quinta-feira, 27 de agosto de 2009

a ética não faz parte da política - Rangel dixit


É um excelente queijo, e faz hoje 50 anos, mas ficou na História pela ligação à política, e à "pesca à linha" que Guterres fez a Daniel Campelo, para garantir a passagem do OGE. Uma vergonha, quanto a mim.

Mas hoje, depois do discurso de Marques Mendes a recomendar "ética na política", ouvi, na mesma Universidade de Verão, o grande vencedor (inebriado...) das europeias, a dizer que política não tem nada a ver com ética, e que, segundo Maquiavel, a ética é uma coisa "bichosa" na política.

Ouvi Paulo Rangel atacar duramente o ex-líder do PSD e defender a inclusão de António Preto nas listas para as legislativas. Segundo a nova "grande estrela" do PSD, política não é saber cultura, é saber os problemas do povo.

A seguir às europeias já aqui escrevi o que pensava dele - entrou em parafuso, numa autêntica bebedeira de poder. Vai para Bruxelas, mas virá tentar roubar o cargo à Manela, logo que surgir a primeira oportunidade.

Rangel: pensar que acreditei em si, quando o vi nuns debates da Sic-Notícias - apenas bluff. Daí continuar a afirmar: voto PS! Nas legislativas, nas autárquicas e nas presidenciais. Com uma certeza que nunca tive antes. Curioso, né?

16 comentários:

Virginia disse...

No comments....
O Rangel percebe mais de política - teoria da dita - do que os deputados do PS todos juntos. Ele é o melhor prof de ciências políticas da Católica e talvez do país.
Ética e política tem muito a ver, mas é lógico que os governantes muitas vezes sacrificam a ética às necessidades presentes, se todos se fossem regular pela ética, meu mano, o Sócrates, o Vara, os Pinhos e Linos, Margaridas e Edites já tinham sido apeadas há muito.
O Sócrates só não é arguido porque está no poleiro, se não tinha de ser ouvido, é citado por todos os docs do processo. E aí , como é que reagias?
Detesto facciosos e pessoas que só vêm argueiro no olho do vizinho. Se o Rangel estivesse do vosso lado, já gostavas, não é. Se o João Moutinho fosse benfiquista, tb era apreciado, isso não é bonito.


Mas é tudo, as 6 da manhã....volto para a cama, que lá está-se melhor que no ciberespaço a ler blogues partidários.

Filipe Snr disse...

Cada um é livre de pensar e se expressar... Também faz parte da cultura (política e em geral) saber o que outras correntes de pensamento defendem. Criticar sim, enxovalhar não. Devo dizer (já o disse, aliás) que estou de acordo com o Mário, e nem me passa pela cabeça votar em qualquer outro partido que não seja o PS (nas legislativas e nas autárquicas) embora, òbviamente, aceite que outros votem em qualquer dos outros partidos.

Mário disse...

Virginia:
Não entendi muito bem o teor do comentário. Aliás, o meu comentário à frase do Rangel (vale a pena ouvir...), que sustento, vinha até no seguimento de uma crítica ao Guterres, a propósito do excelente queijo Limiano.

Não entendo muito bem a atitude de, sempre que se fala de uma pessoa, levar-se com uma data de outras em cima, como se isto fosse uma balança maniqueísta. Rangel, aliás, criticou Marques Mendes, e não "um dos meus" - a dizer a verdade, não sei bem o que é isso, porque tenho "dos meus" em todos os partidos e sectores da sociedade. Por essa razão - por detestrar maniqueísmos, solidariedades irracionais de pertença e corporativismos, nunca pertenci a nenhum partido, opus dei, maçonaria ou "igrejas" semelhantes. E mesmo o Benfica, que você insinua falando do João Moutinho, defendo-o muito mas sei ver quando é ou não penalty (e, já agora, nunca me coibi de elogiar o João Moutinho, ou o Hulk ou o Lucho, ou o Zé Pedro, pertençam eles a que clube pertencerem).

Quanto à ética e a política, não percebo como é possível desenhar a segunda sem a primeira - acho perigoso, até, e foi assim que se criaram estados totalitários, ditadores e regimes e ideologias fascistas, comunistas ou nazis. Esquecer que a clara noção do Bem e do Mal deve presidir a cada decisão política é permitir e sufragar os Mugabes, Fidels ou Juntas Birmanesas (ou Salazares).

Quanto ao Sócrates, não conheço (nem você, creio) o processo - apenas sabemos o que os jornais dizem, e nunca aceitarei que alguém seja julgado com base no que dizem os jornais, mas sim em provas periciais e factuais apresentadas em sede de Justiça, devidamente apreciadas, contextualizadas e ponderadas. A Justiça foi uma conquista civilizacional, e não quero voltar aos tempos medievais e inquisitoriais, em que uma acusação de alguém bastava. Se assim fosse, est teu mano estaria provavelmente preso por corrupção, quando se veio a verificar que os jornalistas tinham sido pressionados e industriados por um ministro para me denegrir numa primeira página - valeu o Tribunal, para vir tudo ao de cima, com provas. E o que vinha no jornal era uma teoria da conspiração bem urdida...

Neste Blogue coloco aquilo que quero, mas respeito todos. Brinco com certas coisas e pessoas, mas sem malícia, e não sou defensor exclusivo do PS ou de seja quem for - mas também não vou no primarismo de "motorista de táxi" (enrte aspas) em resumir tudo a arranjar "dois ou três salazares".

COntinuo a achar que Rangel se espalhou e esteve mal. E discordo com o que ele disse. Se é o tal professor melhor do mundo, pior ainda e mais apreensivo fico...

Filipe - precisamente. Respeito todas as opiniões, mas arvoro-me o direito de apresentar as minhas desde que não ofenda ninguém. E constatar um facto não é destruir uma pessoa, mas também não é obrigatório sermos agora fiéis da Manuela Ferreira Leite ou do Sócrates, ou andar em conúbio com o Rangel ou o Santos Silva... podemos ter as nossas ideias próprias, e as minhas são essas: neste momento, não me cabe pela cabeça votar em qualquer outro, e se em 2010 houver uma disputa Cavaco-Alegre, votarei Alegre sem qualquer dúvida.

Larose disse...

e é aqui que está o cerne da questão ....é precisamente pela falta de ética na política que a descrença na classe política está da forma que está!

tenho muita pena ........ pois voto desde as 1ªs eleições livres ....e este ano não tenho vontade nenhuma de lá ir!

Virginia disse...

Onde está a ética do Sócrates & Co.?

Porque é que vcs são tão lenientes para com o PM e não toleram que se mantenham na lista do PSD pessoas arguidas?

Sabes o que é demagogia?

O Louçã deveria ser eleito por maioria. É o rei da Ética na política. Porque é que não votam nele?


As vezes acredita-se na justiça, outras vezes, só se denigre a justiça. Isso é que é falta de ética.

Mário disse...

Apenas repito: não concordo com dizer-se que a política deve ignorar a ética. E, daí, estou em desacordo com quem o diga, seja lá quem for. Mais, acho perigoso dizer isso, dadas as consequências que podem advir.

Quanto a arguidos, acho que só deveriam ser excluídos os que estejam envolvidos em processos realizados no decurso da sua acção política. Outra coisa é serem acusados formais: aí, acho que não deviam estar nenhuns.

Anónimo disse...

Mário,
Pegando nas suas palavras, pergunto: quando é que o "caso" do PM vai passar para a barra do tribunal? Já vão aparecendo notícias nos jornais sobre a prescrição do caso Freeport.
Mas já agora diga-me quem é o "irmão do peito" do Hugo Chavez, ou do José Eduardo dos Santos?
Quem é que se está "nas tintas" para os emigrantes portugueses na Venezuela, que são mortos e saqueados? Essas "uniões" de FACTO, são éticas?
Por favor... O Sócrates, parece uma Prima Dona, que chega SEMPRE atrasado a qualquer sítio, o que só denota a falta de respeito que tem por quem o espera.
PS = Partido do Salamaleque (a Sócrates).
Rosário

Virginia disse...

Boa, Rosário.
Realmente, para se falar de ética, há que votar num partido ou em pessoas exemplares nesse capítulo. Não atiro com as pessoas, nem as colo a ti, Mário, mas és tu que dizes há meio ano que nunca votarias em mais nenhum partido se não o PS. Logo, aprecias o estilo e a falta de ética do PM e seus amiguinhos. Ou não?

Virginia disse...

Só mais um comentário. A insónia dá-me para isto.

Queres melhores exemplos de falta de ética do que as medidas impostas pela Ministra da Educação às escolas e aos professores?

Onde estava a ética quando a tutela pôs colegas contra colegas a elegerem professores titulares, só porque era necessário que uns estivessem acima dos outros para os avaliar posteriormente?

Onde estava a ética quando depois duma manifestação de 200 mil, continuous embezerrada a marrar - os cornichos do Pinho ficavam-lhe bem - contra todos os que lhe diziam ser o instrumento de avaliação extremamente burocrático e inexequível?

Onde estava a ética quando o PM reuniu com os chefes de Estado corruptos - como Eduardo N, Mugabe e Chavez - fazendo tábua rasa dos princípios ( maquiavélicos, esses sim) que os norteiam, só para fazer negociatas duvidosas para o nosso país?

Onde estava a ética quando se determinou que os polícias ganhassem 4 euros pela hora extraordinária em que pôem em risco a sua vida em bairros perigosos e situações melindrosas?

Onde estava a ética quando o pp PM encomendou Magalhães sem concurso a uma firma do seu agrado, atropelando todo e qualquer regulamento em prole da sua "ideia" estapafúrdia

A MFL joga pela negativa, segundo o PS. Não concordo. Mas acertou nos principais cancros do governo socialista.E não é preciso dizer muito para todos verem que este PM + capangas não sabem nada de ética e mentem descaradamente.

V.

Anónimo disse...

Concordo absolutamente.
De ética, este PM não tem nada. Mal é contrariado faz um banzé indoors a chamar nomes a tudo e a todos, embora não o faça transparecer cá para fora. Mentiroso e fazedor de discursos são as paalavras que melhor lhe assentam. Quem não o conhecer até pensa que é um excelente governante.
E como outra coisa não seria de esperar :Sócrates vai ficar de fora da acusação do caso Freeport! Fantástico!
Posso estar desorientado quanto a quem vou votar, se é que vou, mas sei em quem não vou votar: no PS!!!
João

Mário disse...

Repito, peloa última vez: fiz um comentário a uma frase de um político, com a qual discordo totalmente. Aliás, esse político estava a atacar um outro políutico do mesmo partido.

Se a argumentação sobre a justeza ou certeza da frase "a política não se precisa de fazer com ética" é atacar cchamando todos os Sócrates à colação, parece-me uma maneira muito primária e partidarizada de debater as coisas, o que não faz o meu género.

Sempre critiquei quem acho que devo criticar, seja do PS, PSD ou qualquer outro partido.

Outra coisa é dizer que, perante o actual quadro político e o contexto nacional e internacional, para mim, repito, PARA MIM, as melhores opções são Costa para Lisboa, PS para a AR e quanto às presidenciais logo se verá.

O que me espanta é que, afirmar isto, é motivo para se assanharem e quase me considerarem um serial killer. Confesso que não tenho essa maneira de ver a política, e sempre colaborei com projectos que fossem bons, sem diabolizar ninguém: na Saúde trabalhei pessoalmente com Leonor Beleza, Arlindo Carvalho, Paulo Mendo e Maria de Belém. Na Segurança Social, com Bagão Félix, Fernando Negrão e Vieira da Silva. Sempre me dei bem com gente de bem, sempre tive a liberdade de criticar, sempre fui leal dentro dos projectos, não os boicotando politicamente.
Se cada vez que falar de algo me atirarem logo com o Sócrates, o Freeport e a Ministra, então não valerá a pena debater política.

Aliás, por muito que doa a muita gente, acho que a Ministra da Educação tem razão em muita coisa, e que os professores falham em outras tantas. Não são vacas sagradas e poderiam fazer muito mais pela Educação do que fazem. E os sindicatos da Educação são o pior cancro da Educação, a par do centralismo da 5 de Outubro.

E agora, querem que passe a dizer que a MFL é linda, querida, meiga, suave, competente, cheia de ideias, nada volúvel, incapaz de "rasgar" um papel, etc? OK. Mas eu é que não o direi - é o meu Blogue, expresso as minhas ideias!

Huckleberry Friend disse...

Três ideias.

1. Não faz sentido falar de uns casos para minimizar ou, pior, justificar outros. Os partidos, mormente PS e PSD, fazem-no a torto e a direito. É uma forma de argumentar vazia de conteúdo. Incluir Preto e Helena Lopes da Costa na lista estará certo ou errado, só por si (errado, a meu ver), sem termos de evocar outros casos (e o mesmo vale para cada um desses casos). Dizer que "a credibilidade da política não está na ética", como fez Rangel, é disparatado. Até pode não estar exclusivamente na ética, mas passa necessariamente por ela.

2. O currículo de um indivíduo não torna melhor ou pior uma afirmação que fez. Responsabiliza-o, só isso.

3. Votar num partido numa determinada eleição não implica ser cego ou imparcial, nem sequer militante do mesmo. Caso contrário, no limite, os resultados eleitorais nada variariam. Não, fazer uma escolha e colocar uma cruz no boletim de voto (ou nenhuma, ou um palavrão, ou ficar em casa) depende de muitas variáveis e envolve, tanto quanto a apreciação política e pessoal dos candidatos, o prognóstico que o cidadão faz da situação posterior.

Reconheço a Sócrates qualidades e defeitos, bem como à sua governação. Duvido que o quisesse para amigo. Estou longe de o achar perfeito. Mas o que está em jogo nas eleições legislativas é saber se o primeiro-ministro vai ser ele ou Ferreira Leite e qual a relação de força entre os partidos com representação parlamentar. Ou seja, podemos votar entusiasticamente, tacticamente, ou até num mal menor. E podemos (devemos) ser críticos até, ou sobretudo, daqueles que ajudamos a eleger. Mas uma coisa é certa: nunca ninguém tem legitimidade para nos pôr um rótulo de majoretes acéfalas lá por votarmos em A ou B.

Dito isto, também eu votarei PS nas legislativas e nas autárquicas. Com mais entusiasmo nas segundas do que nas primeiras, mas em ambos os casos fazendo a minha análise da situação e das opções que estão sobre a mesa. Que não quero vender a ninguém, de resto. Das presidenciais direi apenas que cada vez estou mais contente por não ter votado em Cavaco, e que não o farei em 2011. Nas outras duas eleições já mencionadas, o meu apoio ao PS, nada incondicional, tem como motivação adicional - além da apreciação do que houve de bom e de mau na governação nacional e autárquica - a repulsa que me merecem as alternativas Ferreira Leite e (argh!!!) Santana Lopes.

Corolário: evitemos que o sectarismo mate o prazer de debater ideias. Isto não é futebol...

Mário disse...

Pedro
Absolutamente de acordo.
Não é preciso dizer mais nada.

Virginia disse...

Pedro, gosto do que escreves e sobretudo do modo como escreves, mas há tanta demagogia nas vossas posições pró-socialistas.
Aceito-as e compreendo até que se veja no Sócrates um empreendedor, um pro-activo ( a palavra soa tão bem), um tipo que não olha a meios para conseguir os fins ( lá está a tal ética de que falava o Rangel, ou a falta dela). Compreendo que se queira continuar com este "circo" de obras públicas, sem tom , nem nexo, a pensar que no futuro iremos todos de TGV para Madrid em duas horas ( por que preço?) ou que Lisboa ficará enriquecida com dois aeroportos, mesmo que um esteja vazio.

Não gosto do tom FL, não aprecio o estilo Cavaco, mas do mal o menos. Prefiro um país que não compra casa quando não tem dinheiro do que o que manda construir palacetes só para dar trabalho aos amiguinhos da Mota-Engil ou Somargue e encher o olho do parvónio da esquina.
Prefiro um bom pendular que me leva em duas horas e meia a Lx do que um TGV que me leva a Madrid onde não preciso de ir.
Portugal vive destes fogachos e o essencial, que é invisível para os olhos, lá dizia o Principezinho ( que não era o do Maquiavel) fica abandonado: agricultura, pequenas e médias empresas, educação ( a verdadeira), saúde, justiça, etc.

Não é preciso dizer alto e bom som em quem se vota, isso parece-me ser um pouco infantil e não convence ninguém. Esse é o estilo Sócrates, que usa e abusa dos nosso ouvidos nos media.
Apesar de tudo prefiro o tom menor e o low profile de quem me garante saber o que anda a fazer. Acredito mais nos Rangeis, Borges, PP e Marcelos do que nos Santos Silvas ( byerkkk), Pinhos e Linos. Sorry.

That's my view e não estou a culpar ninguém por votar no PS , nem sequer a insinuar que pactuam e apreciam as aldrabices do PM actual. Mas não há muita coerência nesse voto tão convicto.

Mário disse...

Virgínia
Fiquemos então com a coerência da MFL relativamente ao processo do TGV...

Quanto a "declarar" o voto, é tão infantil ou tão maturo dizer-se ou não. Cada um sabe se o quer revelar, quando e como. Não creio que se possam emitir juízos de valor sobre isso.

E por aqui me fico, nesta discussão. I rest my case

Virginia disse...

Tenho um amigo que foi sempre PS convicto e que não vai votar neles, nem em ninguém, se calhar, porque é um professor excelente e acha as políticas de educação completamente estapafúrdias. Para ele, a Ministra foi um panzer que arrasou tudo e ainda se gaba.