segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

explicar o Haiti às crianças


As imagens que chegam do Haiti devem ser aproveitadas para, de uma forma positiva e pedagógica, os pais explicarem aos filhos o que são catástrofes naturais e como está nas suas mãos ajudar as crianças vítimas do terramoto.


Perplexidade e medo são os sentimentos mais prováveis nas crianças quando assistem às imagens do terramoto no Haiti, as quais podem levar as crianças a questionar como é que uma coisa destas pode acontecer a meninos tão pequenos como elas.

Crianças são crianças, e as crianças portuguesas pensam, seguramente, que no Haiti os meninos viviam bem, iam à escola, tinham frigoríficos, microondas, televisão e consolas, ao contrário do que mostram agora as imagens. Esta é, pois, uma boa oportunidade de ensinar aos mais novos as diferenças das sociedades e o sentido de palavras como a fome e a injustiça.

Todavia,  as explicações dos pais não devem resultar em sentimento de culpa dos filhos, designadamente por não estarem a sofrer uma desgraça semelhante. A mensagem deve ser: "ninguém no mundo merece isto", mas esta também pode ser "uma janela" que se abre no sentido de cultivar a generosidade no coração dos mais pequenos. É conveniente explicar que, apesar de ter morrido muita gente, o Haiti há-de levantar-se graças à generosidade dos outros, e as crianças podemcontribuir, por exemplo, com parte da mesada. Ontem mesmo, os meus filhos abdicaram da semanada dominical, e vieram trazer mais algum dinheiro para colocar na conta de auxílio às vítimas.

No fundo, a "perda da inocência" que representa uma catástrofe como esta pode custar menos, pois os crianças portuguesas poderão olhar para as haitianos, lamentar o seu sofrimento, mas saber que as ajudaram.

4 comentários:

Elisete disse...

Ontem tive uma conversa com o Miguel, mais ou menos nos termos aqui descritos, sobre o que estava acontecer no Haiti. De acordo com o padrão a que estou habituada, a reacção virá nos próximos dias. De qq modo, fiz aquilo que sempre faço e que é descrever ao meu filho tudo o que se passa à nossa volta, o bom e o mau. Os resultados têm sido sempre positivos e não me arrependo da "perda de inocência".

Virginia disse...

Acho que tens razão, mas penso que uma experiência de protecção civil obrigatória para todos os adolescentes deveria ser implementada no nosso país. Os nossos jovens não tem qq experiencia de perigo iminente, não sabem o que fazer em caso de primeiros socorros - os cursos da Cruz V são óptimos - e nas escolas não recebem nenhuns conselhos quanto a isso.
Eu ia morrendo um dia engasgada com um pedaço de gordura de vitela que ficou colada à garganta. O meu marido ficou petrificado á espera de não sei quê e o que me valeu foi o meu filho mais velho que me deu um soco a meio das costas. Ele diz que foi o momento mais aflitivo da vida dele e que ainda acorda de noite a pensar nisso.Ainda estive uns segundos a pensar que morria.

O "Haiti" acontece sempre que há catástrofes na nossa terra e todos nós deveriamos estar preparados - crianças tb - para sobreviver com menos e repartir com todos.

Anónimo disse...

Sem dúvida alguma!!!
O problema é compreender como se em nós próprios gera raiva medo e tristeza...
Um dia o Afonso viu 1 Sem-Abrigo em Lx e foi para o pé dele, achei estranho e chamei-o, o afonso disse: - aquele palhaço não fez disparates...
Compreendi que na sua realidade os andrajosos eram palhaços, disse-lhe que aquele senhor vivia narua e que tinha aquelas coisas todasatrás porque eram as únicas coisas que ele tinha..
Ficou triste e e eu consolei-o mas não deixei de lhe falar na realidade!!! aqui na província a pobreza raras vezes se mostra na rua...
Em Lx é mais doloroso mais aberto e mais abandonado
E no Haiti ainda mais...
Só vi as 1as imagens na 6a feira e estando com eles expliquei que tinha sido uma espécie de tempestade que tinha destruído tudo.
Acho que o pior seria dizer-lhes que eles já não tinham quase nada...
Pelos vistos aquela metade da Hispaniola está condenada á não sobrevivência...

sofia wahnon disse...

A verdade, é que me é doloroso explicar estas realidades dramáticas ao meu filho de 6, não porque julgue que ele não vai compreender, que não tem capacidade ou discernimento. A "falha" está em mim - em pensar que ele terá toda a vida à sua frente para compreender essa dureza, porquê estar já a "apressar" essa "perda de inocência"?!... tendo a poupá-lo, de facto, mesmo sendo contra as redomas com que se criam as crianças no Ocidente. O meio-termo não é fácil e por isso opto na maioria das vezes por ter a tv apagada.