terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

mais uma figura incontornável que desaparece

Morreu Rosa Lobato de Faria, aos 77 anos. Romancista, poetisa, guinista e actriz, foi uma personagem marcante da vida cultural portuguesa, que fica (ainda) mais empobrecida.

9 comentários:

miguel disse...

Mulher belíssima, Rosa sofreu um rude golpe emocional com a morte do marido, há cerca de um ano. Mantive-me relativamente atento às suas declarações, pós-viuvez, que o confirmam. Reli-as há pouco, quando soube da sua morte. Parece que andava debilitada. Desconfio da origem puramente física deste adeus relativamente inesperado.

Testemunhei mais que do um desses mistérios comoventes que é "a morte por amor". Vi a queda, abrupta e inexplicável, dos protagonistas - num tempo muito curto. Nenhum deles padecia , aparentemente, de uma saúde frágil. Num repente , por entre o silêncio a alguns lamentos, houve um emagrecimento, uma queda, a síncope antes do adeus sereno, como quem adormece num sono apatecido.

Acredito que Rosa tenha sido um destes casos. O que comove e conforta.

Mário disse...

O livro de poemas dela tem coisas muito boas. De uma grande sensibilidade.
Os casos de "definhar por desgosto" costumavam ser descritos nos viúvos, incapazes de viver sem as mulheres e não apenas por desconhecerem onde tinham as "peúgas". No entanto, pode morrer-se de amor sem ser activamente. Apenas deixar-se morrer, não descobrir na vida sumo suficiente, encontrar desencanto em cada esquina, nada substituir a pessoa amada, em nada encontrar alento e entusiasmo.
Não conheço suficientemente o percurso mais recente da vida de Rosa Lobato de Faria, mas acredito plenamente no que dizes.

Anónimo disse...

Miguel,

É muito comovente o que escreve, e também já conheci casos desses, fazendo-nos ver o que o AMOR verdadeiro realmente faz às pessoas. É muito triste, mas ao mesmo tempo de uma beleza ímpar.
Quanto à Rosa Lobato Faria, também concordo consigo que era uma mulher muito bonita, em todos os aspectos, tocando-me particularmente a sua sensibildade, a sua arte, a sua classe e elegância (não só física)! Era uma grande senhora.
Por ser o que era, a sua morte comoveu-me bastante.

Anónimo disse...

Esqueci-me de assinar o comentário anterior: Catarina

Elisete disse...

Li os romances todos da Rosa Lobato Faria (infelizmente não são tantos como eu desejaria). Quando ontem ouvi a notícia, não consegui acreditar. Eu, que não acredito na amizade, acredito no Amor. Tal como o Miguel, também assisti a uma situação semelhante e, concordo com a Catarina, é triste mas de uma beleza ímpar.

Virginia disse...

Li dois romances dela e gostei muito. Era realmente uma presença muito pessoal nas séries, nos filmes e concursos, sem nunca deixar aquele toque de dignidade, a educação ( de outros tempos?), a maneira de estar na vida, a simpatia e classe.
Fazem falta na TV mais pessoas como ela que alinham em multiplas actividades e cumprem bem o seu papel , sem entrar em desvarios, nem se degradar. É pena que tenha morrido assim, mas é belo que se morra por amor. Acredito nisso.

miguel disse...

Vejamos: eu não sei se morreu de amor... especulo, somente.

Anónimo disse...

Sabiam que ela era sogra do Pedro Rebelo de Sousa? Por sinal, a filha, Bi, também é muito bonita e simpática. Tem classe como a mãe.

Filipe Snr disse...

'MOURIR D'AMOUR' (Mourir d'aimer')
Charles Aznavour

Les parois de ma vie sont lisses
Je m'y accroche mais je glisse
Lentement vers ma destinée
Mourir d'aimer

Tandis que le monde me juge
Je ne vois pour moi qu'un refuge
Toute issue m'étant condamnée
Mourir d'aimer

Mourir d'aimer
De plein gré s'enfoncer dans la nuit
Payer l'amour au prix de sa vie
Pécher contre le corps mais non contre l'esprit

Laissons le monde à ses problèmes
Les gens haineux face à eux-mêmes
Avec leurs petites idées
Mourir d'aimer

Puisque notre amour ne peut vivre
Mieux vaut en refermer le livre
Et plutôt que de le brûler
Mourir d'aimer

Partir en redressant la tête
Sortir vainqueur d'une défaite
Renverser toutes les données
Mourir d'aimer

Mourir d'aimer
Comme on le peut de n'importe quoi
Abandonner tout derrière soi
Pour n'emporter que ce qui fut nous, qui fut toi

Tu es le printemps, moi l'automne
Ton coeur se prend, le mien se donne
Et ma route est déjà tracée
Mourir d'aimer
Mourir d'aimer
Mourir d'aimer