sexta-feira, 24 de outubro de 2008

je déclare!

Aqui fica, para a posteridade, a minha Declaração em como o que interessa é se as escolas são boas ou más, se têm ou não projecto pedagógico sólido, se são seguras, se respeitam a criança enquanto ser em eterna brincadeira, se dão mimo, se não exigem TPCs, e se são inclusas e reflectindo a variedade do ser humano e a realidade externa.

Hoje, neste dia, aqui fica a minha Declaração de que os recreios deveriam ser os intervalos das aulas, e que não devemos fabricar cavalos de corrida para a retoma económica, mas pessoas e cidadãos livres e felizes.

Hoje, neste dia, fica a minha Declaração de que existem escolas públicas excelentes, e que o show-off de algumas privadas, manifestado na marca do carrão do papá ou da camisa do menino, é de uma boçalidade a toda a prova, com largos ganhos financeiros ou com vista a formar elites para a tomada do poder daqui a uns anos. Declaro também ser a favor de um Ensino Laico e plural, onde Deus e as Igrejas fiquem na intimidade e privacidade do lar de cada um. Salvaguardo existirem escolas públicas muito más e escolas privadas excelentes.

Hoje, neste dia (e antes) fica a Declaração de que tudo farei para colocar os meus filhos em escolas públicas, sempre que estas forem perto da residência, boas e "normais" - como o faço desde 1980, aliás -, permitindo passeios a pé, comprar castanhas no senhor Eduardo, perceber porque é que o musgo cresce do lado norte das árvores ou os melros debicam a relva logo depois de chover. Sem TPCs, sem excessivas actividades. E com a brincadeira e o descanso como recompensas de um dia de trabalho e de gozo.

Hoje, neste dia, mesmo lutando contra ventos e marés (ou porventura por isso), sei que estou do lado certo da Justiça, da Educação, e da Saúde Mental das crianças. E quando essas crianças são meus filhos, estarei na linha "mais do que a frente".

E num dia de tão raras certezas, convido-vos a reflectir sobre o assunto.

(reflexões enquanto esperava num corredor cheio de sol, embora quente, do Tribunal de Menores e Família de Lisboa).

52 comentários:

Rosa disse...

Viva às escolas onde os TPCs não se exigem, onde a brincadeira Reina e o Afecto Prima! Felizmente o meu filho anda numa escola assim!

sofia disse...

Muito me alegram as suas palavras. Muito me sossegam também e muito, muito obrigada por partilhá-las connosco. Fica a preocupação: os primos do meu filho não brincam nunca durante a semana. Saem da escola e vão a correr para casa para fazer trabalhos de casa extra-longos. Uns em escolas públicas, outra numa privada...

Virginia disse...

Como professora do basico e secundário, não posso concordar com a abolição do trabalho pessoal do aluno, quer ele tome a forma de TPC ou seja executado na escola fora das aulas.
Sei por experiência que metade da aula se vai, por várias razões: distracção dos alunos, dificuldades de motivação, falta de interesse, indisciplina, etc. Se o professor não dá algum TPC , os alunos com 90m de aulas por semana num bloco ficam 8 dias sem pensar no inglês e quando vêm para a aula seguinte estão desfazados do conteudo e com a cabeça cheia de outras coisas, não menos interessantes, concordo.

A nível dos 12-18 anos os TPCs são o único meio dos alunos exercitarem sozinhos, fazerem os seus projectos, estudarem os textos ( com dicionário , gramática, etc, que nunca são trazidos para as aulas), usarem os workbooks, etc.É um trabalho indispensável para que adquiram competências sozinhos.

Acho graça os pais dizerem que querem meter os meninos nas escolas públicas....a maioria nem experimenta e opta logo pela privada, o que tb fiz ao meter os meus filhos no Col. Alemão, numa altura em que o "carrão" era um Datsun pequenissimo, viagens nenhumas, cinema nenhum, vida apertadíssima para pagar casa, colégio e infantários....sempre achei bem empregado o dinheiro que gastámos ( idem com a Católica para um dos filhos) e não me importei de sacrificar muita coisa em prole duma educação melhor para os filhos.

Depois de 37 anos a ensinar numa escola pública devo dizer que , se a princípio esta era boa e havia alunos excepcionais, neste momento está francamente má , em geral, os cursos profissionais são uma desgraça ou falácia, os alunos passam todos para a estatística ver, há turmas de meninas com 18 anos no 9º ano que só querem pintar as unhas e chatear os profs e rapazes que imitam os pais bêbados quando chegam a casa a bater nas mulheres e a chocar contra as paredes ( sic...).

Deixemo-nos de demagogias,

Ao olhar para os meus netos declaro que enquanto puder, darei ajuda aos meus filhos para os manterem na escola alemã, onde a par do ensino normal , ainda têm instrumentos musicais de graça, teatro, danças, natação durante o periodo das aulas da infantil, horta, etc. E ainda fica muito tempo para passearem com a Avó, verem as folhas de outono a cair, visitar o jardim botânico e ver o Canal Panda em casa.

Além de que aprendem alemão e inglês excelentes, claro!!!

Virgínia

Mário disse...

Virginia
Ao nível do 1º e 2º ciclos, há mutas escolas públicas que já têm isso tudo, como a EB14 e a EB154, porque têm mimo, actividades, brincadeiras, e os TPC são só para o fim da semana.
Aprendem inglês, música e têm exercício físico. E são perto de casa dos pais, permitindo que se desenvolva a real "comunidade educativa".
Outras haverá que são más, claro, como algumas privadas, cada vez mais confessionais ou de meninos filhos de novos-ricos, em que os valores fundamentais são o dinheiro e o total alheamento relativamente ao mundo em que vivem, fgazendo depois que contribuam muito pouco para o fazer melhor. Infelizmente é assim, em muitas escolas de Lisboa...

A Cor da Rosa disse...

Eu não sou mãe, ainda.
Mas sou tia e gosto, mesmo, dos múdos.
Confesso que tenho dificuldade em perceber a correria em que os miúdos (e os pais) andam: agora a escola, agora o inglês, agora o judo, agora as "explicações"... percebo que os pais trabalhem e os tenham de deixar em qualquer lado... mas que encapotem essa razão com "ai o meu filho vai ser um adulto bem preparado", custa-me a engolir!
E será que esses miúdos aprendem a ser amados e mimados?
É que para dar é preciso, primeiro, aprender a receber!
Não tem muito a ver com o post mas tinha de desabafar!

Catarina disse...

Mário,

Concordo com o que pensas, dizes e escreves sobre este assunto tão delicado, como a escolha da melhor escola para os filhos.
Compreendo o que a Virgínia diz, bem como as opções de cada pai e mãe, mas a realidade mostra, como dizes, que existem muito boas escolas públicas onde se pratica um bom programa pedagógico, onde existem múltiplas actividades complementares bastante estimulantes das crianças, onde há afectos e valores no sentido da tolerância, entre-ajuda, generosidade, auxílio ao próximo, com vista à construção plena da criança como indivíduo responsável e autónomo.
Como dizes, tudo depende do tipo de educação e valores que se quere incutir aos filhos.
Sei, por experiência familiar, que as crianças educadas em escolas privadas, e de natureza confessional, poderão ter uma excelente formação técnica (também tenho dúvidas sobre iss), mas em termos pessoais, de sociabilização e de estrutura emocional, são mais tímidas, retraídas, menos preparadas para o contacto com todo o tipo de ser humano e com a adversidade, e daí, por vezes, mais inseguras, porque a verdade é que foram educadas numa espécie de "redoma".
Esta questão é muito sensível, mas não queria deixar de dizer-te que me identifico com a tua análise e sensibilidade sobre o assunto, e não apenas por ter sido educada sempre em escolas públicas, que adorei e ainda hoje recordo com muita saudade, mas também porque a realidade actual também isso mo demonstra, não só com os meus sobrinhos, que se encontram numa escola pública excelente, mas também por filhos de familiares e amigos, incluindo a escola onde presentemente se encontra um dos teus filhos, que se tem vindo a revelar uma escola fantástica!! que apetece apoiar e acarinhar.
Se te servir de algum conforto, deixo aqui todo o meu apoio e solidariedade à escolha e ao caminho que optaste, o qual considero, também, ser o mais acertado. E vais ver que um dia, os teus filhos te irão agradecer pela escolha que fizeste.

Um grande beijo,

Catarina

Mário disse...

O que eu não aguento é o tipo de pais que dizem "filho meu não anda em escola pública" sem se darem sequer ao trabalho de ver se a escola é boa, assim-assim ou má, estando mais interessados nos apelidos das outras crianças do que nas actividades e no projecto pedagógico. E isso, Virgínia, não sei como é no Porto, mas aqui em Lisboa abunda.

Virginia disse...

Na realidade uma filha minha saiu do Colégio Alemão para a Esc. Carolina Michaelis ( pública) no 10º ano.
A diferença foi total no aspecto cultural e de exigência. Boa aluna era, óptima aluna ficou, nunca teve que se esforçar grandemente para as aulas e testes, exames, etc. A bagagem que trazia do Col Alemão serviu para o secundário e ainda para a faculdade onde fez tudo "com uma perna às costas".Na escola pública não teve uma actividade criativa , um projecto mais audacioso, uma viagem de curso, nada. Os meus dois filhos tiveram de se empenhar imenso nos tres anos do secundário, pois a escola alemã exige muito ( matemática até ao 12ª) e os exame Abitur é dificílimo.Mas viveram esses anos com enorme entusiasmo.

Talvez seja só um caso.

O meu problema com a escola pública - e reconheço que deve haver algumas muito boas - como há turma muito boas e outras péssimas ( é feito rastreio logo no 7º ano, turmas para filhos de prfs e turmas para os meninos dos bairros sociais, sei-o há 20 anos, pelo menos) é que não puxa pelos miudos melhores. NADA. Sobretudo depois do 5º ano.

Os profs das escolas públicas - tenho muitos amigos ainda a leccionar - estão saturados e a suspirar pela reforma, duvido que sejam assim tão bons como se apregoa cá fora. Encontro-os e só dizem: quem me dera a reforma. E eram profs excelentes no tempo em que os animais ( Ministra) estavam calados....

Tive alunos óptimos que eram sistematicamente ignorados por causa dos meninos carentes de Afecto e Mimo ( carentes era de uns pares de estalos ) que se divertiam a cortar o manual com tesouras na aula ou a jogar joguinhos ao telemóvel.

Graças a Deus reformei-me há um ano pois psiquicamente estava a ficar doente e não aguentava sequer as turmas razoáveis, quanto mais as horas infindáveis de substituição com alunos que comentavam ao ver-me: Ainda por cima mandam-nos para cá as mais chatas..."

Não falem de escolas públicas ( basico -5º12º) sem ter trabalhado lá!

Que interessa a escola ser ao pé de casa, se os pais não estão em casa? Os meus filho e nora só chegam depois das 7 e eu ( ou a outra avó) é que os vou buscar ao colégio e infantário.

O colégio alemão era a uma hora a pé de minha casa e eu ia a tudo o que eles planeavam com os pais, nunca me senti ostracizada, sempre colaborei nos teatros e festas, bazares e bolos para a cantina, nem me custava nada. O ambiente era formidável, como continua a ser, os miudos nem farda têm usam T-shirts e sweats vermelhas, somente na infantil.

As escolas internacionais são as melhores para os miudos hoje em dia porque lhes dão uma panorâmica global de estratos sociais diferentes, imigrantes, estrangeiros, culturas diversas,música, tolerância e humildade.

Cabe aos pais não dar aos filhos exemplos de novoriquismo, mas sim de sacrifício e mesmo de renúncia a bens essenciais ( TV no quarto , por ex!!!)

Desculpem, mas a minha experiência é vasta nos dois prismas, como professora e como mãe.

Em tudo há excepções, admito, mas não acho que tu, Mário, estejas em posição de ver toda a floresta.

Os teus filhos, Pedro e Filipa andaram no privado, não foi?

Alda disse...

Confesso-lhe que gostei bastante deste post. As minhas filhas fizeram toda a fase 'pré-escolar' num colégio privado e, com a entrada no ensino básico, matriculei-as numa escola pública (para onde os irmãos também irão). É uma escola como a que refere, com actividades extra-curriculares (música, inglês, artes e ginástica), onde se cultiva a brincadeira e a harmonia. Onde, ao contrário do que acontecia no colégio, se fazem visitas de estudo regulares e eu não pago por elas. Onde a junta de freguesia tem a preocupação de, no Natal, deixar uma recordação a cada aluno. E, principalmente, onde elas têm oportunidade de conviver tanto com quem anda nos 'carrões' como com quem é obrigado a andar de transportes ou a pé.

Mas acredito que o factor 'sorte' (com a escola, os professores, a equipa e os colegas) seja de facto determinante em muitos casos. No meu, posso garantir que tivemos uma melhoria extraordinária com a saída de um colégio com bastante reputação.

Já em relação aos TPCs, acredito no meio termo. Eles parecem-me pertinentes na medida em que, na quantidade certa, não só permitem o estudo regular dos mais novos, como me facilitam o acompanhamento in-loco das capacidades e dificuldades das minhas crianças. O que, acredite, é para mim e para elas uma vantagem preciosa.

Um abraço!

Mário disse...

Mais do que a dicotomia público/privado, deve ser boa qualidade ou má qualidade. Seja na Educação, seja na Saúde, há de tudo.

Eu não pretendo dizer que vejo a floresta, mas apenas que sei aquelas árvores de que necessito.
E tenho a sorte de não viver aquilo que a Virgínia descreve, e que até acredito ser a vida da maioria - organizei o meu emprego e a minha vida para poder ir buscar as crianças, posso fazê-lo a pé, a piscina é ao lado das escolas e as escolas que ficam ao lado de casa são públicas e de excelente qualidade. Não vejo nenhum sintoma de desinvestimento, pelo contrário, e acho que é um pouco como Churcill dizia: "o que podemos fazer nós pelas escolas, mais do que o que elas podem fazer por nós" - e muitos pais nem sabem o nome da professora, quanto mais do resto das pessoas da escola.

Realidades diferentes, talvez, mas a dieia de os meus filhos estarem numa escola que tem gente representativa do tecido social agrada-me mais do que andarem numa que só tenha filhos de admninistradores de bancos ou de emrpesas EP... é também essa "escola" que me interessa. E a pior violência será, porventura, andar a comparar marcas de carro e banheiras com jacuzzi do que uma cena de estalos de vez em quando.

Os mais velhos andaram no Moderno, que erea uma escola laica e aberta, num tempo em que as públicas (salvo a do bairro de São Miguel) eram péssimas. Actualmente, com o redimensionamento demográfico das freguesias de Lisboa, tal não se verifica.

Joana disse...

No últimos tempos, tenho discutido este assunto várias vezes com amigos que têm que optar por manter os filhos num colégio privado ou colocá-los no público.
Desconheço a realidade de Lisboa, mas aqui em Braga é é impensável para alguns pais (infelizmente muitos)colocarem os seus filhos no público. Já partem do principio que o público é MUITO MAU.

Muito mau porquê?

Mas afinal quem leciona nas escolas públicas? Quem educa nos infantários? Quem sobra para os privados?!

Eu acho é que à boa maneira portuguesa queremos mostrar ser aquilo que não somos e ter aquilo que não podemos ter!!

Sempre estudei no público e fui sempre muito feliz! Feliz em todos os sentidos! Fui preparada para encarar a vida de forma a ultrapassar todos os obstáculos, a resolver os problemas e encarar as realidades diferentes! Será que tivesse andado no privado seria assim?

Será que os pais estão preocupados com a aprendizgem dos filhos, ou estão preocupados com as amizades que eles possam vir a ter? Ou até porque podem ser discriminados por andarem no público.

Aqui em Braga, parte-se do principio que quanto mais caro for o colégio melhor é!! Isto é ridiculo. Ninguém está preocupado com o projecto educativo, pedagógico...com os mimos... enfim... o que conta é ter 500 eur para pagar o colégio..

Tenho um filho com 1 ano,quero que ele tenha contacto com o MUNDO!com todas as realidades! Que tenha uma boa educação! Que seja FELIZ! E para isso vou acompanhá-lo em todas as etapas! Não quero que fique formatado à medida dos colégio privados de 500 eur!!

Joana disse...

No últimos tempos, tenho discutido este assunto várias vezes com amigos que têm que optar por manter os filhos num colégio privado ou colocá-los no público.
Desconheço a realidade de Lisboa, mas aqui em Braga é é impensável para alguns pais (infelizmente muitos)colocarem os seus filhos no público. Já partem do principio que o público é MUITO MAU.

Muito mau porquê?

Mas afinal quem leciona nas escolas públicas? Quem educa nos infantários? Quem sobra para os privados?!

Eu acho é que à boa maneira portuguesa queremos mostrar ser aquilo que não somos e ter aquilo que não podemos ter!!

Sempre estudei no público e fui sempre muito feliz! Feliz em todos os sentidos! Fui preparada para encarar a vida de forma a ultrapassar todos os obstáculos, a resolver os problemas e encarar as realidades diferentes! Será que tivesse andado no privado seria assim?

Será que os pais estão preocupados com a aprendizgem dos filhos, ou estão preocupados com as amizades que eles possam vir a ter? Ou até porque podem ser discriminados por andarem no público.

Aqui em Braga, parte-se do principio que quanto mais caro for o colégio melhor é!! Isto é ridiculo. Ninguém está preocupado com o projecto educativo, pedagógico...com os mimos... enfim... o que conta é ter 500 eur para pagar o colégio..

Tenho um filho com 1 ano,quero que ele tenha contacto com o MUNDO!com todas as realidades! Que tenha uma boa educação! Que seja FELIZ! E para isso vou acompanhá-lo em todas as etapas! Não quero que fique formatado à medida dos colégio privados de 500 eur!!

Virginia disse...

Desculpa voltar à vaca fria...quem me dera estar aqui, neste momento a pugnar pelo valor das escolas públicas , eu que dediquei toda a minha vida a elas.

Continuo a achar que há muita flor no meio dos cardos, mas cada vez mais a tendência é para a degradação, sobretudo nos anos do secundário.
Quando a escola for obrigatória para o secundário, vcs vão ver o panorama real...porque agora ainda 40% ficam pelo 9º ano.

A educação dos miudos até aos 10 anos é diferente, há mais controle dos profs ( só um) e os pais, não há tantos problemas sociais, é claro que os filhos de pais problemáticos podem ser ricos ou pobres.

O que me parece é que o investimento nas escolas a partir do 7º ano é quase nulo e daí a maioria não ter o ambiente ideal para os adolescentes. Bem sei que leccionei em escolas antigas e degradadas - mesmo assim tb tenho algumas boas recordações e considero que tudo fiz pelos alunos - mas a música, o teatro, as festas, o convívio estavam ausentes. As associações de estudantes eram uma aberração, só sabiam chamar a atenção nas semanas de eleições e a participação dos alunos e pais deplorável...faltavam aos conselhos pedagógicos, nunca cumpriam os deveres, não sugeriam nada, só se queixavam.

O Colégio Moderno é um colégio privado e embora aberto deve ter muitos meninos com dinheiro e da alta burguesia.Não se compara com a escola pública.

é bom saber que há escolas públicas boas - fico contente.

Teresa disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Teresa disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Teresa disse...

Sempre frequentei escolas e faculdade públicas, e achei que dependendo do sítio onde estivesse a viver na altura, os meus filhos iriam frequentar escolas públicas.

O meu filho mais velho frequenta o 2º ano da EB 154, e infelizmente não posso dizer as maravilhas que desejaria.

É realmente perto de casa, perto do colégio do irmão (que ainda está sob a alçada da maravilhosa equipa da Tia Cácá – privada), tem tempo de recreio (mas com muito pouca ou nenhuma vigilância!), refeitório (um caos instalado, que me faz sempre que possível, planear almoços fora da escola!), bastantes TPCs (muitas vezes por “culpa” dele – que não trabalha na sala (?!) mas acaba o trabalho em casa!), bom ensino (pelo menos o Francisco está a adquirir muito facilmente os conteúdos) e algum mimo, desse não me queixo porque ele adora a professora (!), que eu não adoro e tenho até algumas reservas...

O ano passado, o ano do “embate” foi um ano muito duro! Constatar que a escola não conseguia integrar o meu filho (que tem algumas fragilidades emocionais e relacionais, é certo) fez-me pensar mudá-lo para uma escola privada. Até que apareceu um “anjo”, uma professora do ensino especial, que me fez perceber que mais do que a escola, o importante é termos a SORTE de nos cruzar com PESSOAS verdadeiramente empenhadas, profissionais e experientes!

No fundo, é isto que é importante, e acredito que esta seja uma questão transversal ao público e ao privado!

Teresa disse...

Não sei o que aconteceu, mas o bloguer publicou 3 vezes o meu comentário...e não consigo apagar!
Está desde já à vontade para o fazer.

Mário disse...

Teresa
Já retirei...

Su disse...

Ando, há já algum tempo, com a cabeça perdida a pensar que escola escolher para o meu "terror dos mares"...

Amoroso, irrequieto, insatisfeito, turbulento e por vezes até mauzinho, o meu filho esteve 6 meses num colégio privado estraordinárimente bem equipado, com pessoal qualificado, cheio de actividades intressantíssimas e com uma alimentação do mais saudável. Foram, posso dizer sem rodeios, que foram os piores meses da vida dele! Mal tratado e mal amado por aqueles que o deveriam proteger e ajudar, entrou numa tristeza profunda.
Agora, num outro colégio privado, é acarinhado, compreendido e ajudado a ser novamente uma criança feliz, parece outro! Até, veja bem, consegue estar sentado uma hora a fazer um trabalho!

Infelizmente esta escola não tem 1º Ciclo (não estou fazer pressão, Tia Cacá...) e estou muito inclinada a pô-lo num escola pública, onde eu própria andei. Não sei se tem Inglês ou se levam à natação, mas o que quero é que o respeitem como pessoa, que o deixem crescer e ser criança ao mesmo tempo!

E já agora, que também só lhe dêem TPCs ao fim-de-semana! Os trabalhos de casa são para fazer, como o nome indica, em casa e não num ATL qualquer, demitindo os pais desse dever. E convenhamos, durante a semana, no meio dos banhos, do jantar e da história, os TPCs são os primeiros a ir "à vida"! E ainda bem!

Mário disse...

Su
Se quer um conselho: Escola do Largo do Leão ou Escola do Filipa.
E disse!

Virginia disse...

Penso que cada criança é diferente dos outros e também é importante observar como se comportam em ambientes iguais. Tive tres filhos e todos eles tinham necessidades diferentes. A escola nem sempre pode resolver esses casos, tem de os tratar um pouco aleatoriamente, dado que cada professor do secundário tem seis ou sete turmas de 28 alunos. Torna-se complicado detectar os problemas de todos em particular.

Quanto aos TPC, continuo a achar que são essenciais. Pessoalmente dava-os por um periodo de uma semana no secundário.
Na escola os alunos não trabalham o suficiente e sobretudo não se tornam autónomos. E não é preciso os pais monitorizarem sempre os seus deveres. Os meus filhos faziam os TPC (a escola primária era só de manhã) sozinhos na mesa da sala. Só os ajudei em momentos especiais, quando o alemão era difícil ou o desenho complicado.

Acho que o problema dos pais hoje em dia é mais a TV, que os meninos querem ver na hora dos TPCs. Todos vêem os Morangos ou os Pandas e nunca têm tempo para outras coisas...

rui disse...

Gostei muito do post e mais ainda da discussão que está a suscitar. Ao autor, agradeço a deixa!

Fica uma sugestão/pedido aos comentadores: digam o nome da escola boa e da escola má que conhecem.

Mais tarde deixarei a minha experiência e perspectiva.

Anónimo disse...

Após de leitura aturada de tudo, quero dar os parabens à Virgínia que me parece ter conhecimento de causa em ambas as situações: público e privado. Está provado que há bom e mau em ambas as escolhas, daí que apesar de registar a veemente opinião do Mário, acho que cada um dve pensar pela sua cabeça sem tentar influenciar outros.

Teresa disse...

Su,
não imagina a pena que eu tenho que esse Colégio não tenha o 1º Ciclo!!!

Virginia disse...

Bom, estou a falar de escolas publicas do Porto, em especial da Carolina Michaelis, que no ano passado deu triste espectáculo!!

Quanto a privados só conheço o Colégio Alemão do Porto que tem mais de cem anos e é suportado pelo Governo Federal da Alemanha, dai as propinas serem metade dos colégios privados. Até há pouco tempo só tinha aulas de manhã até ao 9º ano, mas agora todos ficam até às 5, pagando os pais a vigilância. É um colégio muito aberto qualquer pessoa entra lá e ninguém pergunta quem é ou o que vai fazer.

Na minha escola publica nem deixam entrar os antigos profs se não tiverem o cartão da escola, tal é a segurança ( e o medo dos hooligans).

Virginia disse...

Só queria comentar uma observação da Catarina com que discordo profundamente. Não é nos colégios privados que os alunos se tornam tímidos e retraídos, pelo contrário, habituam-se a lidar com os filhos dos "quero , posso e mando" deste país, saem do casulo; no caso de escolas estrangeiras ficam a saber como é que se vive ( e trabalha) em países desenvolvidos e são chamados a "pensar" porque os programas são feitos com esse objectivo.
No caso dos meus filhos, o mais velho foi para a Alemanha aos 20 anos e só voltou sete anos depois, como o Mário sabe, a minha filha foi para Inglaterra e só voltou quatro anos depois por doença e o mais novo arranjou emprego um dia depois de ter acabado o curso. Isso prova que não são retraídos, nem tímidos, pelo contrário. Têm sede de conhecer o mundo, mas com suficiente bom senso para não entrar em riscos demasiados. Tanto um filho como o outro trabalhou no estrangeiro para subsidiar a sua estadia, devo dizer.

Na escola pública - e até nas universidades - ainda são poucos os que se afoitam a ir para o estrangeiro estudar com tão "tenra" idade, preferem o conforto da escola que nada exige, o proteccionismo dos paizinhos e a lei do menor esforço.

Há excepções, claro...

Clotilde disse...

professora ensino especial aposentada

Depois de ter lido com atençao todos os comentários e porque estou completamente de acordo com o que pensa o dr. Mario sobre as escolas públicas,gostaria de comentar o seguinte:
Porque razão as escolas públicas não gostam de ser inclusivas?Quando aparece alguma criamça com problemas vedam-lhe a possibilidade de uma matrícula.Se por acaso a criança tem influências fortes e poderosas são matriculadas mas vedam a possibilidade de apoi externo á escola. Porque será?Fiz continuamente formação em exercício e inclusivamente três cursos superiores especializados numa universidade de excelência (U . Minho)e o engraçado da situação é que nunca tive uma colega do ensino privado!!!Sabem porquê?os professores do privado não têm estatuto da carreira docente como os do público.Os directores dos privados apenas querem lucros...
A maioria dos autores hoje em dia coincide na opinião de que a causa principal do insucesso escolar de individuos socioculturalmente desfavorecidos não se situa tanto no desenvolvimento intelectual,mas na pobreza cultural do ambiente,ou seja na privação ambiental.Por isso acredito que o caminho a seguir tem de centrar-se na criança ,família e escola.Temos de nos preocupar com essas crianças e se os processos de aprendizagem os incluirem elas vão encontrar as mesmas oportunidades de desenvolvimento pessoal.escolar e laboral.
Tive sempre os meus filhos em escolas públicas o mais próximo de casa e o que mais admiro neles (já são pais e têm posições elevadas no campo da investigação,economia e medicina)é a sua qualidade das relações intrepessoais.A escola e nós família (preocupados sempre com os valores morais familiares amizade solidariedade)devemos pensar nas famílias como estando em constante mudança e no reflexo que isso traz na alteração de valores. Os meus filhos sempre se preocuparam e preocupam que apesar dos conflitos e da história pessoal de cada uma,temos o dever de os ajudar constantemente na sua construção.Assim podem ajudar a reduzir os conflitos na medida em que a tensão passa quando se sentem apoiados quer seja através do diálogo ou de inter-ajuda.Nas escolas privadas ,preocupam-se com esta franja da sociedade?

Clotilde

Virginia disse...

Não compreeendo muito bem a sua pergunta. Todas as escolas públicas são inclusivas e nem todas as escolas podem vedar a entrada de miudos menos favorecidos, sobretudo quando estão em risco de desaparecer do mapa, como acontece a muitas escolas dos centros das cidades , em Lisboa e no Porto. Muitos dos alunos do Carolina Michaelis, que era uma escola de meninas e de elites, vêm agora de lugares remotos como matosinhos, Gaia, Maia, etc, por causa do metro ou porque lá não os querem. O centro do Porto está vazio e a escola tem de aceitar todos os alunos para não acabar.
Quanto àos valores e capacidades dos filhos não depende só das escolas, depende muito dos pais que os acompanham. Felizmente há casos em que pais e escola jogam todos do mesmo lado e o resultado vê-se nos educandos.
Muitos dos profs do privado são profs do público - ou foram-no. Havia acumulação por todo o país antes desta ministra, que proibiu acumulações.
Concordo que o ambiente cultural das escolas hoje em dia não favorece os alunos mais carentes, mas a esses tem o Estado de dar uma mão, não cabe só aos profs puxar por eles quando vêm para as aulas com uma carga social completamente adversa e só querem perturbar e extravasar as suas frustrações.

miguel disse...

Virgínia: eu acho que a Clotilde quando se referiu às escolas públicas que não são inclusivas, queria referir " escolas privadas".
Pelo menos o teor do comentário leva-me a concluí-lo.

E quando ela fala em "privação ambiental" refere-se - penso - a desestruturação familiar e não ao "ambiente da escola".

Pelo que me parece que estão as duas de acordo.

Um abraço a ambas!

Anónimo disse...

Se eu trabalhasse por "conta própria". Fizesse o meu próprio horário. Marcasse e desmarcasse os meus compromissos, ao meu belo prazer e conveniência. Se tivesse a possibilidade de ter uma empregada e dinheiro para ela ir buscar os meus filhos à Escola de táxi, também os punha numa Escola Pública. Só que os Pais que têm horários a cumprir e não têm empregadas, Avós, Tios ou afins que lhes vão buscar os meninos, ainda que, com bastantes dificuldades, vêem-se OBRIGADOS a colocar os seus meninos numa Escola Privada, por esta ter um horário mais compatível com o deles. Nem todos o fazem por luxo, mas sim por necessidade, se calhar desconhece a palavra.
Quantas vezes foi levar os seus filhos, a pé à Escola neste último ano?
Quanto aos mais velhos, desde quando é que o Colégio Moderno
e um Colégio aberto? Para mim Colégio Aberto é aquele que é aceesível a TODOS e não só aos que têm PODER ECONÓMICO, ou será que vai dizer que não é um Colégio de e para ÉLITES???
Se, conforme diz no seu texto,e passo a citar " Hoje, neste dia (e antes) fica a Declaração de que tudo farei para colocar os meus filhos em escolas públicas, sempre que estas forem perto da residência, boas e "normais" - como o faço desde 1980, aliás -, permitindo passeios a pé, comprar castanhas no senhor Eduardo, perceber porque é que o musgo cresce do lado norte das árvores ou os melros debicam a relva logo depois de chover. Sem TPCs, sem excessivas actividades. E com a brincadeira e o descanso como recompensas de um dia de trabalho e de gozo.", então, afinal quantos filhos tem?
Já escrevi demais, porque até sei que este comentário vai ser APAGADO, porque só são publicados os que lhe agradam e o apoiam, e isso é falta de Democracia e NARCISISMO!!!!!

Virginia disse...

Realmente verifiquei que as propinas do Colégio Moderno variam entre os 450 e os 550 euros por mês. Pode ser uma escola muito aberta, Mário, mas não é propriamente uma escola pública, nem nunca foi.

Gostava de saber mais coisas das escolas públicas aqui citadas - mesmo as do 1º e 2º ciclos - pois tenho interesse no tema.

Dantes não me considerava elitista no que toca a educação, mas a pouco e pouco comecei a ver que, quando não há "cunhas", nem relações pessoais ( troca de favores), etc. há que pensar no futuro dos nossos filhos e não é na escola pública que eles vão ficar a conhecer o mundo onde mais tarde terão de trabalhar, limitar-se-ao a ter de aturar colegas que vêm de meios muito diversos, cheios de problemas, indisciplinados e até deliquentes. Isso não é uma boa experiência dentro da sala de aula, se não houver um mínimo de disciplina e autoridade; os alunos bons, que querem estudar e aprender, por muito solidários que sejam, cansam-se de estar a ser constantemente "torpedeados" por outros colegas que só querem disturbios e paródia na escola. São anos das suas vidas que se perdem, minutos preciosos de aulas que se vão, é o barulho que cansa...os meus alunos suspiravam por silêncio e muitas vezes, eu nem conseguia aguentar a pressão.
Nas escolas particulares, há mais harmonia e os alunos desordeiros são expulsos ou recebem admoestações a sério. Há mais respeito pelos profs ( com excepções) e os pais estão mais do lado da escola, não a vêem como um inimigo a abater...

Abraço

virgínia

Anónimo disse...

Se o Sr. Dr. Mario, fosse um pouco equilibrado da-va voz a Mae e assim equilibrava as opinioes dos Pais.Isso e que e viver e caminhar para um futuro civilizado.Pois o controle e a manipulacao ja faliu...

Milene disse...

Muito embora haja em quase tudo o que aqui foi escrito razões para admitir que a opção pelo privado ou pelo público possa ser ou não ser a melhor consoante o caso, acho que acima de tudo e quando se trata dos "NOSSOS" filhos, temos que ter a certeza de que conhecemos bem demais a realidade deles e a nossa, e quando optamos por um ou outro estabelecimento de ensino, é certamente a pensar que estamos a fazer o melhor por eles e para eles. Não são certamente decisões fáceis e lineares a começar porque quando temos mais do que um filho, a realidade por que escolhemos para um deles não é necessáriamente a melhor para os outros. Tenho quatro filhos, três deles frequentaram sempre o ensino privado e o quarto ainda não se iniciou nesse processo. Mas admito que à data de hoje não foi a melhor opção colocar o mais velho num colégio privado, porque o ensino privado não está preparado para detectar, alertar e encaminhar situações que estão fora dos parâmetros de sucesso (individual e colectivo). Assistimos hoje em dia a colégios/empresa, que funcionam acima de tudo por objectivos e querem por isso resultados, (nem que os mesmos sejam manipulados pela aposta que os pais fazem em explicações particulares que influenciam os resultados nas estatísticas nacionais e dão de mão beijada o primeiro lugar no ranking), e os alunos menos desejáveis são convidados a deixar o colégio para não serem má influência, darem má imagem à escola e acima de tudo influenciarem negativamente os resultados nacionais.
De resto e depois desta aposta no privado, sempre lhes disse e cumpri que depois de tantos anos em colégios privados, a passagem para a Universidade passaria sempre pela público, algo que já foi concretizado para os dois mais velhos: penso que é de facto importante sairem da redoma e enfrentarem a diversidade e adversidade e acederem à tal panorâmica global de que aqui tanto se fala.
Mas, deixemo-nos de demagogias: acima de tudo temos que ter SORTE: em primeiro lugar nos filhos que temos, e em segundo lugar nas escolas por que optamos.

Mário disse...

Obrigado pelos comentários. Não respondi antes porque estive num local sem net, durante o fim de semana.

Anónimo 1 - Eu deixo cada um pensar pela sua cabeça, ou então não teria, por exemplo, um blogue em que convido as pessoas a fazerem comentários. Não entendi, portanto este seu remoque.

Anónimo 2 - Que acidez, na forma como apresenta os seus argumentos (argumentos?!).
Trabalho por conta própria e por conta da faculdade, se deseja saber - tenho uma profissão liberal mas, além disso, gosto de acrescentar, cada dia, um grau de liberdade à minha vida? E não sou escravo do trabalho porque tenho coisas igualmente interessantes na vida para fazer, como estar com os meus filhos, mesmo que isso o irrite tanto (porque será? Não teve um pai que o acarinhasse, foi? Um pai que o fosse buscar e levar à escola? Ou que brincasse consigo e lhe contasse histórias para adormecer?).

Como trabalho, ou seja, como não vivo de rendimentos, de heranças, nem por conta de qualquer mulher ou ex-mulher, lá tenho de ter empregada 3 x semana, imagine a ousadia. Desculpe, se isso o ofende ou se acha estranho. Táxi para a escola que fica a menos de 1km de minha casa (da Praça de Londres ao Largo do Leão)? O motorista "passava-se"!

Avós e tios, do lado paterno, para dar esse apoio, infelizmente os meus filhos não têm. Os primeiros porque já morreram, os segundos porque... trabalham. Há quem não trabalhe, mas eles trabalham...

Quanto a horários, a escola EB 14onde anda o meu filho tem horário até às 17.30h, com actividades extra-curriculares, e ainda prolongamento até às 19.30h, gerido pela Associação de Pais. Queria mais tempo das crianças na Escola? Já agora dormiam lá, não?

O resto nem merece resposta, salvaguarde-se um esclarecimento: quando classifiquei o Colégio Moderno de "aberto" referia-me à mentalidade e à educação cívica e de cidadania que sempre conferiram a esse colégio privado um lugar de excelência na aprendizagem democrática (tal como o Liceu Francês, o Colégio Alemão, ou o Beiral, para citar apenas alguns), ao contrário da maioria dos colégios confessionais, por exemplo.

Quantos filhos tenho? Cinco, e dois netos.

E fique descansado - o seu comentário NÃO vai ser apagado. Fica aqui, para atestar que o mundo onde os meus filhos vivem não é apenas mel, também tem fel...

Virgínia - no que toca ao Moderno, acho que já ficou explicado. E, como disse desde o início, há colégios de qualidade boa e má em todo o lado, independentemente de serem privados ou públicos.

Anónimo 3 - essa da mãe não entendi. Quer-se explicar melhor? Começando por deixar o anonimato, por exemplo...

Milene - concordo que é sorte, como tudo, eventualmente, desde os cônjuges aos comentadores de blogues, mas há um "trabalho de casa" a fazer pelos pais que pode dar factores protectores e resiliência às crianças, alterando o destino. Tu, aliás, sabes bem como é... ou como vai sendo, porque o teu (e do Paulo) trabalho já começou há muito tempo, mas continua! E bem, como eu sei.

Elisete disse...

Boa, Dr. Mário Cordeiro!
Já estava a ficar irritada por não dar resposta aos três anónimos!
Quanto à discussão público vs privado prefiro conversar com o Sr. Dr. na próxima consulta do Mi, porque é isso que costumamos fazer quando vamos ao seu consultório, conversamos, nunca sentimos que estamos a sofrer uma "lavagem cerebral".

Virginia disse...

Mário ( meu mano)

Espero que não leves a mal os comentários que fiz sobre os diferentes tipos de escolas, talvez parecesse , como diz alguém, que queria lavar o cérebro das pessoas. Não é verdade, sempre fui veemente, como tu sabes, e neste momento, a escola pública e tudo o que se relaciona com ela deprime-me...resquícios dum passado recente que me deixou marcas - os dois últimos anos foram traumatizantes mesmo.
Aliás, gostava que os professores que leem este blogue e leccionam em escolas públicas, dissessem de sua justiça. Já é bom, no entanto, que tantos pais gostem das escolas do estado e ponham lá os seus filhos. Quanto mais houver, melhor....

Acredito que muitas escolas privadas - Opus Dei, confessionais, etc -formatem as crianças - mas ainda há muitos colégios aqui no Porto que são bons e abertos.

Prometo que para a próxima serei mais sóbria nos meus reparos, isto não é um forum , mas um blogue...:)

Beijos

Mário disse...

Elisete
Obrigado, mas a ideia do blogue é (e continuará a ser) expressar sentires, ideias, partilhar factos e eventos que considero engraçados e, também, chamar a atenção para algumas coisas que, sempre na minha óptica (claro), podem ser merecedoraas de objecção ou de aplauso.
Quanto aos três (ou uma hidra de três cabeças?) anónimos, servem para o que servem.

Virgínia (minha Mana) - se não fosse a sua paixão pela Educação (ao contrário dos PMs que temos tido, que a afirmam mas não consagram suficientemente nos orçamentos e nas políticas), não tinha escrito o que escreveu nem feito o que fez. Adorava saber quantos estudantes seguiram os seus manuais - centenas de milhar. Deve ser uma sensação formidável! E como "mano da mana" só posso ficar orgulhoso.

miguel disse...

De acordo com a minha experiência e portanto na minha opinião uma escola pública onde " podemos pôr " os nossos filhos deve ter algumas carcaterísticas, a saber:

- Uma liderança forte, esclarecida e com projecto.

- Professores ( principalmente os dos nossos filhos ) psicologicamente equilibrados, culturalmente apetrechados e organizado no trabalho.

- Auxiliares zelosos e respeitadores da hierarquia estabelecida.

- Percentagem de alunos ditos " anormais" ( provenientes de famílias disfuncionais e meios socio-económicos desfavorecidos ) residual em relação a alunos ditos " normais" .

Mário disse...

Miguel
Resumiste em poucas palavras aquilo que eu penso, e que tentei transmitir no conteúdo da Entrada. Aliás, estive a relê-la, e em nenhum momento coloquei a questão público versus privado.

A Escola EB 14, como a EB 154 (as outras não sei, e nem me interessa porque é com os pais respectivos) têm uma liderança forte e dinâmica, a professora do meu filho é carinhosa mas sabe ensinar coma firmeza necessária para miúdos de 6 anos, e sabe fazê-los aprender através do estímulo para o aperfeiçoamento; as auxiliares (que eles tratam por "tias", embora não propriamente no sentido das "tias da Quinta da Marinha"), dois dias depois do início, já sabiam o nome deles todos; é segura (designadamente na entrega das crianças à tarde); e a freguesia de atracção é São João de Deus e a parte oeste de Arroios, por acaso até a primeira, segundo a revista Sábado, a freguesia de Lisboa onde o metro quadrado de habitação é mais caro em todo o país.

Além de ter garantidas as acessibilidades para crianças com deficiências (ou simplesmente com uma perna partida), visitas de estudo, inglês, educação física, música, almoço controlado por dietistas da Associação Portuguesa de Nutricionistas (com o extraordinário custo de um euro por dia!), leite gratuito, recreio, brincadeira, TPC só ao fim de semana (e muito ligeiros), criatividade e alegria. E tem biblioteca, distribuição de computadores Magalhães (mesmo que algumas pessoas consideram errado, eu sou fortemente a favor), etc

E obviamente, pago pelo Orçamento Geral do Estado, para o qual eu já contribuo o suficiente porque não fujo aos impostos.

Pedir mais? O quê? O que há mais a exigir? Para dizer que anda numa privada e "arrotar" o nome da escola? Não tenho problemas em dizer "EB14" ou, até, "Escola O Leão de Arroios" (que é o nome dela), mesmo sendo eu do Benfica!

O resto são tretas, mas, sabes, já conheces o estilo de certas pessoas do local onde passas e eu passei férias - e não são flores que queira cheirar nunca mais...

O que não consigo admitir é a sanha de destruição dos serviços públicos, sejam de Educação, Saúde ou outros quaisquer, sobretudo por pessoas que os exploram até ao sabugo, ou não honram os compromissos fiscais, estacionam em cima de passadeiras, ou acham que "o povo" não tem direitos. Sabes como isso se chama? Elitismo com tiques fascizantes. Sempre fui contra, não é de agora.

Virginia disse...

Miguel:


É isso mesmo - os vários parâmetros enunciados por si - que faltam na escola onde eu leccionei, para grande desgosto meu. A liderança forte é uma comissão, cuja presidente tem 35 anos, candidataram-se para não sair da escola e como são muito "porreiros" foram escolhidos. O projecto educativo anda as bolandas de comissão em comissão à procura de melhores dias.
O ratio alunos disruptivos - alunos decentes é quase de fifty-fifty. Uma tristeza porque os professores quase todos bem preparados e com provas dadas não sabem como lidar com estes casos difíceis - uma pessoa com 60 anos não tem argumentos para convencer um catraio de 15-16 anos de que o futuro é importante e o inglês essencial...quando eles querem é joguinhos, futebol e miúdas....uma coisa é lidar com um deste miudos, outra uma turma inteira do 9º ano de tri-repetentes, que boicotam sistematicamente o trablaho do professor.

Sinceramente custa-me pagar impostos para sustentar estes energumenos.....cada euro é mal-empreagdo....

Serei demasiado céptica? Não serei?
Gostava de saber mais.

Mário disse...

Estas vossa questões levavam a uma enorme discussão, como por exemplo saber se a escolaridade obrigatória (eventualmente então até ao 12º ano) não será uma perda de tempo e uma inutilidade para muitos adolescentes - sei que é provocatório, mas estas dúvidas assaltam-me de vez em quando.

Por outro lado, às vezes penso se os professores formados há muitos anos, sem contacto com gente jovem, ou os mais novos, a quem falta sabedoria, não deveriam ter mais "input", durante a formação, sobre a adolescência e os adolescentes.

O mundo (e Portugal) tem mudado de tal forma - há uns meros 15 anos, por exemplo, não havia telemóveis nem internet generalizada, nem TV Cabo, e talvez houvesse a SIC e um canal da Igreja e pouco mais -, que obriga os professores (e outras profissões, mas esta sobretudo) a um esforço enorme de actualização sobre comportamentos individuais, familiares e de grupo. Ou sobre como as pessoas interagem.

Basta atentar na percentagem crescente de divórcios e de famílias reconstituídas, no isolamento social e no tipo de tecido urbano para pensar que a atitude tem de ser outra.

Vocês, Virgínia e Miguel, como professores de há tantos anos, sabem disto bastante mais do que eu, mas eu que os "apanho" no 6º ano da Faculdade, com 22-23 anos, à beira de serem médicos (segundo Bolonha já não são estudantes), verifico em muitos uma atitude de "Liceu parte II" (não aprecendo estarem já na "escolaridade facultativa e profissionalizante), embora depois, quando devidamente estimulados, sejam capazes de trabalhos e atitudes exemplares.

Também devo dizer que se tivesse mantido os mesmos conhecimentos de quando acabei o curso de Medicina, seria incapaz de tratar sequer de um gato, "penso eu de que"... - se nem a porcaria das doenças são as mesmas!!!!

Virginia disse...

Não sei se faço bem em responder nesta thread que já está enorme, mas o assunto é tão aliciante que não resisto.
Há coisas que não se aprendem em formação, Mário, mesmo que tivéssemos horas de estudo de psicologia e análise de comportamentos dos jovens de hoje. Se nós próprios já com 40, 50, 60 anos temos atitudes totalmente diversas das que tínhamos há vinte anos e com as quais nem sonhávamos...como prever o que vão ser os jovens amanhã?

Lidar com jovens é difícil, mas simultaneamente fantástico. Devo dizer que foram os desafios mais espantosos da minha carreira, encontrar alunos rebeldes e conseguir dar-lhes a volta ( ou eles a mim), de modo a ficarmos cientes dos limites inultrapassáveis, num clima de "gozo" interior e de franca colaboração.

Não me esqueço de um aluno muito inteligente quanto insuportável que depois de anos, encontrei na rua de bloco na mão a pintar o edifício da escola. Ficou sentado onde estava, olhou para mim e disse: Agoro estudo Artes. Mas queria-lhe dizer uma coisa agora que já não sou seu aluno: Não gostei muito de andar aqui nesta escola, mas a stora convenceu-me,olhe deixe que lhe diga, a stora não é deste mundo!

Pode parece-vos gabanço idiota, mas esta frase ressoa-me nos ouvidos todas as vezes em que me parece não ser capaz de mais esforço, quando a Vida me pede mais e mais...

miguel disse...

Há tanta coisa que foi dita, há tanta coisa por dizer, ficará tanta coisa para ser dita. A discussão é saudavelmente interminável.

Uma questão ( virão outras )- 12º ano obrigatório: sim ou não? Na fase actual em que a palavra de ordem é "todos na escola " a resposta é quase irrelevante. Os imperativos relacionados com a palavra de ordem que vão tomando letra de forma no "tumulto legislativo " que por sua vez toma, gradualmente , o dia a dia da educação deste país, leva a que só não tem diploma de 12º ano QUEM não quer...e esse QUEM são muitos, aliás.

Há neste momento duas vias para obter o 12 º ano : uma, a única via que requer trabalho sistemático, à moda antiga, são os cursos de formação geral e nomeadamente aqueles que têm , na sua matriz, Matemática A Fisico-Química e Biologia. Porque os outros já estão a ser invadidos por sub-produtos como Matemática B, MACS, mais Histórias de tudo e mais alguma coisa e o preocupante é que os alunos com cultura de escola já começam a topar estes expedientes e a aproveitá-los.

Depois existem os Cursos Profissionais e as Novas Oportunidades que, mesmo que sejam bem estruturados, são dirigidos a uma população de gente plena de iliteracia e inumeracia e cujo potencial a outros níveis é escondido ou castrado por impreparação dos professores ou por uma preguicite de bradar aos céus.

Por exemplo, tenho alunos do 10º ano ( do curso tecnológico de Desporto , que ministro) que têm Biologia B sem nunca terem tido Biologia ou Ciências.Alguns deles nem o 7º ano completo terão. Isto porque muitos provêm dos CEFs ( Cursos de Educação e Formação) destinados a alunos de 15 ou mais anos , a maioria deles com insucesso repetido no 7º ano. Imaginem o que é dar Filosofia ( cujo programa é comum a todas as formações) a jovens que nem livros levam para as aulas.Ou Matemática B. Ou Biologia B ...ou... Sim, porque, apesar de tudo, é preciso dotá-los de um conjunto de conhecimentos susceptíveis de serem enquadrados naquilo que se chama uma formação profissional de nível médio.

Chamei um dia, á fase que ora atravessamos, a 2ªa massificação da escolaridade.Gosto de ver os jovens na escola. Eles também gostam da escola, desde que passem por ela sem se esforçarem muito. Mas há que ir amadurecendo a questão da exigência .Porque não basta ter os instrumentos para exigir. É também necessário ter as condições. No papel , os professores já podem exigir, sempre puderam. Na prática estão cada vez mais espartilhados.

Virginia disse...

Miguel

Lá virá o dia em que as escolas públicas só leccionarão os cursos profissionalizantes, pelo andar da carruagem, quem quer mesmo fazer um 12º a sério terá de recorrer ao privado, pois a escola pública massificará cada vez mais - por outras palavras, nivelará cada vez mais por baixo.
Lamento dizê-lo, mas o nosso 1ºMinistro, engenheiro no papel e a sua Ministra da Educação à Força só vêem números e Portugal em vez de ficar na cauda da Europa vai ficar no cocoruto da ignorância.

Anónimo disse...

Estou espantada com tanta conversa acerca de um assunto que só tem a ver com a escolha dos pais e que deve ser uma escolha conjunta e não uma decisão imposta e unilateral, em tudo parece que há de facto uma enorme necessidade de justificar uma escolha, porque será?
È interessante porque a escolha de uma escola tem a ver com o conhecimento da mesma,com experiências positivas que são dadas pela experiência de outras crianças proximas / pais / amigos e acima de tido irmãos.
Ninguem ( ou melhor) dificilmente se escolhe uma escola, sem ter por detrás a opinião de alguem que nós como pais consideremos.
Acho interessante tanta conversa acerca de um assunto que é privado e o que mais me assusta é a necessidade de justificar as escolhas, sem nunca falar verdadeiramente das suas razões.
Assusta ler tanta elequência quando se sabe o que está por detrás.
Sabemos todos que há escolas "publicas" excelentes com profesores extraordinários, mas a envolvente da escola, os valores o que não se ensina nas aulas tendêncialmente encontramos nas escolas privadas.
Tanta próximidade nestas discussões e tanta ausência quando é necessário.

Mário disse...

Anónima (visto que se define pelo sexo feminino) - se acha que o assunto é privado e que só aos pais compete, porque se mete? (rima e é verdade).
Olhe, um dos valores que não pretendo para os meus filhos é, precisamente, a cobardia do anonimato, ou a torpeza da insinuação (como quando escreve: "quando se sabe o que está por detrás").
Além disso, escrevo o que bem me apetecet no meu blogue. É meu e muito meu. Meusísimo. Chateia, não chateia? Não se poder controlar tudo e todos, mas a omnipotência infantil acaba aos 18 meses... ou deveria ter acabado...

E, já agora, sabe que esta discussão nunca teria lugar em países, por exemplo, como a Noruega ou Inglaterra, onde só os "snobs parolos" andam em escolas privadas? O considerar "por defeito" que as escolas privadas são sempre boas e as públicas más é um sinal de falta de desenvolvimento e de îgnorância (ou até mesmo de imbecilidade)...

Virginia disse...

Não sei quem é, anónima. nem me interessa para dizer com franqueza. Também não estou aqui para defender o meu irmão, pois ele não precisa e não sou eu que alguma vez interferirei nas escolhas dele; já há pelo menos 40 anos que nem sequer pestanejo perante as suas afirmações acerca de alguns assuntos.
Porque fiz esta intervenção tão longa e, para si tão inútil?
Porque sei do que falo, é o meu mundo há quatro décadas e não me parece que as pessoas - que tanto discutem o tema - tenham mais experiência do que eu. Daí ter vonatde de trazer alguma luz sobre o assunto, forçosamente individual e subjectiva.

Se não lhe interessa, faça como eu: desligue! Há mais de um milhão de sites à escolha....até há alguns sites sobre escolas, sabia?

Anónimo disse...

Obrigada pelas respostas tão rápidas... haja tempo!!!!
Acho interessante sempre a discussão entre publico e privado, e mesmo adorando Portugal, não podemos infelizmente comparar estruturalmente o nosso pais á noruega ou a inglaterra, nomeadamente porque nestes paises o publico funciona em pleno e em tudo.
Agora é interessante saber que na noruega por exemplo não existe medicina privada, consultórios!!!Para quem defende tanto o publico podia começar por ai, boa???

Virginia disse...

Ainda bem que há consultórios privados. Hoje estive num osteopata que faz maravilhas.

Acha que se fosse a uma consulta pública ( onde é que as há?) seria assim?

Ataques pessoais sob anonimato é uma atitude muito feia, sejam eles na Inglaterra, na Noruega ou em Portugal.

Mário disse...

Virgínia - thanks!. A anónima é um gato escondido com o rabo de fora...

Anónima - precisamente. Cada um vai ao local que deseja. E assim como há consultórios privados formidáveis, também há centros de saúde péssimos. E assim como há serviços de saúde públicos óptimos, há privados onde se morre por negligência. Está a perceber? Espero que sim, porque fazer desenhos aqui não dá jeito.

Quanto à Noruega ou Inglaterra, não estamos já tão longe assim. Portugal evoluíu muito, sabe? Todos os indicadores assim o dizem. Talvez quando você nasceu fôssemos um país atrasado, mas passaram algumas décadas, mesmo que isso lhe desagrade. E no 25 de Abril, só 10% das crianças fazia mais do que o actual 6º ano da escolaridade. Contudo, nalgumas classes sociais, era mais de 95%. Está tudo nas Estatísticas do INE, sabe, ali mesmo ao pé do Largo do Leão, da Praça de Londres e da António José de Almeida. Faz-se bem a pé e os serviços são públicos.

E, para que a verdade seja sempre prioritária: eu defendo a complementaridade dos serviços públicos e dos privados (e dos chamados sub-sistemas, mas é capaz de ser demais para si entender o que são estes). Complementaridade.
E por isso trabalho no público e no privado desde há mais de 25 anos. Na Saúde e na Educação. Até dei aulas na Universidade Moderna, imagine (mas não andava de Porsche amarelo, juro-lhe).

mas sabe o que é curioso? É que uma vez tive uma conversa exactamente assim em casa dos meus amigos David Ferreira e Margarida Mercês de Melo. Estava lá uma pessoa que dizia exactamente o que você agora escreveu. Quase um remake, mas de segunda categoria...

E outra coisa é certa: não tenciono responder-lhe mais. Nem em português, nem em inglês ou norueguês.

Virginia disse...

Não percebi se a resposta era endereçada ao Mário se a mim, mas gostava de lhe responder que todas essas estastísticas são do meu conhecimento porque as senti na pele e no coração...lidei com alunos na Sertã que andavam 7 km a pé com temperaturas negativas para vir para a escola, outros em Chaves que tiritavam sem aquecimento nenhum numa escola pública em que a temperatura rondava os 0º, passei 16 anos a provar aos meus estagiários que se podem dar aulas a alunos de backgrounds adversos, venham eles donde vierem; também dei aulas no ISAI onde se pagavam propinas altíssimas e os profs ganhavam uma miséria e numa escola profissional de Música que era subsidiada pela CEE.
Experimentei quase tudo, só não dei aulas no 1º e 2º ciclos do básico.

Não percebo é a agressividade com que escreve quando aqui não se está a defender nenhum sistema em especial, tão somente a apontar as falhas e as virtudes de cada um.

Na Inglaterra e porque infelizmente tive uma filha lá internada durante meses, há um sistema de saúde totalmente grátis para QUALQUER cidadão da UE e o acompanhamento fora do hospital permanente mesmo quando os doentes estão em casa.

É o país mais extraordinário que conheço. Até me pagaram um taxi que fez 100kms de Durham para Leeds para poder ir ver a minha filha que tinha sido transferida entretanto...a mim, simples portuguesa, que não conhecia ninguém.

Como vê, estamos a anos-luz de uma sitema de saúde assim.

Mário disse...

Ao reler estes comentários, e passado um ano e meio, dá-me vontade de rir ver a evolução das coisas e, até, do motivo de intervenção da Anónima.
Voltou a atacar há dias - não se conforma de ter levado tanta tareia. Tadinha!