sábado, 17 de novembro de 2007

memórias


Hoje voltei ao Tivoli. Para ver uma peça infantil (por acaso, com certa graça).
As cadeiras estão a pedir reforma, a alcatifa é do tempo da monarquia, e o pó correspondente causa rinite alérgica ao mais empedernido nariz.
Mas o resto impõe respeito.

E lembrei-me de que o primeiro concerto a que assisti foi nessa sala, há cerca de 45 anos. Ficou-me na memória a 6ª Sinfonia de Tchaikowsky, e a vontade de perguntar "quando é que isto acaba"...

Mas recordo-me do prazer de ouvir uma orquestra ao vivo, pela primeira vez, e da minha professora de piano (a Dona Fernanda, vulga Fernandocas) - com quem fui, ensinar-me que não se aplaudia nas pausas entre andamentos.

É como se fosse hoje. Foi hoje. E mesmo não sendo uma professora de primeira água, obrigado.

2 comentários:

av disse...

Páro aqui para aplaudir o maravilhoso Stop do Bairro, que tem resistido ao tempo e à tentação de transformar-se num restaurante "fino" e igual aos outros todos. Continua como sempre foi, uma bela tasca lisboeta onde se come divinamente. Tem umas favas de ir ao céu.

E, claro, o Tivoli. Está na memória da nossa geração, pelos concertos e peças de teatro da nossa infância. Foi onde ouvi Mozart, embasbacada, pela primeira vez. É uma sala muito bonita, mas a precisar de restauro (foi o que achei na última vez que lá fui, há mais de um ano). Mas pensei que o Herman entretanto já tinha tratado disso.

miguel disse...

Vi o filme " Música no Coração "seguramente umas 30 vezes. A maioria dessas vezes em casa, mas 6 ou 7 no cinema. A estreia desta fantástica sucessão foi exactamente no Tivoli. Tudo me fascinava , principalmente os lustres e o "gong" que assinalava o fim do intervalo. E também gostava imenso de um magazine de notícias que passava antes do filme ( como se fosse um aperitivo)e que se chamava " Rivus Pathé Magazine" . Geralmente era o Fernando Pessa quem fazia a locução.Fiquei com um fascínio pela Africa Colonial através dos spots que passavam nesses magazines.