quarta-feira, 24 de outubro de 2007

um balcão perto do Céu


Entra-se numa vereda, que aponta "Balcões", o miradouro que pretendemos alcançar.
O caminho está forrado a plátanos e cedros, folhas castanhas e alaranjaradas que atapetam os nossos passos.

De repente o abismo - os abismos - de um e do outro lado. Falésias atapetadas com arbustos e folhas, que nos conduzem às escarpas do vulcão. E o nevoeiro sempre presente, abrindo de quando em quando um espaço azul entre as nuvens.

De súbito o vazio. Estamos num pináculo várias centenas de metros acima do vácuo. As pequenas povoações,os palheiros das vacas, as casas dos homens, tudo parece igual, da Penha d´Àguia ao Pico Ruivo. A esmagadora presença da Terra, relembrando-nos quem sonos e a nossa eterna pequenez.

Há um momento efémero em que entendemos que somos um átomo a mais que se animou. Uma peça a mais que ganhou corpo. Mas nunca redundante. Mas nunca dispensável ou descratável. Mas nunca sem sentido ou sem razão de vida.

No Miradouro dos Balcões respiramos a Terra e os seus elementos. Sentimo-nos minúsculos, mas ao mesmo tempo grandes.
Porque somos parte da Natureza que pode ser - e é -, tão magnífica, esmagadora e encantadora.

"Um lugarzinho perto de Deus"...


Fotografias: MC (Outubro 2007)

1 comentário:

Milene disse...

Que bom que é poder estar e desfrutar de "um lugarzinho tão perto de Deus", de um balcão tão perto do Céu, mas com os pés tão bem assentes na Terra...!!!
É esta Vida vivida e sentida na sua plenitude (com todos os seus odores e sabores envolventes), que nos faz sentir tão próximos da outra, mas tão deliciosamente longe do Céu...!!!
Isto sim é "UMA RAZÃO de VIDA...!"