quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Hospital Central


Talvez a melhor série sobre "médicos e afins". Mete o ER num chinelo e deixa o agora-ridículo Dr. House na idade da pedra. Vem da Tele-Cinco espanhola.

Impecável do ponto de vista clínico, interessante, aborda com frontalidade os temas sociais, perito em estudar e apresentar as relações humanas, afectivas e profissionais.

Hospital Central é mesmo bom! E, ainda por cima, ouve-se um belíssimo castelhano, em que os actores (excelentes) dizem "joder" e "coño" de uma maneira sublime!

5 comentários:

miguel disse...

É a primeira opinião( ainda que muito indirecta) que eu leio, feita por um Médico, sobre aquantidade de séries de hospitais que fazem sucesso na TV.

Gostav muito de ler o ponto de vista ( mais desenvolvido ) do editor sobre , por exemplo, "ER"

abraço

Huckleberry Friend disse...

Estamos de acuerdo, señor doctor. ER descaracterizou-se muito, embora eu continue a apreciar a Grey e a Clínica Privada. Mas nada, de facto, com um bom joder, tío no momento certo. Agora deste-me saudades das passagens de ano em terras espanholas...

Filipe Snr disse...

De acordo. O HC diz-nos mais. É toda a Latinidade (ou Iberismo) que tem muito mais a ver connosco do que os problemas médicos/sociais em Seattle. Mesmo a Private Practice também pende muito para os problemas da sociedade americana. Pena seja que o HC seja transmitido aos sábados, cerca das 15.00 horas, e não à noite noutro dia pois certamente que a audiência seria maior.

miguel disse...

Confesso: ER foi, em tempos, uma série que me comoveu, que eu admirei muito.

Pergunto: é, aquela, a realidade aproximada, de um serviço de urgência? Merecem os médicos a admiração que os telespectadores por eles nutrem depois de verem um episódio de ER?

Mário disse...

Miguel - o ER é muito interessante, e bem feito do ponto de vista do serviço de urgência americano, em que há equipas contínuas. Em Portugal, salvo raras excepções, não há aquele grau de urgência e as equipas mudam. Aliás, uma coisa que fica bem patente é o que se constata: nos EUA, naquele hospital que serve de bom exemplo para os outros, tudo o que chega é urgência. Cá, só 5% justificam uma ida a um verdadeiro ER.

Quando estive em Oxford, há quase 25 anos, das 25 crianças que iam por dia ao banco do hospital (numa área de atracção de 500.000 habitantes), 18 eram internados. Ao mesmo tempo, em Santa Maria, com uma população semelhante, iam 300 crianças das quais 10 ficavam internadas...

O ER deu o que tinha a dar porque as situações se repetem, e a vida exterior (que só se iniciou com na 4ª ou 5ª temporada) é demasiado americana. Repete-se muito, embora bom.

O House tornou-se numa fantochada e completamente surrealista: alguma vez uma pessoa dominaria tantas técnicas, faria tanta coisa, desde trazer a arrastadeira a biópsias cerebrais? E sempre aquela coisa de: "este medicamento, ou salva o doente ou o mata. E o House, personagem estimulante e provocador, tornou-se num pateta e só gostei de ver o australiano dar-lhe um grande murro no focinho.

O Hospital Central é muito bom. Mesmo muito bom, para lá de eu adorar ouvir castelhano. Pena ir já na 11ª temporada. Comecei a gravar na Zonbox e tenho seguido os episódios. Muito interessante, dinâmico, bem construído. As personagens são mesmo boas. É o que se chama: uma excelente telenovela, mas com aquela coisa boa de ter um enredo transversal, que dá para os mais maníacos seguirem as entrelinhas, mas com muito sumo em cada série e até dá para entender algo da trama de base.

Mas voltaremos ao tema, porque outra coisa é o interesse pelos temas de saúde e de hospitais, mas na base de serviços de urgência, o que também é interessante. Curiosamente, os filmes e séries de advogados decaíram, depois de um auge nos anos noventa.