quarta-feira, 29 de julho de 2009

Divagações de férias - 14


A propósito da Semana Internacional de Piano de Óbidos, que já vai na 14ª edição, e da qual sou "crónico". Ontem, Paul Badura-Skoda, interpretando Haydn e Beethoven; hoje, Vitalis Margoulis, com Grieg e Chopin. E a vila, sempre acolhedora e formidável, relembrando-me do tempo em que lá trabalhava, como médico de família.

(Foto: MC - A Várzea da Rainha, em Óbidos, semelhante em beleza à Várzea de Colares)



Fado para Bach



Se de Goldberg, apenas as de Gould
Porque as mais sinceras e singelas
O sofrimento divertindo-se com o ardor
Em cada nota a nossa vida sendo elas.

Um Collares, bem frio e seco como deve
À medida do que é nobre e do que é bom
Ao momento que é só sonho e semibreve
Há que dar, de Bach e Gould, o semitom.

6 comentários:

Anónimo disse...

Andas inspirado, maninho.
Quando é que publicas tudo isso. Estou morta por ver um livro com esses poemas todos.

Este está genial! Ou não tivesse a ver com génios.

Que sorte....musica em Óbidos, deve ser inspirador.

V.

Filipe Snr disse...

A inspiração está realmente brotando a jorros! Ainda bem. Espero que continue. Bach pelo Glen Gould é realmente impressionante mas, apesar de tudo, e de Bach ser apelidado como 'o Pai da Música', a minha preferência será sempre o inigualável, e realmente genial, Beethoven (a 3ª Sinfonia pela Orquestra de Berlim e Carl Boehm ou a 'Apaasionata' pelo Vladimir Ashekenasi).

Anónimo disse...

Ambos foram geniais e se um me comove interiormente, me apaixona e me arrebata - Beethoven ( 5º concerto p/ piano, 7ª sinfonia ( toda), sonatas - o outro inspira-me e infiltra-se na minha mente, como uma alucinação mística, deixando-me perfeitamente invulnerável ao barulho, aos conflitos, à vida quotidiana....

Mas há ainda outros compositores que me deixam muda....

V.

Mário disse...

Em termos de clássicos, a minha lista (salvaguardando obras geniais de "n" compositores) é:
1º Bach
2º Mozart
3º Vivaldi
4º Schubert
5º Haydn
6º Beethoven
Portanto, se me enviarem para uma ilha deserta, já sabem o que me podem colocar na mala.

Explico Bach: originalidade temática e de composição, variedade de estilos, expressão de sentimentos, uso de tudo e mais alguma coisa que a voz, a música, a harmonia, o ritmo permitem. Tudo em Bach é formidável, e até quase untemporal, dadas as suas muitas "modernizações". jogando bem com o jazz, ragtime ou mesmo rock.
Ontem à noite ouvi, para adormecer, a Paixão segundo São João. É realmente magnífico.

Mário disse...

E adoro também a imprevisibilidade caprichosa e genial de Glenn Gould.

Anónimo disse...

Há dois anos ouvi a Paixão segundo S. João aqui na Casa da Musica e depois de cantar a ária : He was despised e de ter dado o ultimo suspiro, o cantor que fazia de Jesus caiu para o lado - a sério!! A orquestra - salvo erro inglesa - continuou a tocar como se nada fosse, vieram dois homens, pegaram no cantor, levaram-no da sala - soube-se depois que tinha desmaiado apenas - e tudo continuou. Senti um calafrio...

As Paixões são magníficas, mas a Weihnachtsoratorium bate tudo em música sacra, é vibrante, alegre, tempestuosa, sublime,

V.