quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

São Silvestre



Embora seu nome se confunda com as corridas anuais que percorrem as ruas no último dia do calendário Gregoriano, São Silvestre já existia antes dela.

Foi o primeiro santo não-mártir e morreu  no dia 31 de Dezembro e, enquanto papa, São Silvestre revolucionou a doutrina e ligou o Clero ao Estado. Também estabeleceu que o cristianismo passaria a ser a religião oficial do Império Romano (e aqui chegou também por essa via), abrindo aos cristãos a hipótese de professarem a sua fé sem restrições, 300 anos depois do seu início, e de brutais perseguições.

Com o dia de São Silvestre acaba o "Ano Velho", mas talvez por isso possa er um dia de reflexão sobre o que se passou, o que desejamos e o que não queremos, ponto de partida essencial para um 2010 melhor.

Em 1991 e 1992, respectivamente, acabaram oficialmente neste dia a União Soviética e a Checoslováquia.

Hospital Central


Talvez a melhor série sobre "médicos e afins". Mete o ER num chinelo e deixa o agora-ridículo Dr. House na idade da pedra. Vem da Tele-Cinco espanhola.

Impecável do ponto de vista clínico, interessante, aborda com frontalidade os temas sociais, perito em estudar e apresentar as relações humanas, afectivas e profissionais.

Hospital Central é mesmo bom! E, ainda por cima, ouve-se um belíssimo castelhano, em que os actores (excelentes) dizem "joder" e "coño" de uma maneira sublime!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

intimidade? o que é isso?


É assim que vamos ser vistos pelos funcionários de controlo dos aeroportos.

O chamado "scanner corporal" começou hoje a ser utilizado por rotina no aeroporto de Schiphol, Amsterdam, nos voos para os EUA. Outros se seguirão. O avião não explodiu mas a Al-Qaeda marcou novamente pontos.

Não deixa de ser triste para a Liberdade.

chove chuva - uma canção para deixar de chover (?!)


Fica aqui um "canto a Iemanjá" ou algo parecido, nestes dias chuvosos, antevendo o fim-de-semana prolongado, e atendendo ao que se passa no Oeste, Algarve, Porto, etc,, para ver se as coisas melhoram.

A letra é de Jorge Ben, um dos percursores da Bossa-Nova e da MPB, e embora de uma indigência poética total, pode ser que resulte... eu não canto porque, se cantasse, chovia ainda mais!!!

Chove Chuva

Chove sem parar...
Chove Chuva

Chove sem parar...

Pois eu vou fazer uma prece
Prá Deus, nosso Senhor
Prá chuva parar
De molhar o meu divino amor...


Que é muito lindo
É mais que o infinito
É puro e belo
Inocente como a flôr...


Por favor, chuva ruim
Não molhe mais
O meu amor assim...

Chove Chuva
Chove sem parar...

Sacundim, sacundém
Imboró, congá
Dombim, dombém
Agouê, obá
Sacundim, sacundém
Imboró, congá
Dombim, dombém
Agouê
Agouê, oh! oh! oh! obá
Agouê, oh! oh! oh! obá
Agouê, oh! oh! oh! obá...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

de volta à cidade


Com chuva, cinzentude e algum trânsito. E os compromissos da ordem.
Sabia tão bem um aninho de reforma, para dispôr totalmente do Tempo... mesmo que isso seja um privilégio dos deuses...

Fotografia: MC

domingo, 27 de dezembro de 2009

dou-te vinho, dás-me roupa...


Passadas as Festas, regressa-
mos ao nosso ram-ram...

Celebrado no dia 27 de Dezembro de 1703, o Tratado de Methuen estabelecia a ausência de impostos nos vinhos exportados para Inglaterra e nos têxteis exportados de Inglaterra para Portugal, independentemente de estarem em guerra contra ou a favor de França.






He estipulado que Sua Sagrada e Real Magestade Britanica, em seu proprio Nome e no de Seus Sucessores será obrigada para sempre daqui em diante, de admitir na Grã Bretanha os Vinhos do produto de Portugal, de sorte que em tempo algum (haja Paz ou Guerra entre os Reynos de Inglaterra e de França), não se poderá exigir de Direitos de Alfândega nestes Vinhos, ou debaixo de qualquer outro título, directa ou indirectamente, ou sejam transportados para Inglaterra em Pipas, Toneis ou qualquer outra vasilha que seja mais o que se costuma pedir para igual quantidade, ou de medida de Vinho de França, diminuindo ou abatendo uma terça parte do Direito do costume.

Será que hoje em dia, Sócrates e Gordon Brown fariam o mesmo acordo? Haaaaa.... a relembrar a sintonia no caso Maddie...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz Natal


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Poemas de Natal 6 - Toca o sino pequenino






Toca o sino pequenino
Sino de Belém,
Já nasceu o Deus Menino
Que a Senhora tem.

É Natal, é Natal,
Vamos sem demora,
Já nasceu o Deus Menino
Que a Senhora adora.

Poemas de Natal 5 - dois poemas


De Trás-os-Montes a Goa, fica aqui uma homenagem à gesta portuguesa. Só nós, para fazer tanta asneira, mas também tanta coisa boa.

Natal  de Trás-os-Montes

Bem pudera Deus nascer
Em cama de pedraria;
Mas p'ra dar exemplo ao mundo,
Nasceu numa estrebaria.


Ó meu Menino Jesus,
Vestido de azul-celeste!
Hei-de pedir à Senhora
Para ser Ele o meu Mestre.


Natal de Goa

Vamos a Belém beijar o menino.
Filho de Maria, o Verbo Divino!
Vamos a Belém, vamos apressados.
Luzes aparecem por esses 'scampados!
Vamos a Belém, vamos sem demora.
A ver o Menino que nasceu agora!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

mau tempo no Oeste


A "nossa" Região Oeste foi massacrada pelo pequeno tornado que, ontem, resolveu fazer caminho pelos concelhos de Torres Vedras e Lourinhã.
Segundo soube, por um amigo que lá mora, os estragos foram violentos e o medo muito.
A ver se há tréguas no Natal.
E a ver se os viajantes natalícios conduzem com tranquilidade, não bebem bebidas alcoólicas e usam cinto de segurança no banco de trás.

Poemas de Natal 4 - O menino da senhora


Por sugestão da minha afilhada Catuxa, aqui fica este simples poema de Natal, símbolo do que há de mais genuíno, verdadeiro e humilde no Povo:

O menino da senhora
ai, ai, ai
chama pai a S. José

trolaró, laró, laró.

Que lhe trouxe os sapatinhos
ai, ai, ai
da feira de Santo André
trolaró, laró, laré.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

momentos alentejanos

Recuerdos de um passeio ao Alentejo. As imagens dizem da beleza desta Região.
Frio e sol = excelente combinação.

Fotografias: MC





má notícia para os amantes de Jazz



Depois de 60 anos, é o provável fim do Hot Clube de Portugal na Praça da Alegria, em Lisboa. O prédio ardeu durante a madrugada, a sala de espectáculos foi inundada e o edifício poderá não ser recuperável.

Poemas de Natal 3 - Natal de Évora



O menino está dormindo
Nas palhinhas, despidinho,
Os anjos lhe 'stão cantando
Por amor tão pobrezinho.


O menino está dormindo
Nos braços da Virgem pura.
Os anjos lhe 'stão cantando:
"Hossana lá nas alturas".


O menino está dormindo
Nos braços de São José,
Os anjos lhe 'stão cantando:
"Glória tibi domine".


O menino está dormindo
Um sono de amor profundo
Os anjos lhe 'stão cantando:
"Viva o salvador do mundo"!





segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

às 12.04. Ei-lo!


Começou o Inverno Saudemo-lo, pedindo-lhe alguma compreensão por nós, mortais, e aguentemos os dois meses crus e monótonos que se seguem...

Poemas de Natal 2 - A todos um bom Natal


 
A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós

No Natal pela manhã
Ouvem-se os sinos tocar
E há uma grande alegria, no ar

Nesta manhã de Natal
Há em todos os países
Muitos milhões de meninos, felizes

Vão aos saltos pela casa
Descalças ou com chinelos
Procurar suas prendas, tão belas

Depois há danças de roda
As crianças dão as mãos
No Natal todos se sentem, irmãos

Se isto fosse verdade
Para todos os Meninos
Era bom ouvir os sinos tocar.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Benfica. Sempre!


Grande jogo. Humildade e querer. Espírito de sacrifício, com meia equipa no estaleiro. Aqui, os mouros mereceram ganhar aos celtas...

ainda os eléctricos


A pedido de "várias famílias" (ver comentários na entrada mais abaixo) , aqui ficam estas recordações. Lembram-se da procura de capicuas? E das "zorras" que passavam nos carris e faziam algum receio?

aviso às gentes do Norte

Impacto económico do clássico é idêntico à última prova Red Bull Air Race
JN on-line

Consta que António Costa vai solicitar que o próximo Porto-Benfica se realize no Estádio Alvalade XXI...

a Natureza pinta também...


Fotografia: MC

sábado, 19 de dezembro de 2009

eléctricos de Lisboa



Fotografias: MC

Gosto dos eléctricos de Lisboa. Os antigos, antes dos rápidos "forrados" a Coca-Cola ou a qualquer perfume.

Os eléctricos representam a memória e o vagar que o dia-a-dia, especialmente numa grade urbe, tem de cultivar.

Há inúmeras representações de eléctricos - azulejos, pinturas, aguarelas, pequenas réplicas - algumas delas muito bonitas. Embora vão escasseando, são um ícone da cidade, e vale a pena demorar o olhar neles.

Um amigo meu comprou uma vez um eléctrico velho, à Carris, e colocou-o na Praia do Baleal,  fazendo dele a sua "casa de férias". Outro amigo meu colecciona tudo o que tem a ver com eléctricos. É um fenómeno bonito, e o museu da Carris mostra bem a evolução desde o "americano".

Bom fim de semana!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

fantasia, desejo ou apenas motivo para ser corrido de deputado?

O deputado do PSD Carlos Peixoto disse esta sexta-feira, em declarações à Rádio Altitude, que quem admite um casamento homossexual pode também vir a aceitar o casamento entre irmãos ou pais e filhos.

vacina anti-gripe A até aos 12 anos

A partir de segunda-feira começa a vacinação das crianças até 12 anos com a vacina anti-gripe A.
Basta ir ao Centro de Saúde (convém telefonar primeiro porque pode haver dias em que não vacinam).
Já sabem a minha opinião sobre a pertinência da vacinação.

a César o que é de César...

Casamento: regulamentação da união de duas pessoas, segundo a Lei do Estado Civil.
Matrimónio: regulação da união de duas pessoas, segundo os Dogmas de uma Igreja.

Não se compreende a confusão, nem a intervenção das Igrejas num processo de um Estado Civil. Seria o mesmo que o Governo (ou o povo, em referendo), se pronunciasse sobre, por exemplo, se o celibato dos padres faz algum sentido.

Malhas que o Império tece, ou como o obscurantismo salazarengo ainda está dentro da psique lusitana...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

rigor jornalístico

Um homem com outras patologias associadas morreu de gripe A após ter tomado o medicamento 'Tamiflu'. Este é um dos primeiros casos de resistência ao antibiótico.
          Correio da Manhã

1. "morreu após ter tomado o medicamento" sugere, sem margem para dúvidas, que o medicamento foi a causa da morte... errado. A frase correcta deveria ser: "morreu apesar de ter tomado o medicamento". Completamente diferente, convenhamos...

2. o Tamiflu não é um antibiótico... mas um antivírico, porque, que eu (e toda a gente) saiba, não falamos da "bactéria da gripe", mas do "vírus da gripe".

Tanta gralha e imprecisão em duas linhas, no jornal mais lido pelo povo português. Será que o rigor jornalístico é rigor mortis?

o assunto deveria ser levado ao Tribunal de Haia

Adorei ver o ar revoltado e afirmativo com que um senhor dizia, na TVI que "os presentes de Natal são dados pelo Menino Jesus e não pelo Pai Natal", e que "é altura de repor a verdade!". Ainda bem que há crenças entusiasmadas...

red bull

"Lisboa leva sempre o que no Norte há de melhor" - lamentava-se há pouco, na televisão um comerciante, apoiado pelos presidentes das autarquias do Porto e de Gaia.
Não será melhor responder às perguntas: "Porque é que o Norte deixa fugir o que, pelos vistos, tem de melhor? E porque é que os autarcas não fizeram valer as mais-valias que supostamente o Douro teria para a realização da prova?".

se querem medir forças, vamos a isso...

Por acaso dei por ele - acordou-me, o malandro. Não se comparou com o de 1969, esse sim, prolongado e a fazer dançar a casa onde eu vivia (uma enorme moradia). Não me assusto com tremores de terra, mas respeito-os muito, como a todas as manifestações da força da Natureza.
E aqui deixo um poema ("De manhã, de madrugada") que escrevi sobre o terramoto que destruíu parte da Ilha do Faial, nos Açores, há cerca de vinte anos. Com um abraço ao nosso amigo Sérgio Paixão.

Dezanove minutos

Depois das cinco
Da manhã
Juro
Julho
Mil novecentos e noventa e oito
Oito
Oito graus da escala de Mercali
Oito mártires
Sem escala
Sem fala
Sem final


Faial
Vinte segundos de terror
De pavor
Vinte
Vinde
Vinde assistir
Vinde assistir à agonia das aldeias
Antes do bater das cinco e meia
Vinde assistir
À derrocada
De uma vida
E à gente que viu, perdida,
Perder tanta gente amada

Dezanove minutos
Depois das cinco
Da manhã
Julho
Juro
A terra oscilou
Violentamente
Ondas de abano
Entraram pela alma
E abalaram a calma
Do viver açoriano.


Em Espalhafatos
Os desbaratos
Pareciam também
O ímpeto violento
Da Terra-Mãe.
Desabamentos
- a terra treme -
Aluimentos
- a terra treme -
Esbarrondamentos
- a terra treme -
Desmoronamentos
- a terra geme -
Geme.
E o homem teme
O desafio.
Onde está o leme
Deste navio?
Quando a vida está por um fio
E os segundos são uma eternidade,
Onde está o patrão
Desta embarcação?
Porquê esta a realidade
Que nos é dada?
O mundo a ruir
E os demónios a rir
Com o aluir
Das esperanças dos fiéis,
Um tudo nada
Antes das seis.


Dezanove minutos
Sim, dezanove,
Depois das cinco
Da manhã.
Repara que não chove
Na fajã.
O mar está raso
O vento acaso
E o alvorecer não tarda,
Mas nem os animais
Pressentem a bombarda.

Juro
Julho
Dezanove.
Mais de quatro mil sequelas
E outras tantas derrocadas
Vidas singelas
Destruídas
E outras tantas vidas
Destroçadas
Por um sismo
Sepultadas
Pelo cataclismo,
Sem barulho,
Sob os pedregulhos
Da terra fértil
Da terra vasta,
Que numa simples manhã de Julho
Puxou da vergasta,
E foi madrasta.

parabéns, Alice...

Em 30 anos de carreira, comemorados hoje, Alice Vieira escreveu dezenas de livros, ganhou prémios, marcou gerações de leitores e alargou o agregado familiar com filhos e netos "postiços" com quem se corresponde por carta.

Em 1979, um pedido dos filhos transformou a jornalista do Diário de Notícias numa escritora de livros infanto-juvenis.
"Rosa, minha irmã Rosa ' surgiu porque os meus filhos pediam muito para escrever histórias para eles. Queixavam-se que eu saía muito cedo e chegava muito tarde a casa e que nunca escrevia nada para eles", recordou em entrevista à Lusa.
"Para ver se os calava", Alice Vieira desafiou-os a escreverem uma história em conjunto com ela.
Durante umas férias, os finais de tarde eram passados à volta da mesa de casa a trabalhar naquele que se tornaria uma referência para centenas de crianças.
         Expresso on-line

Mesmo que seja uma personagem polémica e, até, no discurso, algo desagradável (na minha opinião, note-se!), Alice Vieira é uma marca incontornável da literatura infantil em Portugal. Parabéns!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

paga, paga, que o Zé não refila


O Tribunal de Contas chumbou a utilização de uma central de compras para a Saúde, argumentando que é ilegal obrigar os hospitais a fazerem as compras através desta entidade.
          Público on-line

O Tribunal de Contas, por vezes, parece ser uma instituição de empatas. Ou a legislação que regula estes aspectos.

Durante três anos, em que trabalhei na Comissão Nacional de Saúde Infantil, há 15 anos, tínhamos de gerir um orçamento anual de um milhão e meio de contos, o que não era pouco para a altura, referente ao equipamento supletivo e de apoio dos serviços de pediatria, dentro dos programas que a Comissão definia como prioritários (cuidados intensivos, neonatologia, humanização, nefrologia e cardiologia, etc).

Pude aperceber-me das diferenças monumentais de preços, entre a compra isolada por um hospital e a efectuada pela Comissão (cerca de um terço do valor), o que permitiu ampliar enormemente o "recheio" dos serviços, sempre tão carentes. Por outro lado, a uniformização dos aparelhos e do material permitia a melhor substituição de peças e a manutenção, mais difícil quando cada um tinha a sua marca.

Mesmo que os hospitais públicos sejam SA e outras coisas, o pagamento pelo Estado, a um preço muito mais elevado, para satisfazer caprichos de administradores é incompreensível. Vão pagar muito mais caro e o dinheiro não vai chegar para tudo.

Todos perdemos, mas alguns ganham - por enquanto só vejo as empresas que fabricam os referidos aparelhos e materiais. O rigor acéfalo do Tribunal de Contas acaba por ser cúmplice. E quem não muda as leis que são contraproducentes também.