigosos...
Eu acho que só se devia poder fazer 3 exames, ao fim de 3 não consegue passar, azar, não tira a carta, não tem jeito, não tem aptidão, não sabe nem nunca vai saber conduzir um carro!

zé disse...

Concordo com o Mário: só com mão de ferro lá vamos. O português tem muito a mania de que é melhor do que o outro português; um excelente condutor, capaz de resolver as situações mais complicadas... Um herói!
Enquanto motociclista, confesso o medo que tenho de andar no meio do trânsito: há sempre aquele cromo impaciente a mudar constantemente de faixa, ora porque aquela anda mais, ora porque agora é esta a mais desenvolta...
Também confesso que já andei a 250km/h na mota. Mas foi na AE, de dia, numa recta, sozinho. Não serve como desculpa, eu sei... Mas considero-me ajuizado:)

Virginia disse...

Quando é que isso entra em vigor. E quanto vai custar???? Faço ideia.
Gostava de saber.....

Virginia disse...

Já li no JN que ainda está para lavar e durar a intro de novas leis. Ninguém está de acordo. Tirar carta vai custar mais 30 a 40% do que já custa - 500 euros - o que é exorbitante para muita gente.

A notícia do JN está muito completa.

Mário disse...

Claro está que uma medida avulsa, seja qual ela for, não resolverá a totalidade de um problema multifactorial e muito complexo.

No entanto, duas coisas são para mim certas:
1. nem toda a gente deve tirar a carta, porque nem toda a gente tem competências, apetência, destreza e capacidade para conduzir no actual ecossistema rodoviário;
2. há que limitar a "velocidade" da entrada dos candidatos a encartados no sistema rodoviário e na "plena posse" dos seus direitos face a condutores com maior experiência.

Por outro lado, não vejo porque é que alguns crimes, como conduzir alcoolizado com níveis superiores a 1,2 g/L, conduzir sem carta (com recorrências constantes), passar sinais vermelhos ou riscos contínuos, quando provocando feridos e mortes, não sejam julgados como tal, com penas pesadas e inibição de conduzir. Também se retira a arma a quem, mesmo com licença de porte, a usa mal. Estamos a falar de mortes, de pessoas, de nomes e famílias. Não são apenas números e estatísticas.

Quanto aos custos, não esquecer que uma só morte aos 18 anos custa ao país um milhão e trezentos mil euros, e que os acidentes rodoviários, em custos directos e indirectos, consome cerca de 3% do PIB.