sexta-feira, 27 de março de 2009

ainda se pode ir mais à profundidade do horror...

O assunto que tanto debatemos aqui não acabou, infelizmente.

Um dos últimos comentários nesta Entrada que refiro acima, dava conta do que tinha acontecido aos filhos de Silvya Plath e Ted Hughes, e cito o que escrevi: "Faltava dizer o que sucedeu a Nicholas Farrar Hughes; saíu do olhar público e leva uma vida tranquila, estando actualmente a trabalhar no Alaska como biólogo marítimo. Que não tenha o azar de encontrar a Sarah Palin!".

Pois, na semana passada, Nicholas Hughes suicidou-se, no Alaska, por enforcamento. Não consigo escrever mais nada sobre o assunto, porque não encontro, ou prefiro não encontrar, razões e motivos.

5 comentários:

ecila disse...

Mais em relacao a Sylvia Plath, recomendo o filme Sylvia que é exactamente sobre a vida e a morte da poetisa, com Gwyneth Paltrow no papel de Sylvia. "Sometimes I feel like I'm not... solid. I'm hollow. There's nothing behind my eyes. I'm a negative of a person. It's as if I never - -I never thought anything. I never wrote anything. I never felt anything." Ela era uma poetisa extraordinaria...

Su disse...

Os motivos continuam a ser os mesmos... acabar com o sofrimento em que se vive.

Não necessariamente com a própria vida, mas com a dor que dela vem...

sofia wahnon disse...

Será que podemos pensar que Nicholas por ter tido uma vinculação insegura e, na verdade, interrompida, foi especialmente predisposto a interpretar acontecimentos interpessoais como "rejeições" em sentido lato e daí resultando uma sintomatologia depressiva, por ex.? Não quero cair numa visão reificante no que respeita ao vínculo mãe-filho, num raciocínio do tipo “estava-se mesmo a ver que isto iria acontecer…”. Mas não sei bem porquê não estranhei esta notícia, agora que a leio. Da mesma forma que não estranhei as linhas da poesia (apenas algumas das que li) de Frieda Hughes, sua irmã, filha de Silvya Plath. Há coisas assim, que permanecem lá no fundo até um dia, tão profundas que quando emergem dificilmente se conseguem descrever, até com as palavras certas.

Mário disse...

O que é genético e o que é ambiental? Fica a dúvida.
Mas que a infância e as experiências e vivências dela são incontornáveis e indeléveis, é verdade.
Como se aprende a viver com tais fantasmas, como os das crianças Hughes? Como se exorcizam ou domesticam?
E porque é que a segunda mulher de Ted Hughes escolheu exactamente o mesmo destino de Silvya?
Mas que os poemas dela são de uma força extraordinária, isso é irrefutável. Será que só a amargura desesperada pode proporcionar tais sentimentos, ou permitir tais expressões a nível poético?

Anónimo disse...

Um dia perguntei à nossa Mãe porque é que tudo o que era belo era triste...ela ficou um pouco perplexa, sem saber o que responder. Eu pp não saberia dizê-lo, mas naquela altura, achava que a música mais bela era triste, os poemas mais belos faziam chorar, as histórias de amor mais pungentes eram as mais apaixonantes....
A vida de Sylvia é sem dúvida marcante pela negação do que todos queremos: sobreviver ou viver.


Mas não foi ela só que acabou assim. Virginia Woolf, que sofria de esquizofrenia e tinha um marido extremoso, preferiu afogar-se a continuar a ouvir vozes que não conseguia controlar.

Virgínia