sábado, 29 de novembro de 2008

para Maria de Lurdes Rodrigues e Mário Nogueira


"Comment se fait-il que les enfants étant si intelligents, la plupart des hommes soient si bêtes?

Ça doit tenir à l'éducation."


Alexandre Dumas pai (1802-1870)

8 comentários:

Virginia disse...

Os adultos não são bêtes, são até muito espertos quando lhes convém....

Quanto às crianças, não são nenhuns anjos, tenho visto muita maldade nesses seres tão pequeninos. Lê The Lord of the Flies ou Tom Brown's schooldays...

Essas filososfias rousseauistas e dumáticas não me convencem lá muito.

Quanto ao braço de ferro....a ver vamos quem vai dobrar ou se vão ambos por água abaixo.

Só eu sei porque fico em casa!!

Viva o FCP, único vencedor da UEFA:))

Mário disse...

O que diria o Alexandre Dumas filho, da frase do Alexandre Dumas pai?

Eu também fico em casa - a ver o D´Artacão....

Bom fim de semana.
PS. acho que quando o braço se resolver, o ferro já vai estar enferrujado, e os professores (os escassos que sobrarem) a ter de comer cascas de limão para sobreviver.
Quem sabe o Pai Natal fai um milagre - se existe, seria uma boa altura de intervir, não é?

Mário disse...

Ainda hoje vi no Jornal o caso de uma professora que levou uma sova de um aluno.
Aliás, foi anteontem inaugurada uma Linha de SOS para os pais que levam pancada dos filhos.

Também não acredito na teoria do Bom Selvagem, pelo menos na primeira parte. Na do selvagem, acredito...

miguel disse...

Este ano , todos, alunos e profs fumam fora da escola.

No ano passado os alunos fumavam no recreio. Eu, por sistema intervinha. Para não levar um enxerto de porrada seguia as seguintes estratégias:

- nunca elevar o tom de voz

- colocar, afectuosamente, a mão por cima do ombro do aluno

- pedir para não fumar, em cumprimento do regulamento interno

- tecer, de imediato, considerações a respeito do conceito de requerimento.

- não desistir

- ao 5º pedido - mais ou menos - acentuar o tom do voz ( sem nunca o levantar ) e trocar a palavra "pedido" por "ordem", referindo que ordenar, para mim, não é humilhar.

Geralmente as estratégias resultavam. Nunca " apanhei"

Virginia disse...

Miguel

Acho que todos os professores conseguem dos alunos um mínimo de respeito, mas a muitos colegas falta o tacto, a delicadeza, a sensatez e o jeito para lidar com as situações. Em 37 anos de serviço nunca nenhum aluno foi malcriado comigo de caras...houve quem me chamasse nomes nas minhas costas ou que escrevesse na carteira impropérios contra os profs ( no meu ano de estágio no celebre Pedro Nunes, liceu de elite!!!
Penso que consegui "dar a volta" a muitos...mas agora os alunos estão mais violentos e não sei se conseguiria ter a mesma placidez ou calma.

Mário disse...

Pois é, Virgínia.
Lembro-me bem (não vou reproduzir) do que estava escrito numa carteira do Liceu Normal de Pedro Nunes...
Na altura, quando me sentei nessa carteira e vi o que estava escrito, senti raiva, digo-lhe, não apenas por ser relativo á minha irmã, mas pela cobardia e imbecilidade.

E continuo, passados estes anos todos, a achar que "estas gracinhas de mostrar rabos e escrever palavrões" não são comportamentos "normais" de qualquer adolescente. São-no de malcriadões e ordinários.

Elisete disse...

"Os adultos não são bêtes, são até muito espertos quando lhes convém....

Quanto às crianças, não são nenhuns anjos, tenho visto muita maldade nesses seres tão pequeninos."

Gosto cada vez mais da Virgínia!!!

joaopedrosantos disse...

Também tenho de manifestar a minha satisfação por ver que aqui não anda gente iludida. Tenho uma total descrença na minha geração e sinto alguma vontade de "acordar" quem ache que "daqui" vão sair grandes conquistas e um futuro brilhante.

O facto de hoje haver uma liberdade de escolha absoluta entre ser ou não "quase-analfabeto" ou um infoexcluído são o que mais me arrepia. Não vamos ter uma geração que não foi além quarta classe por ter tido de ajudar os pais no campo ou no café. Falamos de ignorância voluntária. Falamos também do número de jovens que vêm no crime uma oportunidade de futuro.

Hoje temos diferenças entre ricos e pobres. Discutimo-lo e lutamos contra ele. Amanhã teremos os que agarraram as oportunidades e o que não fizeram por isso. Vai ser o grande choque de pessoas com boa educação e as que não a têm.

Entristesse-me ver que temos tantas diferenças na sociedade. Se por um lado me apetece chutar os idiotas que batem nos professores ou que são mal criados, também percebo que acabam por ser consequência de uma prévia segregação.