sábado, 21 de março de 2009

dia mundia da Poesia

Celebra-se hoje
Aqui ficam três poemas meus, em homenagem a uma das mais sublimes formas de expressão de sentimentos, afectos e ideias - nomeadamente o amor.


Amar-te assim

Amar-te assim
É condição sublime
É a terra firme
Do barco que naufraga
É entre as vagas
Ver o horizonte
É seres para mim a fonte
Que me alaga

Amar-te assim
É uma situação vibrante
Ser navegante
Em rumo tão diverso
É velejar no universo
E na substância
É seres a consonância
Do meu verso

Amar-te assim
É missão transcendente
É ser vidente
Sem bola de cristal
É retomar do animal
O instintivo
E seres o bálsamo curativo
E natural




Se

Se no gesto despedida
Levares o mar e o vento
Que me importa suspirar
Se terei de lastimar
A solidão e o lamento


Será forma de argumento
Para esquecer uma vida?

Se no gesto de sumires
Levares a boca e o beijo
Que me importa continuar
Se terei de respirar
O ar carente de Tejo


Se vai contigo o desejo
Porquê então tu partires?

Se no gesto do adeus
Levares o sol e a neve
Que me importa protestar
Se terei que viver leve
Como alguém que nada teve


Não sei bem como se escreve
A face negra de Deus



Je t´attends


Je t´attends, venir
mon amour
l´âme du plaisir
dans l´écume des jours
Comme une vague mourante
qui plaise
savante
et charmante
le sable velours

Je connais
mon amour
ta douceur
et la pesanteur
des vagues puissantes
Et j´essaie
ta saveur
naturelle
dans le sel
de la mer
qui me frappe le cœur

Je connais, mon amour
le goût d´un pleur
comme une fleur
de couleurs
à l´envers
Je te vois, mon amour
venir
comme un rusé chasseur
plein de fauves
amers
Je te pleure
et demeure
mes yeux
dans l´amante
charmante
du feu des retours

C´est pour ça, mon amour
que, toujours,
je t´attends
passionnément
dans l écume des jours.

3 comentários:

Virginia disse...

Começar o dia com poesia é uma promessa de que as Horas deste dia se encherão de sonhos e metáforas...

Não sou crítica de poesia, não sei se chorar rima com amar, nos meus estudos extensivos de literatura, não me ensinaram nada.. aquilo que sei de poesia ensina-se num minuto, naquele minuto em que se lê o poema e algo vibra dentro de nós, não sei se na garganta, se na alma, se no coração. Nos olhos baloiça uma lágrima teimosa e na memória desliza o filme do que nós fomos um dia.

Obrigada, mano, a 300km de distãncia, há algo que vibra aqui, não sei bem onde.

Virgínia

Milene disse...

Ainda bem que não se trata de um concurso de poesia em que temos de escolher um poema como vencedor pois a escolha seria difícil. Que os poetas nos deliciem sempre com aquilo que eles melhor fazem: ESCREVER....
E também apoveitando este dia da Poesia, deixo aqui um poema do meu filho que para celebrar este dia Mundial da Poesia, esteve hoje no CCB a declamá-lo:

"Os Dias"
Os Dias passam, vêm e vão,
Fugazes, constantes, desiguais,
Passam e seguem, nunca são demais,
Nem chegam a ser o que realmente são,
Pois correm da mesma forma que os rios,
Sempre em frente, rápidos e escorregadios
Entre os dedos da imaginação.

Juntos, constituem uma linha,
Quem sabe a que a vida irá dar.
São o segmento em que cada um caminha,
Tendo por trás a borracha do tempo a apagar.

Separados, são pegadas feitas à beira mar,
Que, após serem formadas,
Desaparecem, entre as ondas da vida, sempre agitadas,
Restando, com sorte, algum vestígio para se recordar.

E que somos nós no meio deles, então?
Nessa via rápida em movimento,
Apenas com um sentido,
Nesse som sem eco, por nós produzido,
Que passa como uma rajada de vento?
Nessas relíquias que caem ao chão,
Espalhando-se, como berlindes, em várias direcções?
Nesses factos (ou sonhos) desvanecidos numa confusão,
Não ficando mais do que simples recordações...?

Por isso, pálido de mãos frias,
Aqui estou a ver mais um passar,
Ensaiando escrever o que está em vias
De desaparecer, para ao menos preservar
Algum rasto que sobrar
Desses rascunhos de vida: os Dias!

Mário disse...

Mana: obrigado, comovido!
Milene: acabámos de chegar do CCB, mas não vi o teu filho lá, Que pena! O Poema é muito bonito.

Infelizmente, este ano não fizeram uma coisa que no ano passado existiu: cada um levava os livros que quisesse, com um poema ou palavras sobre a Poesia, deixava-os sobre uma mesa, e podia retirar o mesmo número de livros, que outras pessoas tinham deixado.

Este ano só havia uma mesa de venda, mas apesar de tudo algumas coisas estavam a 1,5€ e 2€.