terça-feira, 25 de maio de 2010

viver sob alta tensão...

crédito: hughstimson.org

Há alguns dias, uns pais pediram-me a opinião sobre a compra de uma casa, com excelentes condições, mas que estava debaixo de uma linha de alta tensão. Estavam em dúvida – gostavam da casa mas a linha gerava inquietação. Pediam-me a opinião. Aproveito para partilhar convosco algumas destas reflexões.

Desde há muito tempo que as linhas de alta tensão são objecto de preocupação em termos do seu impacto para a saúde das pessoas que passam um razoável tempo nas suas proximidades. Aliás, o primeiro grande debate sobre o assunto teve lugar nos EUA, precisamente num mediático processo judicial relacionando a maior incidência de leucemia em crianças com as linhas de alta voltagem ou alta tensão.

Desde então centenas de estudos têm sido feitos, mas talvez devido à dificuldade em estabelecer uma nítida e definitiva relação causa-efeito, os resultados são por vezes contraditórios. Ainda recentemente, o New England Medical Journal, uma das mais conceituadas revistas médicas do mundo, publicava um estudo em que se negavam efeitos negativos para a saúde, enquanto outra das grandes revistas médicas, o British Medical Journal, revelava um em que se afirmava o contrário.

As linhas de alta tensão servem para conduzir a electricidade de um ponto ao outro, na rede de consumo eléctrico que começa nos pontos onde é gerada e termina, por exemplo, no computador onde estou a escrever este texto e no candeeiro que me ilumina o teclado... ou na voz de Katie Melua que sai do leitor de CDs.

Talvez por isso – por sermos ávidos consumidores de electricidade, no nosso trabalho, conforto e lazer -, não podemos simplificar o assunto e dizer que «temos de acabar com as linhas de alta tensão». As linhas de alta tensão, que vemos por exemplo ao logo da estrada, com aqueles dispositivos altos e elegantes, são a melhor forma de transmitir a electricidade. Nas cidades e vilas a transmissão eléctrica é feita debaixo do solo, porque é mais rentável e mais fácil.

Há ou não risco de se viver, ou estar muito tempo, perto dos circuitos de linhas de alta tensão? Como referi, a Ciência ainda não conseguiu dar uma resposta definitiva, o que não quer dizer que o risco não possa existir. O maior factor de risco é representado pelos campos electromagnéticos gerados pelas linhas, os quais não podem ser blindados, ao contrário dos meramente eléctricos.

Cientistas de vários sectores têm chamado a atenção para o perigo que estes campos podem criar – sobretudo nas cidades, em que estão no subsolo -, para a "estabilidade" do ser humano – não apenas no aparecimento de cancros, abortos espontâneos (há quem fale num aumento de 5% do total de grávidas), malformações congénitas e outras doenças, mas também no sono, humor, resistência ao cansaço e noutras valências que perturbam a qualidade de vida sem serem propriamente "doenças"

E você, leitor, compraria a tal casa?

8 comentários:

Catarina disse...

Não! Não compraria a casa.
Better safe than sorry!!!
Catarina

Virginia disse...

Durante alguns anos tb se discutiu muito o perigo das antenas gigantescas de telemóveis que se instalavam nos prédios a troco de una milhares de euros, de que beneficiavam os condóminos, supostamente. No nosso prédio um único condómino se recusou a assinar os papeis ( guess who'?), mas mesmo assim intalaram a antena gigante.
O dinheiro nunca foi apresentado pelo representante do comdomínio - meu colega na Escola, por sinal - e até agora não se sabe ( ou saberá?) o que foi feito de tantos euros.
Os efeitos da antena ainda estão para ocorrer, vivi lá uns tres anos e não sinto que me tenha causado nenhuma doença esquisita, mas nunca saberemos...
Os cientistas tb se dividem quanto à malignidade dos raios ou das ondas emitidas pelas antenas dos telemoveis nas vizinhanças de seres humanos, mas a cidade está cheia delas e há muitos alguens a aproveitar-se da ocasião...

Filipe Snr disse...

.
Está mais que provado que, quer uma coisa (transporte de electricidade em cabos de alta tensão), quer outra (emissões eléctricas emitidas pelos telemóveis), são nocivas para o ser humasno, mas o poder económico é cada vez mais poderoso e consegue fazer frente a todas as restrições que se possam impor, e o Homem é suficientemente estúpido para 'engolir' todas as patranhas que lhe impingem.
Salvam-se como excepção pessoas como a Erin Brockovitch que venceu uma grande guerra contra a 'gigante' Pacific Gas & Electricity e conseguiu uma indemnizaçao de cerca de $333 milhões para os habitantes de Hinckley's Water contaminados, não pela passagem de corrente, mas com os solos contaminados pelas àguas mal drenadas da fábrica de electricidade. Para quem não viu, recomendo o filme de Steven Sonderbergh, de 2000, com a Julia Roberts.

Anónimo disse...

Creio que mais importante do que serem os particulares a decidirem ondem podem ou não comprar casa, deveriam ser as autoridades públicas a dar indicações aos construtores e proprietários onde poderão ou não construir ou comprar casas. Deveria haver limites legais e áreas não permitidas.

Catarina

Miguel Pais disse...

Resposta: Nope!

Rita disse...

Aqui vai um site que poderá ser útil, pelo menos informativo e actualizado: www.lx.it.pt/monit/

sofia costa disse...

Pois, é realmente complicada uma decisão dessas, eu também tenho um cabo de alta tensão relativamente preto de minha casa.
Mas há tanta coisa que nos faz mal e que mesmo sabendo disso não deixamos de as fazer, por exemplo eu fazia uma pergunta simples aos pais: "Os senhores fumam?". Quem é que deixa de fumar porque sabe que provavelmente vai ter um cancro?? Muito poucos...

argumentonio disse...

só um 'comlicençazinho':

«Nas cidades e vilas a transmissão eléctrica é feita debaixo do solo, porque é mais rentável e mais fácil.» - em muitas cidades e vilas (São Paulo e Fortaleza, só para dar exemplos de cidades muito maiores que Lisboa)há rede eléctrica aérea - linhas - precisamente porque o estabelecimento de redes subterrâneas é muito mais caro e de mais complexa gestão, para instalação, vistorias e manutenção, sobretudo em caso de emergência, pois não se vê e não está tão acessível, susceptível de transtornar transeuntes, comércio, residentes, trânsito automóvel, etc

apesar do aumento do custo e como bem se diz no post, o enterramento dos condutores em nada melhora a radiação electromagnética, apenas esconde da nossa vista a fonte emissora desses perigosos campos magnéticos

e uma opinião modestíssima:

«E você, leitor, compraria a tal casa?» - creio que não comprava uma casa na esfera próxima de uma linha eléctrica de alta tensão

embora os estudos credíveis - Organização Mundial de Saúde e autoridades competentes em segurança e qualidade das instalações eléctricas - não estabeleçam relações de causa-efeito com a panóplia de maleitas alarmistas a que a comunicação social recorre para vender audiências, certo é que há muito boas razões para se planear adequadamente as distâncias razoáveis entre as linhas e as construções habitadas

é que os efeitos só não são nocivos quando se cumprem os parâmetros de segurança regulamentares - mas pode haver erros, defeitos ou acidentes; aliás, mesmo de natureza puramente eléctrica, mecânica, sonora ou visual, pois também não é recomendável viver debaixo de uma ponte, fábrica (vide as nossas pirotécnicas, supostamente cumprindo as regras, que explodem à razão de 1 por mês...) ou qualquer outra fonte de perigo - muito à beira mar ou rio, é bonito e poético mas perigoso

assim, a questão dos efeitos dos campos magnéticos é secundária: quem vê uma linha da janela ou a ouve zunir em dias húmidos talvez esteja mais sujeito a doenças e mal estar que quem está livre dessa inconveniência - o factor campos magnéticos não é preciso nesta equação - por razões associadas aos diferentes graus de serenidade e despreocupação

e uma conclusão:

problema de monta é quando, por mau planeamento, se autorizam urbanizações sob as linhas ou se autorizam linhas sobre as urbanizações, crindo por incompetência interesses divergentes e arrelias de difícil solução

agora meter-se na boca do lobo?

eh eh ...

;_)))