quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

paga, paga, que o Zé não refila


O Tribunal de Contas chumbou a utilização de uma central de compras para a Saúde, argumentando que é ilegal obrigar os hospitais a fazerem as compras através desta entidade.
          Público on-line

O Tribunal de Contas, por vezes, parece ser uma instituição de empatas. Ou a legislação que regula estes aspectos.

Durante três anos, em que trabalhei na Comissão Nacional de Saúde Infantil, há 15 anos, tínhamos de gerir um orçamento anual de um milhão e meio de contos, o que não era pouco para a altura, referente ao equipamento supletivo e de apoio dos serviços de pediatria, dentro dos programas que a Comissão definia como prioritários (cuidados intensivos, neonatologia, humanização, nefrologia e cardiologia, etc).

Pude aperceber-me das diferenças monumentais de preços, entre a compra isolada por um hospital e a efectuada pela Comissão (cerca de um terço do valor), o que permitiu ampliar enormemente o "recheio" dos serviços, sempre tão carentes. Por outro lado, a uniformização dos aparelhos e do material permitia a melhor substituição de peças e a manutenção, mais difícil quando cada um tinha a sua marca.

Mesmo que os hospitais públicos sejam SA e outras coisas, o pagamento pelo Estado, a um preço muito mais elevado, para satisfazer caprichos de administradores é incompreensível. Vão pagar muito mais caro e o dinheiro não vai chegar para tudo.

Todos perdemos, mas alguns ganham - por enquanto só vejo as empresas que fabricam os referidos aparelhos e materiais. O rigor acéfalo do Tribunal de Contas acaba por ser cúmplice. E quem não muda as leis que são contraproducentes também.

2 comentários:

Filipe Snr disse...

O Tribunal de Contas, infelizmente, rege-se estrictamente 'by the book' e pelas interpretações pessoais dos seus membros, na grande maioria conservadores, esquecendo-se das vertentes sociológicas e económicas.

De facto, a compra directa e individual aos vendedores/representantes dos produtos e equipamnto só virá a tornar tudo mais caro pois não dará azo ao chamado 'desconto de quantidade'. Toda a gente sabe isso!

É òbvio que a factura será depois suportada pelo Estado, ou o custo empolado traduzir-se-à numa aquisição mais reduzida ou de mais fraca qualidade e, em qualquer dos casos, de facto quem sofrerá com tudo isto são os utentes, também 'Zé Pagantes' como se refere no título desta inserção.

Quem vende vai, gostosamente, 'encher os bolsos' (e dar bons presentes aos Directores e Administradores hospitalares - cála-te bôca!...).

Este País não aprende...

Virginia disse...

Concordo inteiramente convosco. Lembro-me que quando participei no projecto Comenius também tínhamos de mandar vir materiais para a escola e acabávamos por comprá-los todos na mesma loja, dado que faziam um desconto avultado pelo stock de material.Aqui não se está a seleccionar um amigo, mas a escolher o que é melhor para o Estado pagante ( ou a UE pagante, nesse caso).