domingo, 29 de março de 2009

num dia de vento e sol. Tisnados pela vida...


Poema: Jacques Brel
Fotografia: MC

Les vieux ne parlent plus ou alors seulement parfois du bout des yeux
Même riches ils sont pauvres, ils n'ont plus d'illusions et n'ont qu'un coeur pour deux
Chez eux ça sent le thym, le propre, la lavande et le verbe d'antan
Que l'on vive à Paris on vit tous en province quand on vit trop longtemps
Est-ce d'avoir trop ri que leur voix se lézarde quand ils parlent d'hier
Et d'avoir trop pleuré que des larmes encore leur perlent aux paupières
Et s'ils tremblent un peu est-ce de voir vieillir la pendule d'argent
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, qui dit: je vous attends

Les vieux ne rêvent plus, leurs livres s'ensommeillent, leurs pianos sont fermés
Le petit chat est mort, le muscat du dimanche ne les fait plus chanter
Les vieux ne bougent plus leurs gestes ont trop de rides leur monde est trop petit
Du lit à la fenêtre, puis du lit au fauteuil et puis du lit au lit
Et s'ils sortent encore bras dessus bras dessous tout habillés de raide
C'est pour suivre au soleil l'enterrement d'un plus vieux, l'enterrement d'une plus laide
Et le temps d'un sanglot, oublier toute une heure la pendule d'argent
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, et puis qui les attend

Les vieux ne meurent pas, ils s'endorment un jour et dorment trop longtemps
Ils se tiennent la main, ils ont peur de se perdre et se perdent pourtant
Et l'autre reste là, le meilleur ou le pire, le doux ou le sévère
Cela n'importe pas, celui des deux qui reste se retrouve en enfer
Vous le verrez peut-être, vous la verrez parfois en pluie et en chagrin
Traverser le présent en s'excusant déjà de n'être pas plus loin
Et fuir devant vous une dernière fois la pendule d'argent
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, qui leur dit: je t'attends
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non et puis qui nous attend.

6 comentários:

Anónimo disse...

Este poema do jacques Brel faz-me calafrios...sempre que o oiço, vêm-me as lágrimas aos olhos e penso no futuro, nos velhos que fizeram parte da minha vida e qie ainda estão vivos na minha memória ou na realidade. É trágico envelhecer....já o sinto, apesar de saber que ainda terei alguns anos bons para vover. Digo anos bons, porque já sei que a partir de certa idade, não serei a companhia ideal, nem sequer para os filhos, serei diferente, mais difícil de entender, encerrada no meu mundo que já não existe, ansiosa por experi~encias que nunca mais viverei, nostálgica de momentos que a minha imaginação fértil trará de novo imaculados...

Não quero envelhecer.
That's it.

Virgínia

Anónimo disse...

Desculpem as gralhas....vejo mal sem óculos!! Sinal de envelhecimento ?!

Virgínia

Anónimo disse...

Alguns cantores poetas conseguem expressar o que se passa com as pessoas como se tivéssem passado pelas experiências e situações delas. Contudo, sabemos que alguns morreram novos e não podem ter vivido essa experiência. É espantoso portanto, o poder da observação, misturado com tanta sensibilidade que às vezes pensamos que os poemas foram escritos para nós ou sobre algumas pessoas que cruzaram as nossas vidas.Como Brel, que exemplifica isso tão bem, também Aznavour tem algumas letras que parecem sair da própria canção e entram no nosso coração.Adoro-os! Mas também sofro quando os ouço.

Mário disse...

Os velhos não morrem - adormecem, como diz Brel, mas residem e estão vivos (alguns, pelo menos) no coração, na alma e nas memórias de cada um.

Os Velhos não estão a morrer, como ninguém está - mas sempre a viver, melhor ou pior, com mais ou menos angústias, mas não será sempre assim desde que nascemos? Não se está a morrer - morre-se... ou adormece-se fisicamente para renascer no cérebro dos outros.

Os Velhos são sábios, têm experiência, viveram muito, adaptaram-se a mudanças extraordinárias - lembro-me da minha Avó, nascida em 1898, e com quem discutia a evolução dos tempos, desde que, quando era jovem, as raparigas tomavam banho vestidas, até aos anos noventa, quando morreu, em que, na tv, "saltavam" maminhas, sexo e outras coisas quejandas: respondia sempre: "vivi a Guerra. Duas. E o assassinato do Rei e do Sidónio. O que é que são umas maminhas ao léu... desde que não me obriguem a mim a mostrar as minhas.".

Os Velhos, aqueles que merecem o V maiúsculo, são parte de nós, nossos somos parte deles, e aqueles que os menosprezam em prol da "evolução", são pesporrentes, parvos, tacanhos e retrógrados. É (também) no aproveitamento social dos Velhos que está a mudança de paradigma que nos fará renascer desta crise de uma forma mais justa, humana e simples.

Mesmo com a "pendule d´argent" ou o sino aqui da Igreja, a mostrar que cada quarto de hora que bate é um quarto de hora que passou...

Ana Paula Branco disse...

Li algures e há muitos anos uma frase que considero muito verdadeira: "Só se morre quando se é esquecido. Por isso, enquanto formos recordados, ainda que por uma só pessoa, viveremos".
Na nossa sociedade negligenciam-se os "Velhos", porque nos esquecemos que é com eles que aprendemos e que sem eles não haveria "história". Bem hajam a todos os "velhos" por terem feito por nós o que infelizmente não se está a fazer por eles.

Anónimo disse...

Aceitar os velhos é aceitar a nossa própria estrada, se a interrompermos não chega a lado nenhum.
Preocupa-me não poder mostrar rugas e cabelos brancos aos meus filhos como se fosse aceitável sermos sempre e apenas presente.
Somos linhas temos espessura concedida por termos 1 história com passado. se tudo renegarmos seremos apenas fugazes apenas presentes