sábado, 4 de julho de 2009

seis anos depois... será?

Ao reler algumas coisas antigas, encontrei esta Entrada, que foi publicada no Blógica da Batata, do qual o meu filho Pedro e eu éramos os Blogmasters.
O Pedro estava em Madrid, e resolvi escrever-lhe:

Para o Pedro, resistente em Madrid: não é que em Lisboa esteja um dia particularmente bonito, mas Lisboa é sempre Lisboa, como dizia o poeta, cantava o fadista e sublinhava Monsieur de La Palice. E sabe bem viver aqui, mesmo sabendo que amanhã começam oficialmente as obras do "Inferno das Amoreiras", com o túnel fechado ao trânsito por 15 meses e o que demais se adivinha.

A auto-estrada que vai de Seia à Torre, na Serra da Estrela, deve estar já seguramente programada, bem como o 3º Aeroporto Internacional de Lisboa - a avaliar pelos nomes que devem estar na calha para baptizar o próximo, seráo necessários vários - se já existe um "Sá Carneiro" e uma auto-fundação "Mário Soares", um auto-Estádio "Vieira de Carvalho" e, até, uma auto-Biblioteca "Marcello Rebelo de Sousa", coitados de todos os Guterres, Durões e outros que tais, sem sequer um chafariz que consagre o seu nome para a posteridade... E, estou certo, se conseguimos continuar a manter os critérios de convergência e deficits abaixo dos 3% (na DSM IV, da Classificação das Doencas da Saúde Mental, este pormenor deve entrar no capítulo das "neurosses obsessivas"...), que mais e mais projectos de betão, como as gengivas do anunciante de uma pasta dentrífica, se perfilam nos horizontes.

Quanto às pessoas, enfim, são apenas pessoas - o que valem elas, na sua passagem efémera por este mundo, comparativamente com o Futuro... "porque lhes dais tanta dor, porque padecem assim"? Meu caro poeta, provavelmente a resposta é: porque são néscias ou ignorantes, porque não se mexem nem protestam, porque são más consumidoras, porque têm uma ideia da qualidade que é, ela própria, "abaixo de cão" e porque votam mal... "Batem leve, levemente", mas se calhar deviam dar com um bocadinho mais de força!


Não foi ontem. Foi há seis anos!

22 comentários:

Huckleberry Friend disse...

Gostei de ler isto. Racional e emocionalmente. Um beijinho, Pai.

miguel disse...

Há, no texto, uma referência, visionária, ao novo Aeroporto de Lisboa.Questionam-se nomes, posteridades .

Noto, em textos anteriores , algum consenso em relação a Paulo Rangel. O bom iconoclasta . Joga com o absurdo ( o que ele julga que é absurso )dos exageros e dos consensos.

Nesta perspectiva avançaria, se me pedissem a opinião,com a seguinte proposta:


" AEROPORTO INTERNACIONAL PAULO RANGEL "


...para exaltar o pós - 25 abrilismo e cortar de vez com os tiques revolucionários que marcaram uma geração, aquela que deixou o país como está.

:)

Anónimo disse...

Oxalá NÂO haja nenhum aeroporto de Lisboa novo, vai ser a ruina do país para os 30 anos vindouros, aliado ao TGV que nenhuma falta faz e nem sequer vai ter utentes que valham a pena. Quem quiser ir a Madrid vai de avião do Porto pela Ryanair:). Paga 100 euros ou menos.
O Miguel Sousa Tavares - que é socialista até a à medula - defendeu bem essa posição na 5ª feira na TVI. Vale mais viajar pelo Porto, que tem lugar para muitos mais aviões do que por Alcochete ( falo de toda a população do Norte e Centro do país que é mais de metade).
Entretanto a Ryanair resolveu escolher o Sá Carneiro para sede e vamos ter mais uns 30 vôos daqui para cidades da Europa por tuta e meia. Ir a Leeds ( norte de Inglaterra) agora fica por 40 contos , ida e volta, avião+ comboio, pouco mais do que a viagem em classe conforto a Lisboa :)). A TAP continua a exigir que se vá para Faro por Lisboa o que é uma estupidez all-arve, os turistas fazem Leeds-Faro por muito menos do que nós do Porto. Foi o que aconteceu com a minha filha há anos.
Se tivermos TGV com monopólio da CP ou outra, os preços vão ser brutais e a maioria continuará a preferir o Pendular:)))

Noto que a vossa alergia ao Rangel se deve ao receio da sombra....e isso é muito bom. O meu filho tb se queixava dele na Católica, pela imprevisibilidade e exigência nas aulas e agora diz que foi o melhor prof que lá teve.

V.

Mário disse...

Pois é, Pedro, tempos bem giros e um Blogue dos mais velhinhos da Blogosfera portuguesa. A Batata ainda lá está, a grelar...

Este texto foi escrito há seis anos, em pleno governo de Fujão Barroso, e com o Leite Magro como Ministro das Finanças. Em seis anos, o PSD fez a maior pirueta que se pode pensar, como no caso da 3ª auto-estrada Lisboa-Porto, agora adjudicada mas aprovada por... Ferreira Leite.

Quanto a Paulo Rangel, a questão não é a sombra, Virgínia, mas o estar com alguma flatulência, estilo rã que queria ser boi. Tem de ter cuidado na gestão de imagem ou faz "bum!". E, mesmo num país de Dons Sebastiões, não é ele que vai salvar o povo e a nação... mas parece.

A intervenção do PR na pega de caras é, no mínimo, ridícula, quase tanto como o "eu e a Maria tirámos as notas de debaixo do colchão". Um PR tem de pronunciar sobre tudo? Não tem assessores que lhe mostrem um caminho? Ou será que é por o Pinho ser do PS, porque quando os insultos ^vieram de um deputado do PSD, Belém manteve-se, como a Drª Manuela Ferreira Leite e o líder da bancada do PSD (de seu nome Bernardino Soares, digo, Paulo Rangel), em completo silêncio.

De onde se pode concluir que "cornos" irritam as personagens do PSD, mas "caralho", não. Não é um caso de polícia, mas de Dr. Freud...

Anónimo disse...

Mário:

Quanto ao Rangel estamos conversados, não vale a pena discutir estilos e pessoas, quando só se vêem dum lado. Ainda bem que existem pessoas como estas, diferentes, alegres, com sentido de humor que no PS morreram.

Quanto a flatulência e pesporrência, o PS tem vários exemplares notáveis, a começar pelo Zé Sócrates ( como lhe chama o meu neto de 3 anos, que coitado já sabe quem é o homem dos cartazes).
Gostava que visses uma foto do homem no Congresso da Carnegie Melon no Palácio da Bolsa, como se só dele fosse o esforço e o talento para pôr tudo aquilo em movimento...um ego do tamanho dum......BOI!

V

Mário disse...

Uma jornalista que conheço e que acompanhou o Rangel disse-me que ele tinha um enorme sentido de humor - isso é verdade, e não foi isso que eu contestei. Acho óptimo e bem necessário. Uma nossa irmã também diz que o Cavaco tem um notável sentido de humor.
O que eu mencionei - e não é ver "de um só lado", é que gostava dele, mas que achava que esta vitória lhe estava um bocado a subir à cabeça. Hoje, por exemplo, soube que ele, ao despedir-se do Parlamento, tinha feito elogios a deputados de todos os partidos - só o felicito por isso. É raro é é digno de nota.

No entanto, há neste momento em Portugal uma coisa que me dói, e que acontece sempre que cheira a mudança de ciclo (que no fundo é o poder passar do PSD para o PS ou vice-versa) - quem continuar a emitir uma opiniãozinha que seja a favor dos que estão na mó de baixo parece carecer de legitimidade democrática, ou pelo menos ser pouco diferenciado e até saloio. Ou então, ser "amiguinho" do Sócrates (neste caso), esquecendo-se todas as críticas que se foram fazendo. Se se critica alguém da Oposição, futuro Governo, ai Jesus que é quase uma afronta à democracia.

Pessoalmente, respeito todas as opiniões e visões da política e dos melhores caminhos para chegar ao que todos desejamos, mas gosto de debates honestos, porque criticar é fácil. Dizer que está tudo mal e que todos os ministros são incompetentes, é fácil. Dizer que Portugal vai ficar excelente, é fácil. Mas cuidado: quando a MFL afirma que não é a crise internacional a maior causa da quebra da economia (não esqueçamos que JS conseguiu equilibrar o deficite deixado à louca por Durão Barroso e Santana Lopes) vai ter de mostrar que o seu governo melhorará rapidamente a economia. Não pode é depois ir queixar-se do sr. Madoff...

Anónimo disse...

MFL já equilibrou o deficit muito antes do JS o ter feito, precisamente há seis anos....os tais de que falas na entrada.
Fê-lo congelando salários dos funcionários publicos, sacando dos impostos por meio do choque fiscal ou vendendo património publico, etc.
Não foi admirada por isso, nem sequer elogiada, todos lhe cairam em cima, o PS na oposição ficou a odiá-la porque o país estava à rasca, depois do governo Guterres e ela conseguiu endireitá-lo em dois anos. Não tem culpa do Barroso se ter ido embora e ela própria criticou o Santana duramente, apesar de ser do PSD.
Se agora o convidou para a camara por alguma razão é. Se as pessoas votarem nele, é porque não foi tão mau presidente da camara afinal....ou os lisboetas são estúpidos que nem portas ( não confundir com o dito cujo).
Tb vi que o Rangel elogiou membros do PS...será que o Sócrates elogiaria alguém da Oposição ou tb só sabe fazer corninhos?

V.

miguel disse...

Além da flatulência aparente de que padece, Rangel é pequenino ( como eu ) , tem uma grande barriga, um daqueles traseiros que não dá para perceber como é que o consegue transportar diariamente e uns pés ainda mais pequeninos que a estatura, anatomicamente lançados para fora. Além disso está sempre com o nariz entupido e parece estar sempre na eminência de um espirro. Ao pé de tudo isto, o seu alegado sentido de humor é apenas um pormenor. O Rangel não é , para mi, uma sombra, poderosa; ameaçadora. O Rangel irrita-me profundamente.


Eis a verdadeira iconoclastia!

:)

Anónimo disse...

É mais um preconceito. não será?

Miguel: agora descreva-me o António Vitorino do mesmo modo.

Verá que são gémeos, possivelmente até com genes iguais, talvez até ADNs....:)

Só aprecia os altos e bonitões como o Costa? Ou as loiras e sedutoras como a Edite Estrela? Talvez o fala barato Lino ou a doce Ana Jorge....

Já sei que para si o ideal de homem é o José Sócrates, mas esse, sabe , tem muitos que gostam dele, já de há muito. Não vai ter grandes chances:))

Virgínia


Bom Domingo

miguel disse...

:))

Mário disse...

Virgínia: pode detestar-se a MFL sem que isso signifique ser um acólito ou esbirro de JS. COmo é o meu caso.
O direito à liberdade de expressão e de opção é um dos primórdios da liberdade. E eu aformar que "2+2 são 4", não é razão para intuir mais do que, simplesmente, "2+2 são 4". Caso contrário caímos nas "ilacções", nos juízos de va.lor e no que "o que você queria dizer era isto ou aquilo".

Quanto ao seu comentário sobre as aulas, desculpe mas fez-me lembrar o do Louçã sobre as crianças, quando disse que o Paulo Portas nunca conseguiria entender o que era a Vida porque não tinha filhos. Eu não sou professor do 3º ciclo, mas sei de Educação - pela minha prática, por escolas que visito, pelo que leio, pelo que converso com pessoas que sabem -, que os professores poderiam, mesmo com os constrangimentos da 5 de Outubro, fazer muito melhor no seu espaço da sala de aula.
Como os médicos mnos centros de saúde e hospitais, apesar das directivas da João Crisóstomo. Aliás, vê-se isso todos os dias, nestas e noutras profissões, a todos os níveis.
Não culpemos os adolescentes e os pais para salvar a imagem dos professores. Há milhares de professores que foram, sempre, meros transmissores de informação, agradando-lhes o estatuto de superioridade que tinham na hierarquia do tecido social. Com a diversificação das fontes de informação e com os requisitos muito maiores, ficaram de mãos a abanar, uns porque não podem, outros porque não querem, outros, porque se estão nas tintas.
Ou você, comparando o que fez, acha que todos os seus colegas fizeram o mesmo?

Sou contra as aulas de 90 minutos - já o escrevi há mais de 6 anos. Mas existindo, há que dar-lhes a volta para as tornar mais agradáveis. E os adolescentes não são esses papões de quem se deve ter medo ou considerar mentecaptos perdidos. A hybris, nos professores, fica muito mal, porque uma das caracterisícas dos docentes deveser a humildade e a predisposição para entender as particularidades físicas, sociais, intelectuais e psicológicas de cada aluno. E, como diria o Obama, "sim, é possível".

Mas não vou falar mais da MFL, do JS ou dos professores. Acho que o debate está a um passo de atingir a acrimónia.

Se fosse agora, votava PS nas legislativas e PS nas autárquicas, porque a ideia de Cavaco+Ferreira Leite (com Cavaco a fazer de PM by proxy)+ Santana é demasiado. E porque considero a opção melhor, mesmo que com todos os erros conhecidos, dos quais os cornichos são o mais pequeno dos males.

Agora, respeito e considero todos os que tiverem uma opinião diferente, e desse modo, não gosto quando me consideram diminuído intelectual, social, político ou ignorante, por ter opções diferentes da actual "vaga de fundo".

Não endeuso as pessoas, pelo que nunca me verão a adorar PMs ou quem quer que seja. Mas sei que há erros e falhas inevitáveis, que a situação do país era caótica antes da tomada de posse de JS, e que a MFL foi uma péssima ministra da educação (basta ler o que professores e alunos diziam dela) e uma péssima ministra das finanças (obcecada com o déficite e a vender tudo, a ponto de Jorge SAmpaio lhe chamar a atenção no célebre discutro "há mais Vida além do déficite". Varreu-se da memórias das pessoas...

Finalmente, quanto ao caso Freeport, é lamentável que não tenha ainda havido julgamento. Mas isso de dizer que é o Sócrates que anda a parar tudo, merece prova e respectiva entrega ao Ministério Público

miguel disse...

Subscrevo o último comentário do Mário. Não é seguidismo, é, como diz a Helena Matos ( minha vizinha e opinion maker) simplesmente o que eu penso.

A política da Educação no pós - 25 de Abril tem , do meu ponto de vista, duas referências : Roberto Carneiro e Maria de Lurdes Rodrigues.

Embora contrariado, reconheço a verdade ou a justeza nesse juízo em causa própria ( suspeito, portanto)que Sócrates recentemente elaborou:

" Fizemos evoluções absolutamente extraordinárias na área da Educação "

A acrimónia, para mim ( nesta fase da vida, na idade com que estou, naquilo que concebo ser o convívio com o outro ) não faz sentido. Se fará, futuramente , não sei.

O que sei é que o diálogo, sobre a ministra, com a esmagadora maioria dos professores, meus colegas, é difícil, se não impossível. A discussão, essa, é mais fácil. Mas, claro, como a acrimónia, à discussão digo não, hoje.

Quanto às aulas de 90 minutos - pretexto para associar teoria e prática. O problema é qe nem prof's nem alunos demonstram querer ou saber fazê-lo.

p.s.- mano que trata a mana por você e mana que trata o mano por tu! Só compreende quem pode. E eu posso. Porque no seio da minha família acontece exactamente o mesmo! É giro e endemicamente português, penso.

Anónimo disse...

Miguel e Mário:

Sei que o Miguel é professor do secundário, de economia ou de desporto, não tenho a certeza. Gostava que compreendessem o meu ponto de vista que não é critica gratis.
Há aulas em que se justificam os 90m, Educação Visual, Educ. Fisica, Música, etc.; outras, como as Línguas, em que são totalmente erradas, pedagogicamente falando. Está provado. Não se trata de saber se o prof consegue ou não aguentar os alunos - até se pode pôr um filme de 90m e eles estarem calados a vê-lo, - é reconhecer que não se aprende melhor, nem mais, em 90m seguidos do que em 45+ 45 em dois dias diferentes. Entra pelos olhos dentro. A prática da Língua exige espaço de memorização, interiorização e prática em casa. Não tem que ver com a capacidade do prof que até pode ser maravilhoso ou desastrado em qualquer das duas hipóteses.
Mas, como digo, já não tenho preocupações dessas, a não ser sofrer com as dores dos meus colegas que ainda resistem.
Gostava de ver os resultados das boas práticas subvencionadas pela Ministra nas competencias dos alunos que saem do secundário. Penso que o facilitismo abunda e que não se consegue atribuir a essas práticas as notas "brilhantes" que alguns conseguem a Matemática e a Português...ainda há dias falei com Psiqiatra da minha filha que tem uma filha no 12º ano que mo confirmou.
Não duvido minimamente do conhecimento do Mario sobre escolas e adolescentes, pais, famílias, etc. Duvido e muito do conhecimento do Mario em relação a crianças/adolescentes desfavorecidos que chegam á escola sem o minimo dos minimos saberes, que odeiam a escola, que insultam os professores, imitam os pais quando os conhecem, cospem nos casacos dos profs ( sic), mandam-nos à m... e tratam-nos por f. d.p.
Tive alunos assim e assiti a aulas de estagiários em que eles eram tratados abaixo de cão para ganharem 500 euros ao fim do mês ou não terem vencimento, como acontece agora. E não são esses miudos que vão às tuas consultas privadas, certamente, nem a reuniões nas escolas ouvir pais, pedagogos e médicos.
Não quero com isto dizer que os profs não devem fazer o seu melhor e tentar motivar TODOS os alunos - tentei durante 37 anos e não me arrependo - mas houve mudanças na era socrática que desmotivaram/ traumatizaram profs como eu totalmente. Colegas excepcionais - mais de vinte na minha escola das mais diversas áreas- pediram reforma antecipada....serão todas preguiçosas, oportunistas, do PSD ou vêem que este sistema burocrático e desproporcionado em tudo não tem futuro? Pessoas como eu que diziam adorar dar aulas e que ficariam até mais do que os 36 anos obrigatórios. Não há uma que resista. Por alguma razão é.

Quanto ao ódio aos representantes da Oposição, cada qual toma o que quer. Não me preocupa muito porque existe democracia e o povo é livre de escolher quem melhor serve os seus interesses. Será fácil verificar isso no dia 27/9.

Não odeio o Sócrates,pessoalmente, mas sinto um desprezo total por aquilo que ele e os membros do governo representam - oportunismo, verborreia, aldrabice, fanfarronice, arrogãncia, isolamento autista, corrupção, conflitos de interesses, tudo aquilo em que o governo dele é perito, lançando aos 4 ventos as maravilhas que operaram neste pobre país, que de maravilhoso nada tem senão aquilo que Deus lhe deu - a natureza e a situação geográfica. Pouco mais.

Virgínia

P.S. Acho estranho que neste blogue só eu apoie a direita.
Quanto ao tratar o M. por tu, vem dos 9 anos de distãncia que nos separam e tb das diferenças entre Lx e Porto. Ninguém no Porto trata os irmãos por você.Cá são todos mais terra-a terra como o Rangel :))

Anónimo disse...

Acrimónia desmesurada:

Encontrei no Algeroz de 2007, um pedacinho precioso, escrito pelo Mário para o blogue do Miguel e não resisto a transcrevê-lo aqui.

" Outra coisa completamente diferente é a perturbação narcísica da personalidade (com vários graus, até chegar a uma neurose com rasgos psicóticos), que se caracteriza por:- sentimentos de grandiosidade e de enorme auto-importância, atribuindo-se a si próprio talentos e realizações que não correspondem minimamente à realidade;- fantasias de sucesso e de poder ilimitado, beleza ou amor ideal, achando que ele ou ela acertam nestes alvos mas todo o resto do mundo não;- sensação de ser melhor do que os outros e olhar com condescendência tudo o que os outros fazem ou a pessoa dos outros.."

Acerta em cheio na personalidade do nosso PM. Ninguém o descreveria melhor, mesmo sem intenção de o fazer. Parabéns, Mário.

Já ganhei o dia ( ou parte dele....)

Bjo

V.

Mário disse...

Atenção: eu não escrevi isso a dirigir-me ao Sócrates. Cuidado com a descontextualização...
Quanto aos insultos, recordo-me de você ser gravemente insultada no Licru Pedro Nunes, antes do 25 de Abril, onde só andavam meninos "filhos de ministros"... no tempo em que só 10% dos adolescentes estavam na escola...
Mas por aqui termino este "debate" sobre JS, MFl e quejandos.

Anónimo disse...

Gostei imenso Virgínia!
Parece que houve uma "lavagem ao cérebro" colectiva e TODOS esqueceram a Desgraça que foi o Governo GUTERRES. O Governo de Durão Barroso começou a limpar a "trampa" deixada, mas o Durão foi-se e, o Sampaio esperou "cuidadosamente" que Ferro o fizesse, para que Sócrates fosse "entronizado" e assim mandar Santana "pastar" (apesar da maioria absoluta. Se fosse o Cavaco a fazê-lo agora creio que havia um golpe de estado). Mas, deixando os devaneios, voltemos à sujeira do Gugu. Se o Durão não tivesse feito nada, Portugal nem teria entrado na "Crise", simplesmente já teria aberto falência.
O excerto que transcreveu acima, aplica-se tanto ao JS como a tantos outros "Pavôes" que de barriga cheia por ainda andam a "abrir o leque" quando se querem fazer notados. Eles são tão "bonzinhos", tão sérios, tão honestos, tão desinteressados, tão pouco "isto", tão muito "aquilo", os outros é que são todos maus. Que feio é ser Narcisista!!!
Parabéns Virgínia pela frontalidade! É mesmo uma Mulher do Norte, apesar de Lisboeta.
Rosário

Anónimo disse...

Está bem explícito no meu post que o escreveste sem intenção de descrever o Sócrates, mas apenas para explicar o que se entende por "narcisista".
Só que, infelizmente, ele é o exemplo acabado do que tu descreveste tão bem. Aliás, quanto a mim, falta-lhe educação - a verdadeira - e sobra-lhe basófia.

Obrigada, Rosário, pelo apoio. Soube-me bem ver que alguém compreende as minhas palavras.

Também encerro aqui este debate e agradeço a paciência, Mário, que tiveste em ler o que escrevi. Vou começar a ler outros blogues para não te aborrecer com as minhas cogitações politicas. Sempre fui interveniente, a seguir ao 25 de Abril, integrei a lista mais conservadora do Liceu MªAmália - as outras duas eram do MRPP e do PCP - e ganhámos, tendo estado na gestão desse Liceu no ano quente de 74-75 e a dar aulas ao mesmo tempo.
Nunca fugi a dar a cara por aquilo em que acredito. Nisso devo ser tua Mana.

Bjo

V.

Mário disse...

Virgínia: livra-te de desapareceres (Miguel: quando queremos dar força à mensagem tratamo-nos por tu... desde longa data... é um tique imperativo, mas enfim). És indispensável neste blogue, e as cogitações políticas, religiosas ou outras, em jeito de tertúlia, só ajudam a formar o pensamento. Força, pois, e nada de saídas pela "esquerda baixa" (ah, ah, ah!!!).

Rosário: obrigado pelas reflexões e contributo. É a pensar que a gente se entende, sem receio de transmitir ideias, desde que educadamente, como se faz neste blogue. Acho que um dos vícios da sociedade portuguesa é não dizer as coisas frontalmente, mas depois andar a cortar na casaca pelas costas - faz lembrar aqueles grupos em praias de "tias" em que só se diz mal das que não estão lá nesse dia, ou das que acabaram de se levantar para ir preparar o almoço (ou comer o almoço preparado pelas empregadas).

Que o debate continue: eu é que, pessoalmente, por ora, não tenho mais nada a acrescentar, mas, como dizia o Schjwarznegger (ou o seu "boneco": "I´ll be back!"

Anónimo disse...

Quando fui insultada no Pedro Nunes por um aluno do 8º ano - 14 anos - ele não se me dirigiu directamente, escreveu na carteira impropérios contra os seus professores. A linguagem era feia, mas nãp houve cara a cara, precisamente porque havia respeito e medo das consequ~encias. O aluno foi expulso ou suspenso durante algum tempo.
Se fosse hoje, nada acontecia. Ou o professor ignorava os que ele escreveu - o mais provável - ou mandava limpar, sem sequer ler para não dar azo a conflito e quanto muito escrevia uma comunicação à Directora de Turma, que por sua vez escreveia ao EE. O alunos não sofreria qualquer castigo ....
É a diferença entre o sistema salazarista e o que temos. Os profs perderam qualquer força, nem ética, nem moral, hoje em dia só com carisma e para conseguir esse carisma, é preciso comer muita maizena :)))

V.

I rest my case.

Huckleberry Friend disse...

Ó tia-stôra, olha que há mais algumas diferençazitas entre o sistema salazarista e o que temos...

Anónimo disse...

Ó sobrinho desnaturado (!), porque não lês as entrelinhas?
Não disse que o sistema salazarista era melhor para a educação dos jovens ou para o país, limitei-me a analisar uma situação em que o antigo sistema era mais eficaz. Primeiro evitava que os alunos tivessem veleidades dessas com frequencia e sem rei nem roque, em segundo lugar, permitia aos profs alguma defesa contra miudos que eram maiores que eles, em tamanho e em má-criação.

Muitas pessoas não percebem que um prof com 1,60 como eu tem de olhar para cima uns bons centímetros para conseguir ralhar com um aluno quando ele está de pé. Nos corredores , então, é assustador, não há alunos que dêem espaço aos profs para passarem, parece que fazem de propósito para lhes barrar a passagem, numa de domínio do espaço.

Felizmente tive alunos que até atravessavam a rua para me falar, já depois de sairem da escola....mais ça c'est une autre histoire....

V.

Huckleberry Friend disse...

Lol, foi mesmo para provocar, não resisti...

mas compreendo o que diz e que me parece ser também consequência da massificação resultante da democratização do ensino

o que é indesejável, e nisso estamos de acordo, é que democratização implique bandalheira.

PS: há professores que atravesso a rua para cumprimentar e de quem ainda hoje sou amigo. é tão bom!