sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

libertad o muerte


Cuba. 50 anos de "revolução" - começou como uma revolta justa, contra um ditador corrupto e decadente, avalizado pelos ianques.

Meio século depois, a penúria é total e o clã Castro tornou-se igual aos que derrubaram. Che Guevara revela, dia após dia, mais lados negros e odiosos - herói? Para mim são torcionários iguais aos outros, com as mãos sujas de sangue!

O embargo americano é una mierda e tem sido um apoiante factual do regime cubano. Não é por acaso que Guantánamo fica em Cuba - é o conceito de "inimigos-amigos".

Confio em Obama - que revela, dia a dia, mais postura de estadista, ideias, objectivos, estratégia, realismo. Quanto aos cubanos, duvido que "os tenham no sítio" para mudar alguma coisa.

5 comentários:

miguel disse...

...no entanto o camarada Raúl já avisou o povo para não se deixar " ir pelo canto da sereia do cobarde e vil inimigo". Como quem diz " cuidado com o Obama".

Gostaria que Cuba " desse a volta", sim. Mas sem deixar de ser habitada por aquela gente simples, por aqueles músicos maravilhosos e por aquelas mulatinhas rebolonas e sensuais. Será isso possível?

Milene disse...

Acredito que Cuba dê a volta um dia, mas Miguel, se isso acontecer um dia, como será possível continuar Cuba a ser habitada por aquela gente simples e tão encantadora? Se houver uma mudança, mudará quase tudo e com isso perder-se-á muito da simplicidade daquele povo e daquela gente. Quanto aos músicos e mulatinhas, esses manter-se-ão certamente.

Mário disse...

Que Cuba, Miguel? Ou, dito de outra forma, será possível que os músicos e as mulatinhas não ambicionem ao que nós todos ambicionamos, sofisticando e porventura tornando mais artificial, então, a sua música e a sua "mulatice"?

Quem dera! Faço votos. A primeira medida era acabar com o bloqueio, a segunda pressionar os manos Castro. Mas quando vemos a impunidade de Mugabe, e como é recebido aqui, em Portugal, com honras de Grand-Seigneur, ou como Kaddafi se tornou na mascote querida dos políticos mundiais... acho que está tudo dito...

Anónimo disse...

É raro o dia em que não entro neste blog todas as manhãs enquanto bebo o meu café. Já se tornou uma rotina. Nunca escrevi nenhum comentário e hoje, como normalmente, li e quando terminei fechei o blog. No entanto não consegui deixar de voltar a entra e escrever. Talvez por ser um tema que me toca de uma maneira muito especial.

Carmo (mãe do Guilherme)

Cuba é um paraíso de férias, para quem fica nos fantásticos hotéis e apenas passeia na zona “bonita” de Havana, é um horror para quem apenas vê as zonas degradadas e a miséria em que as pessoas vivem e é revoltante para quem se limita as ouvir/ler as noticias sobre o que lá se passa.
Para mim, Cuba, é um país de gente extremamente culta, simpática, hospitaleira, alegre que acabou por se acomodar com a realidade em que vive. Que aprendeu a pensar e sentir uma coisa e a transmitir uma outra, nem que seja por orgulho por si mesmo e pelo seu país.
É um país em que nada é de ninguém, logo nada vale a pena. Conservar e restaurar para quê? Não é meu. Este é dos pensamentos muito comuns.
São pessoas inteligentes, com formação, mas de uma inércia quase desesperante quando não são, de alguma forma, pressionados a fazer as coisas.
Eu estive lá 2 meses, vivi em instalações muito complicadas e passei fome. Frequentei os supermercados e mercados e deparei-me diariamente com a escassez de comida, de produtos de higiene e de quase tudo aquilo a que nós estamos habituados a ter como básico.
Bem, acho que poderia estar aqui o dia inteiro a falar e ainda assim não chegava ... Tenho Cuba no coração e vou lá voltar com toda a certeza, escrevo-me diariamente com amigos que lá deixei.
Até agora, o que mais me entristeceu foi a nossa alfândega e serviços de correio não me terem permitido enviar para os meus amigos pequenos presentes de Natal, cujo principal objectivo era que pelo menos na semana de Natal não tivessem fome e as crianças poderem ter um brinquedo e uma roupa nova .

Mário disse...

Carmo
Muito obrigado pelo seu testemunho, não apenas pelo conteúdo mas porque é de quem sabe do que fala.
Tanto se poderia fazer, com tão pouca coisa, como aliás as equipas multidisciplares fazem com as crianças com deficiência - não usam tecnologias especiais, mas trabalham em equipa e acreditam nos pais e nas crianças.

As desigualdades mundiais são enormes: creio que é altura de nos remetermos, todos, para estilos de vida mais simples, apreciar as pequenas coisas e não gastarmos mais do que temos. Pode ser que, assim, o mundo fique mais equitativo.