terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Holocausto


Comemora-se hoje o Dia Internacional de Memória do Holocausto, de acordo com a Resolução 60/7 da Assembleia Geral da ONU.

O dia escolhido foi o da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

Para que nunca mais se esqueça. E para que nunca mais se repita, seja na Alemanha, na Polónia, na ex-URSS ou no Zimbabwe.

10 comentários:

Mário disse...

Nunca estive na Polónia.
Se algum dos bloguistas já lá esteve, designadamente em Auschwitz, que partilhe connosco, se se consegue, o que é aquilo, e onde o ser humano pode chegar, em todos os sentidos.

Elisete disse...

Se me permitem, recomendo um livro: “O Rapaz do Pijama às Riscas” de John Boyne. Mas depois preparem-se para sentir vontade de agarrar no vosso filho e darem-lhe um abraço tão forte como nunca. Eu não o fiz, porque li o livro numa noite e o Mi já estava a dormir. Ainda bem, porque fiquei mesmo muito triste, acho que é a palavra exacta.
O filme vai estrear 5ª feira. Não sei se vou ver.

Virginia disse...

Nunca quis ir a um campo de concentração, apesar de ter estado muito perto de vários. Não acredito que vê-lo me faça bem, pelo contrário, depois de tantas coisas lidas, tantos filmes vistos, tantas entrevistas dadas, tanto testemunhos participados, a visão dum local não me faz sentir nada se não horror.
Estive no Museu do Holocausto em Jerusalém, um local de culto, onde no meio de fotografias a preto e branco do tamanho de paredes gigantescas, nos sentimos aprisionados no ghetto de Varsóvia num vagão de comboio ou num crematório de Auschwitz.
O sítio mais simbólico é um enorme hall com um corredor sem fim, que se percorre às escuras e se vão vendo iluminadas as carinhas das crianças que morreram no holocausto e estrelas a brilhar. Uma experiência única.
Cá fora, o Jardim dos Justos, uma homenagem àqueles que se sacrificaram para salvar milhares de judeus que teriam ido parar aos campos de concentração, se não fora um carimbo, um sótão, um celeiro, uma escola e pessoas rectas e corajosas que lhes deram a mão. Por cada um dos Justo há uma árvore a lembrar que a coragem cria raízes e dá frutos que nunca mais morrem.

Dramático é que as guerras naquela Terra Santa nunca mais acabem. A intolerância e o ódio continuam.

Cláudia disse...

Este Domingo acabei de ler A Rapariga Que Roubava Livros, que tbm tem a ver com este tema. Li-o em poucos dias e recomendo vivamente.
Não consigo imaginar o sofrimento dos Judeus e de todos os que não correspondiam ao perfil do alemão "puro", da raça ariana. Sinto um aperto ao pensar que tanta, mas tanta gente sofreu horrores, passou fome, foi afastada da família, morreu, foi maltratada por uma questão de preconceito. É horrível... Que nunca mais se repita, como diz, é o que desejo.

Mário disse...

Já vi muitos filmes sobre o Holocausto, e talvez o fcto de ter sido tão impressionate nos faça esquecer que, no Congo, por exemplo, foram massacradas auase dois milhões de pessoas há cinco anos.
De qualquer forma, o Holocausto nazi teve requintes de preparação, de experimentação, ódio, sadismo, tudo o que ultrapassa a mera eliminação do "outro". Não foi um acto de vingança cega, foi mesmo um genocídio premeditado até ao pormenor.
Tive consciência disso quando visitei a casa de Anne Franck, em Amsterdam, uma das minhas cidades-emblema. Gostei muito, também, da Lista de Schindler, pela realização e desempenhos, mas pela originalidade da história.
é que entre este horror, há exemplos de coragem, de decisões, de dramas interiores.
Um filme que vi e nunca mais verei é "A escolha de Sofia". Tinham os meus filhos mais velhos 2 e 3 anos. Foi demais para mim.
Mas é bom que, onde quer que esteja um massacre, não haja tinta para o branquear. Recomendo também o filme O Julgamento de Nuremberga.

Pintarriscos disse...

Já que estamos em maré de recomendações, leiam a obra gráfica" Maus" de Art Spiegelman, que de uma forma metafórica e em registo de fábula. os grupos étnicos são retratados como animais... os judeus são ratos, os alemães gatos, os franceses sapor e os polacos porcos, numa clara alusão à forma como a propaganda nazi os retratava. Ganhou vários prémios e é acima de tudo uma obra biográfica. Desenganem-se no entanto se considerarem a banda desenhada uma arte menor - que o não o é, muito pelo contrário -, este livro é perturbante e fabuloso.

Quanto à imagem apresentada neste blog, só posso mesmo me questionar como é que é possível existirem pessoas - e não nada poucas - que consideram o holocausto uma invenção, de que tudo não passou de uma imensa manipulação colectiva. Como é que é possível????

Uma última nota. Vivemos tempos perigosos, propícios a que um fenómeno destes aconteça. Como já vimos com Obama (em que também deposito fé, com alguma cautela pois muita coisa depende de personagens "sombra" bem mais poderosos que o presidente dos EUA"), o mundo anseia por alguém que lhe ilumine o caminho, uma esécie de Messias que dê alguma lógica à loucura em que cada vez mais nos vemos mergulhados. No entanto, é exactamente este o pensamento que está por detrás do surgimento de fenómenos como o nazismo. Existem muito sinais, como o crescente anti-semitismo, racismo e intolerância religiosa, até mesmo em pessoas que nunca foram permeáveis a esse tipo de sentimentos. É um fenómeno muito complexo, a que por exemplo os israelitas e a forma como lidam com a Palestina não podem ficar indiferentes. Sem tomar partido de ninguém, é este o tipo de atitude que - numa filosofia errada que todos temos em julgar o todo pelas partes - provoca ódios. Como aliás se viu na administração Bush, que provocou a maior onda de ódio com a América.

Paulo Galindro

Mário disse...

Acabo de ouvir, na SIC, que o Papa ordenou um Bispo que diz que "no máximo" terão sido mortos cem a duzentos judeus, na Alemanha nazi.
Não vomitei porque seria sobre o teclado do portátil, o que o estragaria definitivamente.
A ser verdade - e deve sê-lo porque Israel cortou as relações diplomáticas com a Santa Sé -(Se)Bento XVI não merece despesas da minha parte.
O próximo (ou este) Papa deve~-se-ía designar por Satanás I, Mefistófeles I ou Mafarrico I (não, este não, que este é amigo do Sonso e não é mau de todo...)

Virginia disse...

Também ouvi, é uma afronta a todos os que sofreram horrores às mãos dos nazis. Este Papa nunca foi do meu agrado, não vou com a cara dele....mas isto é demais.
Vou ver o futebol, sempre me distrai mais do que as notícias!

Pat disse...

Nunca estive em Auschwitz mas estive em Dachau. Embora Dachau fosse considerado um Campo de Trabalho (Arbeit Macht Frei - Nunca mais me vou esquecer destas palavras incritas no portão de entrada do Campo), também foi palco de grandes atrocidades. Vi o Campo de uma ponta à outra, saí de lá sem conseguir dizer uma palavra, nem eu nem o Nuno. Ficámos deveras impressionados. Tenho imensas fotos do Campo, um dia, se quiseres, envio-te.
Beijinhos.

Anónimo disse...

Além do livro "o rapaz de pijama às riscas" recomendo, vivamente, o filme. Porque, neste caso, as imagens valem mais do que mil palavras. E aqueles olhos (do Bruno) falam por si... Adorei, ambos.

E também já estive à porta de um campo de concentração, mas não consegui entrar! É impossível ser-se indiferente a locais assim...

Ana