terça-feira, 28 de julho de 2009

Divagações de férias - 13

Pedro


Pedro
Quiseste Inês
Tiveste Inês.
Num amor doce e profundo
Que rasga o mundo
Pela intensidade
Num amor forte e selvagem
Que galga a margem
Pela liberdade



Pedro
Amaste Inês
Desde a primeira vez.

Sentimos as peles nuas
Enroscadas em doces luas
Presentes
E quentes
Nas pedras cruas
De Alcobaça

Onde o sofrimento revive a dor
Onde a esperança retoma a cor
Onde o meu coração passa
E chora, e chora, e chora

Como quem namora
Em flores de sangue
De amor exangue
Em Alcobaça

4 comentários:

Anónimo disse...

É o mosteiro mais místico que conheço....reve-lo nestas fotos fez-me saudades de ali estar. O poema...é um hino ao amor estrangulado pela política...um Romeu e Julieta à Portuguesa. Continua a fazer-nos estremecer pela violência.

Bonito, mano

Huckleberry Friend disse...

Recomendo o belíssimo livro de Nuno Júdice Pedro lembrando Inês. Um belíssimo volume da Dom Quixote.
Beijinhos e até breve
P.

Mário disse...

Nuno Júdice, nesse Livro, consegue níveis de paixão e de lirismo inacreditáveis. Parte desses poemas foram publicados livrinhos do Público que custavam meio euro, e que tinham poesia de um lado e um conto do outro.

Alcobaça esmaga-me, não apenas pelo culminar do Gótico, mas pela singeleza e pela história de amor subjacente. Podem dizer que Pedro era louco, carniceiro e desmiolado (Pedro, o Cruel ou Pedro, o Justiceiro?). Mas o romance, ainda por cima passado quase todo em locais por onde ando, causa-me uma intensa mágoa, como todos os amores proibidos, seja o de Cyrano, o do Doutor Jivago ou qualquer outro, anónimo e intemporal.

Filipe Snr disse...

Sim Senhor! Na senda dos anteriores ('gregos' e outros), gostei imenso. Mais uma vez, continua!