quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Sistema Inducativo

O novo Alto Comissário para a Educação... ou será o novo ministro? Ou o Agente Fiscalizador das Avaliações dos Professores? Ou um dirigente sindical? Ou a ministra disfarçada?

A minha perplexidade é tanta, perante a energia que esta gente toda tem gasto numa coisa em que - tenho a certeza - há uma solução intermédia e de consenso, que começo a acreditar que estamos mesmo num filme de Hollywood série Z.

Não será melhor começar do zero? Quando uma ministra desvaloriza uma manifestação de mais de cem mil professores, e quando alunos atiram ovos à ministra sem uma condenação dos professores, entrámos definitivamente numa política de galinheiro.

11 comentários:

Virginia disse...

Não concordo de todo com essas atitudes dos alunos e acho muito reprovável que eles não sejam castigados. Lembro-me de uns que mostraram os traseiros à MFL, nos seus tempos de ministra por causa dos exames:)).

Com este governo não é possível dialogar, ainda agora ouvi a Ministra na Assembleia a dizer que tudo corre bem quanto às suas reformas implementadas há 3 anos, quando na maioris das escolas as aulas de substituição continuam a ser uma farsa, os alunos perdem horas a jogar joguinhos de computador ou ao telemóvel e não é possível obrigá-los a portarem-se de outra maneira. Lembro-me bem de querer fazer coisas com eles no clube de inglês fundado pelos profs de línguas e eles recusavam-se a ler revistas, a ver filmes, a preencher fichas giras , a pretexto de que nada sabiam de inglês ou francês. O que fazer, bater-lhes??? Era de doidos 90m a aturar uma turma que não conhecíamos de parte nenhuma.
As aulas de 90m são um fracasso total e esgotamn alunos e profs, no entanto foram obrigatórias - apesar da tão propalada quanto inexistente autonomia das escolas.
Em línguas é um contrasenso, mais vale ter 2 aulas por semana de 45m do que uma de 90!!

O processo de avaliação devia ser explicado na TV por pessoas calmas que estão dentro do assunto e que sabem perfeitamente onde reside a inexiquibilidade do processo.

E dizer que nunca fomos avaliados até AGORA É UMA FALÁCIA. Sempre fomos avaliados pelos alunos, pais de alunos, colegas, estagiários ( tive 54 em 16 anos) universidades que vinham assistir as aulas, defesa do currículo do 7º para o 8º escalão e entrevista com um juri, etc. è a mentira mais falsa que a ministra e os seus sequazes inventaram.

Porque não dizem que querem reduzir o numero de profs e mandá-los à vida, não pagar o foi prometido no início da carreira, protelar a sua ascenção, de modo a que desistam, vão para outro emprego, etc.? Por que não dizem que há profs a mais e que mais vale virá-los todos uns contra os outros por meio duma avaliação inter-pares, que é a coisa mais ridícula até hoje vista?

Tenho visto a série no AXN "Sem Escrúpulos" - chocante, não é? - pois é o espírito desta ministra, dividir, aldrabar, fazer de vítima e culpar os profs por naõ quererem trabalhar dez horas ma escola e outro tanto em casa todos os dias!!!

Basta de autocracia. O Salazar era bem melhor e eu adorava ser prof nessa altura, juro, com aulas ao sábado à tarde e nenhuma tarde livre.

joaopedrosantos disse...

Parte do que penso já escrevi em resposta à entrada anterior.

O que quero acrescentar é que desvalorizo a desvalorização da Ministra. Estas coisas só acontecem porque a Comunicação Social "obriga" a uma reacção que de "acção" não tem nada. A reacção que se quer por parte de qualquer ministro é que a) valorizam e alteram as suas decisões; b) desvalorizam e não fazem mais nada.

Tenho uma questão que não me parece ser irrelevante: não foi todo este processo analisado com sindicatos de professores?

Virginia disse...

O problema é que já há muito que 80% dos profs não são sindicalizados - eu nunca o fui - e eles continuam a dizer que representam os profs, quando só representam uma minoria. A Fenprof é contraproducente pois sempre insistiu na oposição ao governo e negociações estúpidas sem o aval dos profs. Este memorando é um bom exemplo.

miguel disse...

Questão muito, muito complexa.

para já:

- repudio, com todas as letras, o que se passou com a Ministra e os alunos .

- Ñão me revejo já, nas tomadas de posição da FENPROF e do seu secretário geral.

- Não fui à manifestação porque, simplesmente, não quero ser avaliado ( sou velho e já não me apetece competir com colegas pela excelencia formal - se quiserem não me aumentar, não me aumentem; se quiserem que eu não progrida na carreira, impeçam-me a progressão). Ora a manifestação foi convocada tendo como objectivo rever-se esta e pensar-se "uma outra" avaliação.

- Não subscrevo, porque não a percebo, a tomada de posição dos professores da minha escola que, em plenário , toamaram a decisão de parar o processo de avaliação.

- enojou-me a decisão do governo regional da Madeira em atribuir bom a todos os professores. Enojou-me ainda mais a posição, quase de apoio, a Alberto João Jardim e aos seus métodos.

- em todo o caso é bom que todos os grupos socio-profissionais sejam respeitados, apoiados e acarinhados e não apenas por exemplo pilotos e médicos . É bom que se perceba que os professores não são uma figura de retórica do tipo " com grande importância na sociedade e no seu futuro" e depois serem os eternos bonzinhos ou as vítimas de um paternalismo mais ou menos encapotado ou enfim aqueles a quem até se pode agredir ou insultar ( quase como uma fatalidade) sem que daí venha muito mal ou mundo, apenas uma vaga indignação.

Os professores são "massa crítica"( há quem duvide). São muitos. Raramente utilizam -porque não querem - a força que têm. Que a sociedade perceba , de um vez por todas, que os professores podem, um dia, forçar com a sua própria força.

- A Ministra tem nível,é competente, sabe o que quer, reformou. Reformou talvez com uma velocidade impossível de seguir pela maioria dos professores. Indiscutível.Um senão, nunca justificou a reforma segundo critérios economicistas. Logo, mentiu, parcialmente. De qualquer modo, tenho a ideia que o copo ( dos outros, não o meu) transbordou.

E tanto, tanto, que fica por dizer.

Mário disse...

Miguel
Pode ficar muito por dizer, mas em tão curto espaço já disseste tanto!
A pouco e pouco, o cidadão "comum" vai-se esclarecendo.

Zé disse...

O que me deixa triste na tela da contenda entre professores e ministra é que a solidadriedade entre aqueles nas manifestações desaparece quando e onde mais forte e genuína deveria ser: nas escolas. Quando há um movimento de massas, todos são amigos e unidos. No entanto, as guerrinhas pessoais, a mesquinhez das pessoas e o interesse pessoal sobrepõe-se ao interesse comum. Ai como é simples e simultaneamente tão complicado ser-se pessoa... Falo com conhecimento de causa e não porque criticar é o que está a dar. Se bem que motivos para tal é coisa que abunda...:)
Vejamos: os professores contratados vão ser avaliados pelos colegas efectivos da escola onde leccionam. Fará isto sentido? Basta um pequeno atrito entre o avaliado e o avaliador que, por mais competente que seja o trabalho do professor contratado, parece-me pouco provável que o seu avaliador vá ser imparcial na nota a atribuir. Talvez fizesse mais sentido o cruzamento de professores entre escolas que analisariam o portefólio dos contratados e, com base nisso, atribuiriam a nota mais justa.
Outra situação: sou companheiro de uma professora de filosofia que este ano foi colocada numa escola onde está a preparar adolescentes problemáticos (a escola é em Casal de Cambra) para acompanharem crianças num futuro próximo. Na outra turma que tutela nessa mesma escola os seus conhecimentos de filosifoa são aplicados na disciplina de Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho. É com base no trabalho desenvolvido que vai ser avaliada. É justo? É ridículo!
Apesar de ter sido já avaliada no estágio no início da carreira, será novamente avaliada, mas com a pequena diferença de que essa avaliação é baseada não nos conhecimentos que detém de filosofia, mas sim de "A.T.L." e H.S.S.T. que não foram adquiridos ao longo de seis anos de estudo, mas em quinze dias! Não consigo mesmo entender este sistema...
Não será necessário dizer que, para levar o trabalho avante, os fins-de-semana e todo o tempinho livre é passado a trabalhar. Quem paga estas horas de trabalho? Enfim, é só um pequeno exemplo num mar de situações semelhantes.
E muito mais haveria a dizer, mas é melhor ficar por aqui... Tentando digerir a revolta que esta estupidez me inflige...
Um abraço a todos, em especial ao Sr. administrador do blogue!:)

Virginia disse...

Zé, não deve ficar por aqui, deve contar mais histórias aberrantes que se encontram no nosso sistema e tudo o que pode acontecer se este esquema de avaliação ( nem lhe chamo processo, acho que foi um esquema inventado pela ministra para lixar os profs)for avante.

Estou de fora, não serei nunca mais avaliada na vida ( a não ser pelos netos como Avó :), mas choca-me esta facilidade com que os "leigos" criticam os professores, as mentiras que se dizem acerca das suas regalias, férias, privilégios ( quais???). Só queria ver estes "leigos" a dar aulas numa turma de adolescentes de 17-18 anos a frequentar o 9º ano, tão grandes que nem cabem nas carteiras, fartos de tudo, ignorantes mas convencidos que sabem tudo.

Zé disse...

Pode crer que o que diz é verdade, Virginia. O retrato que se pinta dos professores não corresponde de todo àquilo a que estão sujeitos. Eu chego a um ponto em que fico tão revoltado e indignado que nem consigo escrever mais. Há questões tão óbvias que nem sequer merecem discussão. E este sistema de avaliação é uma delas! Impressiona-me a facilidade com que o professor perdeu o estatuto que durante anos deteve. A nobiíssima figura do professor, aquela pessoa por todos respeitada, admirada, o Professor! Um professor é um médico cuja especialidade é a pedagogia, a transmissão de valores, tem por missão preparar jovens para a vida e a mudança de mentalidades de toda uma nação começa aí! Contudo assistimos à degradação dessa imagem, os professores são enxovalhados em praça pública, agredidos por alunos em que não pode depositar-se esperança devido à estrutura social que os acolhe e se, por algum motivo (que é coisa que não falta) chamam os encarregados de educação à atenção, ainda se arriscam a levar umas bordoadas! Enfim, vai de mal a pior...
Sou ainda um jovem de 27 anos e posso afiançar-vos que não tenho esperança nesta m*r*a deste país.
Cumprimentos a todos!
P.S. Virginia, os netos são os avaliadores mais imparciais que há!:)

Virginia disse...

Zé, a sua intervenção comoveu-me porque me lembrou algumas das conversas que tive com professores estagiários de 23-24 anos. Estavam no princípio das suas vidas profissionais, tinham imensas ilusões, fazíamos equipa na planificação de trablahos giros para os alunos, os materiais não eram ultra-supra, mas feitos com gosto e dedicação, passeios ao Gerês com 4 turmas do 7º ano, muito miudos e indisciplinados, problemas vários que fomos tendo ao longo de anos, quase sempre motivados, quer pela falta de experiência das jovens estagiárias, quer pela má criação dos alunos, tudo ia sendo sanado por meio de uma escola que nos apoiava e fazia crer aos alunos que quem manda é o professor por muita democracia que possa haver.
Há um estudo feito por um psicólogo norte-americano, cujo texto tenho num dos meus manuais escolares, que diz: na sala de aula, 1 aluno=1voto representa a ruina de todo o sistema.
Porquê? Porque o alunos é egocêntrico por natureza, não tem discernimento para decidir o que é melhor para todos, só o professor pode negociar com os diversos elementos da turma e impôr por vezes a sua razão pedagógica e científica.

Ser professor é uma missão linda e todos os dias sabia que era diferente, não havia um momento de monotonia. E também não havia aulas de 90m, em que se olha para o relógio vinte vezes ao fim dos 60m, alunos e professores já não aguentam mais.

Poderia ficar aqui a recordar o que foram 37 anos de ensino, mas penso que seria fastidioso. Uma coisa é certa. Não é com vinagre que se matam moscas e esta Ministra julga que o seu vinagre é balsâmico.

zé disse...

Fiquei a saber há pouco que é irmã do Dr. Mário, com quem trabalho!:) Um blogue familiar!
Pois é, os alunos têm mesmo esse perfil idiossincrático que refere. Eu também tinha a mania de que eu é que sabia o que era o melhor para mim e hoje, homem, arrependo-me profundamente por ter ficado no 12º e não ter continuado a estudar. Agora sou um estudante de domingo...
Apesar da minha arrogância enquanto adolescente, sempre respeitei e admirei os professores. Estereotipei a imagem do professor como sendo um poço de sabedoria quase xamânica, a figura suprema do que era ser pessoa. Agora tenho uma mulher linda que é professora e é com muita mágoa que constato que essa imagem não tem valor (para mim tem!), não é apreciada e os alunos não têm o mínimo discernimento para perceber que, se não querem aprender, ao menos abstenham-se de desrespeitar e desestabilizar. Deitam fora o tesouro que os professores têm para dar, como quem atira dinheiro pela janela...
E se professor menos competente houvesse, devriam ser os alunos os primeiros a ter espírito crítico e a contribuir para que as coisas melhorassem, numa partilha simbiótica professor/aluno.
Eu era um adolescente arrogante, apenas no sentido em que eu é que sabia o que estava certo, mas sempre bebi o que os professores me deram e até era bom aluno:)
Como em muitas outras questões da diáspora, os governantes parecem muitas vezes focar um só ponto, um pormenor que os obstina e descuram tudo o resto...
Agora é a avaliação, o Magalhães e todas as outras coisas bonitas que adornam a nossa terra e que nos vão distraindo e demovendo de um novo 25 de Abril (enfim, este é o discurso de um jovem cheio de sangue na guelra que quer mudar as coisas e acordar mentalidades) e de Felgueiras, Apitos Dourados, e de tantos outros episódios de que já nem me lembro. Mas é suposto ser assim: quando há escândalo, esses acontecimentos depressa se apagam das nossas memórias e "Cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas."
Continuo a pensar que os alunos são apenas o fruto do que a sociedade semeou. Nós criticamo-los com razão, mas este problema começou com a falta de organização do pós 25 Abril. Emergiram num ápice bairros sociais na periferia da capital. Desde então já cresceram umas duas gerações problemáticas e esse problema vai continuar a ganhar volume, uma vez que o controlo da natalidade por parte destes cidadãos é nulo; não podem ser expatriados porque são portugueses, ir para a cadeia nada resolve, os apois sociais que lhes dão são recusados, oferecem-lhes o rendimento mínimo de inserção e não trabalham pela simples razão de que quanto maior o número de filhos, mais engorda o subsídio que, por sua vez, em muitas situações, acaba por ser maior do que o que ganhariam noutro trabalho... E as consequências desta política? Ui... Enfim, uma autêntica bola de neve que não sei onde e quando irá colidir...
Já me desviei do assunto central deste tópico, peço desculpa.
Ainda hoje disse ao Dr. Mário que isto me dá cabo do Sistema Nervoso Central!:)
Abraços!

Virginia disse...

A mim tb, Zé...e obrigada pelo apoio moral...