terça-feira, 28 de julho de 2009

Um Viva ao Amor!


Aqui fica, segundo a sugestão do Huck, um dos poemas de Nuno Júdice, tanto mais porque acho que andamos provavelmente todos a dar pouca importância e pouco tempo ao Amor. Na vida social, na vida "pragmática", na vida familiar, na vida individual. E, contudo, é a razão das razões, pela qual se vive e se morre. "Cavalgando sempre no corcel da morte" (Petrarca), como o de Pedro e de Inês? Aqui fica este pungente poema, lindo de dor e de esperança. E de ternura. E de emoção.



Em quem pensar, agora, senão em ti?
Tu, que me esvaziaste de coisas incertas,
e trouxeste a manhã da minha noite.

É verdade que te podia dizer:
"Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?"

Mas ensinaste-me a sermos dois;
e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide.

Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo,
ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios,

mesmo esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba.

Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar:
com a surpresa dos teus cabelos,
e o teu rosto de água fresca que eu bebo,
com esta sede que não passa.

Tu: a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti,
como gostas de mim,
até ao fundo do mundo que me deste.




Fotos: MC

6 comentários:

Anónimo disse...

Lindíssimo, sem dúvida!!!

Um beijo,
Catarina

Milene disse...

Não podia concordar mais: é um belo poema.
Mas as fotos, sobretudo as duas últimas, só podem ter sido tiradas com muito amor também, ou o resultado não seria ESTE...!!!
Parabens Mário

Anónimo disse...

Gostava de acreditar....mas não consigo.

AMOR...acredito naquele sentimento que nos faz esquecer-nos de nós próprios para nos darmos a outrem...mas já não acredito no amor desinteressado, perene, sem fim...por outro/a homem/mulher.

O proprio Amor de Pedro e Inês foi algo fugaz...e é essa a certeza que tenho. Ama-se mais quando se está longe...

Virgínia

miguel disse...

Por falar em amor, e porque acho que a música dele vai lá dar, ontem, na FNAC Chiado, foi a vez do Ivans Lins cantar . Admiro-o muito. Se há algo que caracterize a sua música , primeiro que o resto, eu acho que esse algo é sensiblidade. As melodias dele movem e comovem. Saí de lá com o último disco autografado.

miguel disse...

http://www.youtube.com/watch?v=mQ2Gjo0IkPQ&feature=related

O Ivans Lins também cantou esta, ontem. Mesmo que desacreditados do amor,a letra reconcilia-nos com a memória, e faz-nos, quicá, fantasiar o futuro, o que não é mau. E, claro, a melodia, que é belíssima.

miguel disse...

E esta...

http://www.youtube.com/watch?v=Tyv0Xwedvd0

e com legendas em castellano...